
Esquirol (1772-1840)
Esquirol foi um médico francês
nascido em Tolouse, na França, que dedicou sua vida e carreira
ao estudo das doenças mentais. Possivelmente suas ideias ainda
eram influentes na época em que Allan Kardec publicava suas
obras, e sua classificação das doenças mentais
deve lançar luz a alguns termos, hoje em desuso, usados pelo
fundador do espiritismo.
Uma das classificações
de Esquirol para a doença mental, usado diversas vezes por
Kardec eram as monomanias. Pacheco (2003, p. 154)
identificou quatro grandes categorias psicopatológicas em Esquirol:
1. Idiotia
2. Demência (aguda ou crônica)
3. Mania
4. Monomanias
A mania se distingue das monomanias por ser um delírio
(falsa crença) total com exaltação. Afeta todas
as funções mentais: inteligência, percepção,
volição e atenção, por exemplo. A monomania
afetaria apenas uma das funções mentais, mantendo as
demais íntegras. Pacheco (2003) afirma que haveria um delírio
parcial, que poderia ter uma forma alegre ou triste.
Esquirol identificou monomanias que poderiam levar o sujeito a cometer
atos anti-sociais, como o assassinato, sem motivo aparente.
Kardec escreveu sobre monomanias algumas vezes na Revista Espírita.
Em junho de 1858 ele relata o caso do Sr. Morrison, um milionário
inglês que se acreditava pobre, a quem era permitido trabalhar
nos jardins de suas propriedades, remunerando-o com seu próprio
dinheiro por tal. Ele foi evocado por Kardec e possivelmente comunicou-se
através da mediunidade de Ermance Dufaux. Ele se mostrava ainda
perturbado mentalmente após a morte, ao que concordou o espírito
São Luís. Kardec identifica ao final da comunicação
traços de melancolia na fala do espírito. Trata-se de
monomania devido a um delírio que não o impedia de realizar
outras atividades e que preservava sua inteligência, percepção
e atenção.
Em julho de 1866 ele relata um caso de uma criança, filha
de operários de seda, que desde os dezoito meses acendia fósforos
e sentia prazer em ver as chamas. Aos dois anos ele incendiou o sofá
da sala e à época com quatro anos, respondia as reprimendas
dos pais com ameaças de incêndio. Trata-se de ato anti-social
que aparece na infância, por essa razão, é tratado
à época como monomania. Kardec discute as possíveis
explicações e indaga dois espíritos sobre a condição
da criança. Eles lhe respondem que a criança traz o
instinto de encarnações passadas e que ele se manifesta
tão precocemente para que os pais fiquem atentos e tudo o façam
para corrigi-lo.
Pesquisar o significado de termos técnicos empregados no século
19, na França, se torna muito importante para uma compreensão
clara do que escreve Allan Kardec, principalmente para quem faz pesquisas
no grande universo de textos que é a Revista Espírita,
à época em que ele foi editor.
Pacheco, Maria Vera Pompêo de Camargo. Esquirol
e o surgimento da psiquiatria contemporânea. Revista Latinoamericana
de Psicopatologia Fundamental, vol. VI, n. 2, 2003, p. 152-157.