Se tempo e espaço
não têm começo nem fim,
faz sentido acreditar no Criador?
Stephen Hawking
Diz a vã filosofia que Deus
é uma necessidade humana para se crer na própria
existência. A religião rebate afirmando que o mundo
foi criado e, como tal, possui um Criador. O ateísmo garante
que, se Deus existisse, as pesquisas científicas já
teriam encontrado seus indícios. Já a Ciência
diz que o Universo é um efeito cuja causa jamais poderia
ser um Ente antropomórfico, como a Religião deseja,
porque não seria compatível com o espaço
cósmico em si já que, sendo pulsante, sem dúvida,
algum “Agente”, superior a tudo o que se possa imaginar,
deva ser o grande responsável pelos seus ciclos de existência.
E nunca um Deus antropomórfico.
E poder-se-ia continuar divagando pelos meandros da simulação
humana a respeito do tema.
Contudo, a verdade é que, sem dúvida, o homem, em
sua imaginação fecunda, quando não tem informações
a respeito de algo que julgue seja de suma importância,
ele, por si mesmo, passa a conceber e admitir como verdade aquilo
que sua imaginação crie a respeito do que pensa
e faz com que o pensamento se torne “verdade” para
ele.
Assim é Deus: algo empírico que o homem concebe
à sua moda e que os sacerdotes das diversas religiões
exploram como forma de manter seus fiéis subordinados à
sua – do sacerdote – vontade como se ela fosse divina.
Sem dúvida, atualmente, a idéia da concepção
de Deus é um comércio religioso onde os sacerdotes
das diversas seitas encontram meio para explorar seus adeptos
e deles tirar o sustento de seus templos e casas ditas religiosas,
alguns, como mostra a imprensa, enriquecendo-se às custas
dos crentes.
Mas Deus existe ou é mera necessidade humana?
Até hoje ninguém conseguiu detectar sua provável
existência que continua no domínio da crença
e do dogma, e quem não a admite é considerado herege
e, se não fora a atual liberdade de pensamento, sem dúvida,
já teria ido para na pira de alguma “Santa”
Inquisição, a fim de não tumultuar a crença
do povo, fundamental para manutenção das seitas
e religiões.
Parece irreverência tal conceito, mas é o espelho
fiel do que já se pôde observar!
Desde priscas eras, há um enorme estudo a respeito dos
conceitos divinos, das religiões e das crenças que
têm surgido em nosso orbe; tudo indica, porém, que
os povos primitivos sempre adotaram a crença de que o mundo
seria governado por uma plêiade de Entes superiores ou deuses,
da qual, a mitologia grega é o exemplo mais clássico
conhecido no dito oeste do velho continente.
Desenterrar estes estudos é repetir o que já vem
sendo dito e estudado pelos especialistas no assunto; basta lembrar
que dois são os pontos cruciais: o primeiro demonstra que
já os povos antigos cultivavam cultos hoje conhecidos como
mediúnicos, onde Entidades consideradas divinas davam comunicações
e ensinavam os princípio da criação a partir
desses cultos e rituais, principalmente de danças onde
o sacerdote invocava, através de um participante, a referida
Entidade espiritual para ditar seus ensinamentos.
Uma coisa, porém, é certa: ensinava-se a temer os
deuses e a respeitá-los para não despertar a sua
ira nem lhe criar a fúria, motivo pelo qual a idéia
de deuses sempre criou medo entre os humanos que não ousariam
contrariá-los em seus poderes. Até hoje o “Timor
Domini” é um princípio de sabedoria invocado
por diversas crenças evangélicas. Assim, torna-se
temerário desafiar a existência – por mais
absurda que seja – do Deus religioso, correndo-se o risco
de provocar Sua ira contra a heresia praticada. E ai de quem o
fizer!
Mas a verdade é que, se cada
religião adota um Deus diferente que só protege
os fiéis da sua crença, por si só, isto é
uma prova de que todos eles não são verdadeiros.
A verdade é uma só e ninguém a contesta.
A não ser que queira ser do contra: o eterno contestador!
Quando o químico diz que a água é formada
de dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio,
ninguém – absolutamente, ninguém – irá
contestá-lo sob pena de ser considerado um ignorante. Este
é o exemplo mais tácito e simples do que seja uma
verdade!
Todavia, não admitir que o Deus religioso seja uma verdade
é tremenda heresia que merece a condenação
de todos; um escândalo que horroriza aos demais.
A Ciência – mais especificamente, os cientistas –
não está preocupada com a crença senão
com a verdade e com o que exista de fato. Evita o debate porque
só se pode dialogar mediante provas, resultados experimentais
e dados obtidos por aparelhos que não tenham opinião
própria. Isto não ocorre com os religiosos: são
donos da verdade e não admitem argumentos contrários.
E também ocorre com “il homo qui nega”
ou seja, Mefistófeles perante Fausto, para Goethe.
Fé, aceita-se; dogma não se discute. Assim, o assunto
se encerra no que tange ao debate religioso. Porém, se
formos analisar as novas descobertas feitas pelos pesquisadores
do Universo, vamos ver que a verdade é outra e que a posição
religiosa relativa a Deus não tem qualquer amparo perante
o que já se sabe a respeito do Universo e que jamais poderia
ter sido criado por um Deus bíblico ou por qualquer outra
divindade baseada no conceito humano da sua existência.
Os dados que ora vão servir para nossa análise foram
obtidos pela equipe de Palomar, a partir dos observatórios
astrofísicos do Havaí – Keck I e Keck II –,
situados na cratera do vulcão extinto de Mauna Kea a 4.150
metros de altitude e que vêm operando desde 1990; os mesmos,
recentemente forneceram os estudos que estão nos mais importantes
planetários do mundo, mostrando o que já se descobriu
sobre a existência sideral das formas e das coisas.
Não se trata de fantasia nem de crença, mas de observações
feitas, vistas e filmadas pelos telescópios mais potentes
já conhecidos por nós, contando ainda com a colaboração
do telescópio orbital que leva o nome do astrônomo
Hubble.
A Terra, contrariamente ao que diz a Bíblia, nunca foi
centro de nada: gira em torno de uma estrela de quinta grandeza,
como todos sabem, que é o Sol e está contida, com
todo o sistema solar, numa galáxia conhecida pelo nome
de Via Láctea e que jamais seria a mais importante do Universo.
Sua extensão (ou diâmetro máximo da espiral)
é percorrida pela luz durante o período de dez milhões
de ano-luz enquanto que, em torno da Terra, esta mesma luz levaria
fração de segundos, se tanto, para contorná-la.
E lá vai por terra a obra prima da Criação!
Ora, posto isso, toda e qualquer concepção cristã
a respeito da formação de nosso planeta a partir
da vontade divina do seu Deus criador rui, não tem nenhum
valor. E vejamos porque:
Recentemente, um dos mais importantes sinais observados pelos
aludidos telescópios mostra que captaram um sinal oriundo
provavelmente dos limites do Universo em expansão que teria
sido emitido a 12 milhões de ano-luz, época em que
a Terra ainda não existia. E lá vai por “terra”
a Terra bíblica! Ela não existia e o espaço
sideral caminhava vertiginosamente, em sua expansão, para
o desconhecido. Como pode, pois, ser a obra prima da Criação?
Acontece que o fanatismo religioso é maior do que a razão,
por isso, mesmo indo a um planetário onde fique provada
a formação do Universo pelas filmagens obtidas a
partir dos aludidos telescópios, o crente sai de lá
achando que tudo aquilo não passa de fantasia e que Deus
está com ele para não permitir que se deixe enganar
(no caso bíblico) por Satanás, o eterno bode expiatório
da questão.
Pois, não basta o fato de já termos sofrido com
a idéia da criação divina pregada pela Bíblia,
que levou Klaud Ptolomeu, nascido no ano 100 da era cristã,
a escrever no seu Almagesta – tratado universal –
a teoria geocentrista e que passou a ser a oficial da Igreja,
a ponto de condenar Copérnico por tê-la desmentido,
provando que a Terra girava em torno do Sol; do mesmo modo, os
fanáticos resolveram negar os fatos comprovados pelos observatórios
astronômicos, como se fossem os donos da razão, porque
está no livro sagrado...
E veja-se que a Ciência não é radical: quando
Georj Gamow (1904 – 1968), natural de Odesa, estudando os
buracos negros, concluiu pela Teoria do Big bang, não a
estabelecendo como verdade, mas como hipótese científica
para formação do Universo, admitindo que, com ou
sem criação, tal hipótese justificava plenamente
a tese da expansão cósmica e já aí,
a Criação divina ruía por terra.
Hoje em dia, os referidos observatórios já têm
base suficiente para se assegurar que o Universo, pulsante e anisotrópico,
se sucede por etapas, sempre a partir de um fulcro onde o Big
bang pode não ser uma grande explosão, mas existe
como partida para a nova fase de expansão universal.
E onde fica a criação divina? Baseado neste fato,
Hawking admitiu que não havia necessidade de existir um
Criador para nosso Universo. Além disso, outro grande entrave
é a hipótese de que o Universo teria sido criado
do nada, ou seja, de onde veio o material para fazê-lo da
forma que é?
Contudo, antes, já Antoine Laurent de Lavoisier, químico
parisiense (1743 – 1794) que revolucionou a Alquimia, já
dizia: “Em a natureza nada se cria, nada se perde, tudo
se transforma” portanto, o que foi que Deus criou?
Isto custou-lhe a vida, sendo guilhotinado sob alegação
de que era cobrador de impostos da coroa.
Todavia, o grande entrave para as pesquisas em busca da verdade
ainda continua sendo o fanatismo das pessoas que não aceitam
a hipótese de que seu Deus não seja verdadeiro,
para que possa se apoiar nele em suas atitudes humanas. E pior:
para Nietzsche, o homem só se julgaria à imagem
e semelhança de Deus por puro orgulho. Ou melhor: teria
criado Deus à sua imagem por simples vaidade.
E, ainda por cima, para os bíblicos, tudo o que se oponha
à Bíblia seria obra de Satanás, que o faz
para confundir os homens sem que Deus tenha possibilidade e poder
para evitar. O que tira de Deus, sem dúvida, sua “onipotência”.
Afinal, quem criou Satanás? É outro grave e sério
problema para se explicar: seria ele também obra do Criador?
E, neste caso, Deus errou ou o fez de propósito, por maldade?
Ou, então, não será o único criador
de todas as coisas e de todos os seres.
Sem dúvida, as incoerências religiosas fazem com
que a idéia de Deus seja mero paliativo para engambelar
o homem. Além disso, toda literatura religiosa data de
antanho, quando se julgava que a Terra fosse um astro muito importante;
na Bíblia, ela seria o centro do Universo.
Em resumo: para as religiões, o mundo foi criado e seu
criador seria um Ente divino, supremo, com poderes absolutos;
para os que negam tal hipótese, as alegações
são simples: para se criar algo tem-se que ter a matéria
prima; de onde surgiu tal coisa? Ora, imaginar que Deus tirou
do nada o material para fazer a Terra, porque é a Terra
sua obra prima, seria o mesmo que supor que o vento saiu do sopro
de Eolo e que, assim, criou o ar.
Já alguns prudentes cientistas admitem que haja um Agente
Supremo que comanda a existência do Universo, fazendo-o
implodir a um fulcro central e, a partir dele, por um Big bang
ainda hipotético, passa a se expandir até se esvair,
o que faz com que este ciclo de existência se finde. A partir
desse momento, o Agente Supremo agiria na massa cósmica
universal para fazê-la, novamente, implodir e começar
novo ciclo de existência.
Mas aí, vai de roldão toda e qualquer hipótese
de um Criador que tenha semelhança com o homem porque seria
incompatível com tudo mais e exclusivamente restrito à
Terra, caso fosse ela, de fato, o centro de tudo. Então,
não haveria criação, mas transformação.
Mas acontece que as religiões vivem e sobrevivem pela crença
de seus fiéis e esta assertiva científica destruiria
toda e qualquer hipótese correlata com um Deus antropomórfico
essencial a seus desígnios.
Resumindo: ou Deus não existe, ou não é criador.
Seria apenas, um Ente espiritual ligado à Terra, com a
responsabilidade de orientar seus habitantes, tentando levá-los
para o caminho da evolução. E lutaria para que nosso
mundo passasse por uma transformação a fim de abrigar
criaturas melhores e mais evoluídas.
E continua em aberto a questão: de onde e por que surgiu
o Universo?
* * *
"Tudo é determinado...
por forças além de nosso controle. Isto é
verdade para um inseto ou uma estrela. Seres humanos, vegetais,
grãos de poeira todos dançam segundo uma melodia
misteriosa, entoada à distância por um flautista
invisível".
("Saturday Evening Post", 26 de
outubro de 1929).
"Acredito no Deus de Espinosa,
revelado na harmonia de tudo o que existe, mas não em um
Deus que se preocupa com o destino e as ações dos
homens".
(Telegrama para um jornal judaico datado de 1929.)
Albert Einstein
* *
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O que é Deus?
-- Deus é a inteligência suprema, causa primária
de todas as coisas.
Resposta da questão 1 do O Livro dos Espíritos,
obra codificada por Allan Kardec.
* * *