Quando me reconheci espírita,
Carlos Imbassahy já havia desencarnado, mas tive a honra de
conhecer Deolindo Amorim. Hoje estava passando os olhos no livro "Ideias
e reminiscências espíritas", escrito pelo Deolindo
como uma rajada de vento sobre as pessoas que conheceu no movimento
espírita. Encontrei, então, o parágrafo em que
ele conhece o Bozzano Brasileiro:
"Lembro-me, com emoção,
como se fosse hoje. Estava eu, com alguns companheiros, organizando
o I Congresso de Jornalistas e Escritores Espíritas. Fui
procurar Carlos Imbassahy para aceitar a incumbência de uma
das teses do Congresso. Ainda não o conhecia de perto, e
naturalmente esperava encontrar um homem diferente, cerimonioso,
um tanto formal ou, talvez, um escritor fechadão, de pouca
conversa. Estava na praia. Fiquei esperando. Pouco depois, vinha
ele, calmo, de calção de banho, juntamente com Da.
Maria, a inseparável esposa, sempre de alma aberta a todos
quantos ali chegavam. Imbassahy "desarmou-me" logo, porque
me tratou com intimidade, como se já fôssemos velhos
conhecidos. Deixou-me à vontade. Insistiu para que almoçasse
com ele. Claro que aceitou o convite da Comissão Organizadora
do Congresso e apresentou realmente uma tese sobre o Espiritismo
e as religiões.
Nunca mais nos separamos. A casa de Imbassahy passou
a ser, para mim, mais do que a residência de um amigo, onde
eu sempre ficava como se estivesse em minha própria casa.
Mais do que tudo isto, a casa de Imbassahy sempre foi, para mim,
como tantos e tantos confrades, uma escola, no sentido mais eminente,
um templo de bondade. Conversando, brincando ou discutindo em sua
casa, a gente estava sempre aprendendo. Aprendia-se Espiritismo,
como se aprendia sociabilidade sem máscara nem convencionalismo,
como se aprendia o amor do idioma, tanto quanto se aprendia o culto
sadio do lado belo da vida e das coisas. Respirava-se ali, naquele
recanto de Icaraí, até nas simples brincadeiras e
nos trocadilhos, até nos hábitos domésticos
e nas conversas informais, um ar de grandeza e dignidade."