Convidado a participar, nesta segunda-feira de Zumbi dos Palmares
de 2006, do programa matinal da Rádio Roquete Pinto –
Rio de Janeiro –, a convite do insigne radialista Jorge Ramos
e seu comando, dentro do tema “Hipnose e Regressão
da Memória”, pude constatar que, de fato, o
assunto é de grande interesse e que, mais
do que muitos outros, há uma preocupação a seu
respeito, motivo pelo qual fui levado a redigir esta página
dentro do que fora debatido no aludido programa.
Primeiramente, vejamos o que seja hipnose:
Vem do grego, onde Hypnos é o deus do sono,
filho de Elebus – (que deu o nome a um vulcão da Antártica),
precipitado por Zeus no Tártaro, local que sugeriu o “purgatório”
cristão, depois de se envolver com os Titãs –
e da Noite, irmão de Thanatus, a morte, neto do Caos; sem dúvida,
uma grande família.
O termo acabou se transformando, nos diversos idiomas
europeus em “sono forçado” geralmente obtido a
partir de um condicionamento exercido por outra pessoa no dito hipnotizado.
Quem primeiro estudou esse condicionamento hipnótico
foi Frans Anton Mesmer (1776 – 1847), médico alemão
que descobriu que poderia transferir energia para os pacientes aplicando-lhe
as mãos e vibrando com seu pensamento, daí dar-lhe a
este ato o nome que, em nosso português, foi traduzido como
“passe”. À aludida energia, Mesmer chamou-a de
magnetismo animal, assimilando-a ao efeito dos campos magnéticos.
Mesmer ainda descobriu que auferia melhores resultados
se levasse seu paciente ao sono que passou a ser conhecido como hipnótico,
durante o qual poderia sugestionar seu paciente a exercer sobre si
um melhor comando sobre seus problemas doentios.
Muitos foram os seus seguidores, até chegar
ao neurologista francês Jean Martin Charcot que definiu a hipnose
como sendo histeria, tendo em Sigmund Freud seu principal seguidor.
Já a regressão da memória teve
outra trajetória; antes, tendo ido à Grécia e
estudado Egiptologia, Carl Bonnet (1720 – 1793), pesquisador
suíço, trouxe para seu país um novo estudo conhecido
como Palingênese, ou seja, estudo das vidas sucessivas, influindo
no pensador místico francês Pierre Simon Ballance (1776
– 1847) que acabou introduzindo seus estudos em França,
mais particularmente, nos salões literários da Mme Recammier,
esposa do banqueiro mais importante do país, a partir do que
passou a ser um assunto de maiores estudos, de melhores conhecimentos
e aceitação.
Esse estudo da reencarnação tornou-se
desenvolvido através de sensitifs que percebiam, ouviam, conversavam
ou, até mesmo, davam passividade a manifestações
de Entidades ditas falecidas que vinham dar ciência da sua sobrevivência
e informar a respeito das existências pretéritas.
Todavia, foi um coronel médico do exército
francês chamado Albert De Rochas que, empregando as técnicas
da hipnose num de seus pacientes, em vez de colocá-lo em sono
condicionado, fê-lo regredir involuntariamente à observação
e vivência de fatos da sua infância, ato esse que passou
a ser conhecido como regressão da memória. Curioso,
De Rochas, resolve aumentar a indução erroneamente dita
hipnótica, ou condicionamento controlado a fim de ver que fenômeno
obteria com isso. O que aconteceu foi que o paciente regrediu até
a sua fase fetal, tendo ocasião de dizer que era um Espírito
liberto do corpo material a comandar a formação do seu
futuro corpo somático no útero materno, tendo, contudo,
condições plenas de observar os fatos que ocorriam em
volta da sua mãe.
Tudo teria ficado por aí se o próprio
De Rochas não resolvesse, em outras experiências, com
outros pacientes, fazê-los regredir além do ventre materno,
verificando que todos eles caiam em prováveis vidas pregressas,
ou seja, descreviam-se como sendo outra pessoa em tais ou quais condições,
com outra vida, em datas anteriores.
Em síntese, caiam em encarnações
passadas, com características diversas da que possuíam
na encarnação presente, durante o transe. Era a comprovação
da aludida palingênese.
De Rochas teve como auxiliar um outro pesquisador,
Flournois, que viajou por diversos lugares do mundo, com o objetivo
de verificar se tais pessoas vividas pelos pacientes sujeitos à
regressão da memória haviam, de fato, existido, chegando
à conclusão de que, várias delas foram reais
e coincidiam com a vivência personificada pelo paciente sujeito
ao transe de regressão.
Daí, esta técnica passou a ser diversificada
por diversos experimentadores, contudo, a regressão da memória
não depende de tal condicionamento: pode ser espontânea,
durante sonhos, ou simplesmente e transes sem nenhum condicionamento,
onde o paciente se vê lançado a vidas passadas, sendo
ele próprio o protagonista de outra personalidade, com outra
atividade, enfim, embora se sentindo ele próprio, contudo,
vivendo outra vida. Sempre em datas pretéritas.
A partir dessas aludidas experiências, certos
observadores passaram a perceber que algumas das doenças e
mazelas de seus pacientes estavam intimamente ligadas a fatos ocorridos
e revivenciados pelos mesmos em transe, nas aludidas vidas pretéritas,
surgindo, assim, a idéia de que poderiam fazer um tratamento
nestes pacientes levando-os à cura pela terapia condicionada,
agindo diretamente no inconsciente do pesquisado.
Vários médicos, principalmente, médicas
em sua maioria, têm logrado grande êxito em tais tratamentos
que passaram a ser conhecidos como TVP (Terapia de Vidas Passadas).
Está claro que tal técnica só
pode ser usada por pessoas credenciadas que, além de possuírem
o curso de Medicina, são capazes de atuar sobre seus pacientes,
de forma precisa, condicionando-os com pleno domínio do fenômeno,
para que não transforme o transe em mais um problema para o
mesmo.
Muitos são os que se sujeitam a tais tratamentos
e acabam perturbados, além da doença que já possuíam.
Contudo, o testemunho de vários médicos tem levado estes
pesquisadores a resultados excelentes, principalmente em casos psíquicos
e de doenças causadas por atos cometidos nas aludidas vidas
pretéritas vivenciadas pelo paciente.
Isto, todavia, não evita que aventureiros e
mal intencionados usem esta técnica para auferirem lucros e
obterem vantagens sem escrúpulos, usando pessoas vítimas
de problemas que se deixam levar por suas respectivas lábias.
Por isso, realmente, tem-se que ter enorme cuidado
em se saber com quem o doente vá se tratar, não se deixando
levar pelo simples fato de o executor do tratamento possuir títulos,
quiçá de médicos, porque não é
apenas o título mas a capacidade do mesmo em aplicar tais métodos.
Claro está que não se trata
de conceito religioso, embora o Cristão em suas diversas seitas
e o Islâmico, da mesma forma, não aceitem a reencarnação
como verdade, porque, para eles, a alma do falecido tem destino
certo e irrevogável após o fim desta vida terrena que,
para eles é única. As duas maiores religiões
do mundo – Hinduísmo e Budismo – porém,
são reencarnacionistas, motivo por que os principais
pesquisadores deste fenômeno, como Ian Steevenson, são
asiáticos já que, para eles, a posição
religiosa não abala a científica.