“Espíritas, amai-vos,
este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo.”
Assim se expressou o Espírito de Verdade no item 5 do capítulo
VI de O Evangelho Segundo o Espiritismo. Entendemos
bem a importância e a necessidade do amor mas nem sempre percebemos
o alcance do segundo ensinamento: instruí-vos. Para esclarecer
isso, vejamos a escala espírita, itens de 100 a 113 de O
Livro dos Espíritos (LE), especificamente o item
107 que descreve as características da 2ª ordem –
Bons Espíritos: “Predominância do Espírito
sobre a matéria; desejo do bem. Suas qualidades e poderes
para o bem estão em relação com o grau de adiantamento
que hajam alcançado; uns têm a ciência, outros
a sabedoria e a bondade. Os mais avançados reúnem
o saber às qualidades morais.”
Se o desejo do bem, oriundo do amor, determina
a principal característica de um bom Espírito, a hierarquia
das subclasses pertencentes à 2ª ordem (itens
de 108 a 111 de LE), mostra que do menos para o
mais evoluído, o que difere os Espíritos
é o conhecimento e a sabedoria.
Paulo de Tarso, falando do amor deixa claro que “ainda
que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios
e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de
maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor,
nada seria.”(1 Coríntios
13:2). Então, por quê o conhecimento
e a sabedoria hierarquizam os bons Espíritos na
2ª ordem da escala espírita? O amor não
deveria ser a mais importante condição de elevação?
De fato, o amor é condição necessária
para o progresso espiritual. Por isso amai-vos é o primeiro
ensinamento. Mas, para entender a importância do instruí-vos,
analisemos Mahatma Gandhi.
Gandhi mostrou ao mundo que é possível realizar uma
verdadeira revolução social através do princípio
da não-agressão. Suas orientações
ao povo indiano para realizarem protestos pacíficos, sem
violência, levaram à independência política
da Índia em 15 de Agosto de 1947. Mas Gandhi não conseguiu
isso apenas com vibrações de amor e preces. Cada orientação
dada ao povo foi idealizada de modo racional de acordo com o conhecimento
das leis da Inglaterra. Gandhi, que estudara direito na
Inglaterra, conhecia as leis civis inglesas e as utilizou em favor
de ideal de libertação da nação indiana.
Não bastaria só o amor de Gandhi pelas pessoas; foi
necessária a combinação do amor pela humanidade
com sua capacidade intelectual para revolucionar a Índia.
Estudantes de todo o mundo, não busquemos apenas “obter
nota para passar”, mas aprendamos pois o conhecimento
liberta. Nós que escolhemos o Espiritismo como caminho, aproveitemos
as oportunidades de estudo da Doutrina Espírita que as casas
espíritas oferecem. Nos esforcemos pelo instruí-vos
não por obrigação mas por amor à Deus
e às criaturas pois para quem já tem amor no coração,
saber mais significa ajudar mais e melhor!