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Quando uma anomalia acontecer,
evite examinar a evidência real; recuse-se terminantemente
acompanhar os proponentes a seus laboratórios ou aos
locais da ocorrência. Isso permitirá a você
dizer impunimente: “Nunca vi evidência alguma
que apoie tais afirmações ridículas!”
(note que essa técnica tem sobrevivido ao teste do
tempo e remonta, pelo menos, à época de Galileu.
Simplesmente recusando-se a observar pelo telescópio,
autoridades eclesiásticas garantiram à Igreja
mais de três séculos de negativas sistemáticas!);
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Tendo uma vez se negado
a examinar a evidência, salve as aparências garantido
a seus opositores que, você ‘certamente adoraria
ter sido tomado como um grande defensor de tais fenômenos
fantásticos e, então, por quê, afinal
de contas, você se recusaria a examinar qualquer evidência?’
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Se examinar a evidência
for algo que você não puder escapar, simplesmente
diga que ‘não há nada novo aqui!’.
Se confrontado com um corpo sustentável de evidências
que tenha sobrevivido a testes rigorosos, descarte tudo prontamente
como sendo ‘muito fraco’;
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Negue a possibilidade
de existência de fenômenos para os quais nenhuma
explicação tenha sido data. Ignore contra exemplos
tais como a existência de doenças antes da descoberta
de micróbios, a produção gigantesca de
energia pelo sol antes da descoberta da fusão nuclear
e a persistência sistemática da gravidade a despeito
de nossa sistemática ignorância em compreendê-la;
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Com ar de desdém,
afirme que ‘a maioria dos cientistas considera tais
afirmações como bobagens!’, o que implica
que você pesquisou a opinião de 51% dos cientistas
e achou que elas estão de acordo com o seu próprio
ponto de vista;
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Convença o mundo
de sua própria onisciência declarando que ‘não
há evidência para X!’, já que, é
óbvio, somente alguém que saiba tudo pode afirmar
que não há evidência para X no Universo;
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Argumente que ‘algumas
coisas são possíveis, mas improváveis!’,
embora saber tudo o que é ou não provável
demande conhecimento completo de quaisquer dimensões
de realidade no Universo e além dele;
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Se um opositor sistemático
manifestar o desejo de examinar uma afirmação
anômala em profundidade, simplesmente acuse-o de ‘abandonar
sua objetividade’;
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Torne equivalente o conhecimento
aprofundado de um assunto não ortodoxo com uma opinião
tendenciosa a favor dele. Então, tomando a si próprio
como exemplo, afirme que somente a um ignorante completo pode
ser confiada uma análise não tendenciosa;
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Já que o público
de forma geral não sabe a distinção entre
evidência e prova, esforce-se ao máximo para
manter essa ignorância. Se prova absoluta não
estiver disponível, afirme categoricamente que ‘não
há evidência!’.
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Quando confrontado com
montanhas de dados a favor de uma anomalia, simplesmente afirme
que ‘já que a probabilidade dela ser verdadeira
é zero, seria necessária uma quantidade infinita
de dados para prová-la!’;
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Se evidência suficiente
for apresentada para garantir quaisquer investigações
adicionais de um fenômeno não usual, argumente
que ‘só a evidência não prova nada!’.
Ignore o fato de que não se assume de forma geral que
uma evidência preliminar deva provar qualquer coisa;
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Louve publicamente os
céticos que inventaram o critério da ‘prova
absoluta’, isto é, que prova insofismável
deve ser obtida antes que qualquer afirmação
não ortodoxa ganhe respeitabilidade para ser discutida
seriamente (o que, convenhamos, é uma jogada brilhante,
porque, na prática, ‘prova’ é uma
questão de consenso científico. Portanto, um
fenômeno marginalizado jamais poderá ser ‘provado’!);
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Se quantidades copiosas
de evidência documental para uma afirmação
não ortodoxa for apresentada, reduza sua importância
dizendo: ‘são apenas palavras colocas em papel,
não há razão para levar nada a sério!’;
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Exija que a prova venha
antes da evidência. Isso eliminará a possibilidade
de se iniciar qualquer processo relevante de investigação,
particularmente se nenhum critério de prova tiver sido
estabelecido para o fenômeno em questão;
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Insista que um critério
de prova não poderá possivelmente ser estabelecido
para fenômenos que não existem!
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Embora a ciência
não tolere padrões vagos ou dúbios, sempre
insista que fenômenos não convencionais devam
ser julgados por conjunto de regras científicas distintas
e mal definidas. Faça isso declarando que ‘afirmações
extraordinárias exigem evidências extraordinárias!’,
com o cuidado de nunca especificar onde o ‘ordinário’
termina e o ‘extraordinário’ começa
ou indicar quem quer que seja para fazer tal separação.
Isso permitirá a você fabricar um horizonte eternamente
distante que manterá as ‘evidências extraordinárias’
fora de alcance a qualquer época.
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Da mesma forma, insista
em classes de evidência que são impossíveis
de se obter. Por exemplo, declare que fenômenos aéreos
não identificados podem ser considerados reais somente
se eles puderem ser trazidos para laboratórios para
que sejam analisados, a fim de se levantar suas propriedades
físicas. Desconsidere as realizações
das ciências inferenciais – astronomia, por exemplo
– que não exige que planetas, galáxias
e buracos negros sejam trazidos para o laboratório
para que sejam estudados;
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A qualquer oportunidade,
reforce a ideia de que familiaridade é igual à
racionalidade. O não familiar é, portanto, igual
ao irracional e, consequentemente, inadmissível;
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“A navalha
de Occam” ou o “princípio da parcimônia”
diz que a explicação correta de um mistério
envolve os princípios fundamentais mais simples. Insista,
portanto, que a explicação mais familiar é,
por definição, a mais simples! Afirme com força
que a navalha de Occam não é simplesmente uma
ferramenta filosófica que pode cortar qualquer coisa
sobre a qual se aplique, mas uma lei imutável que existe
para garantir o seu ponto de vista;
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Torne equivalente a falta
de evidência sólida, familiar ou óbvia
com prova de não existência. Despreze o fato
de que muitos fenômenos transientes (a passagem de um
pássaro, a brisa, ondas de rádio, luz...) existem
de forma demonstrável sem deixarem evidências
colecionáveis como souvenir, e que muitas coisas podem
existir sem deixarem evidência a seu favor, que podem
ser constantemente ignoradas ou exigir interpretação;
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Decrete que o que existe
fora do arcabouço científico presente ‘não
pode existir’. Como evidência para o que ‘não
pode existir’ não pode, por sua vez, também
existir, declare que aplicação do processo de
investigação nesses casos é uma atividade
inútil;
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A gosto, repita a frase-clichê
absurda: ‘não acredite em nenhuma evidência
que não tenha sido confirmada pela teoria!’;