Recentemente o amigo Elzio Ferreira de Souza nos
presenteou com um exemplar de uma nova obra mediúnica sua,
de autoria do espírito Yogashririshnam,
que nos surpreendeu pela apresentação na capa. Junto
ao nome do Elzio, como médium, está a palavra "psicodigitação".
Lendo o prefácio e trocando idéias com ele entendemos
o motivo da designação que é mais do que exata.
O prefácio explica:
"As mensagens
constantes deste livro foram recepcionadas durante o período
de 27.11.2001 a 19.07.2002. Tínhamos concluído e
publicado o livro Espiritismo em Movimento cujos
capítulos tinham sido inteiramente digitados pela confreira
Diana Santiago da Fonseca, quando, em novembro de 1999, o Espírito
de Deolindo Amorin convidou-nos à continuação
do trabalho psicográfico. Sem tempo para a recepção
e posterior digitação, objetei-lhe que as inúmeras
tarefas e a saúde seriam obstáculos para a continuação
da parceria, tendo ele sugerido a recepção direta
no computador, libertando-me do trabalho posterior à psicografia.
Aventurei-me porque no trabalho anterior tinha ele datilografado
dois capítulos. E foi assim que a psicodigitação
se iniciou" (...) "
Depois que Deolindo terminou os trabalhos que desejava realizar,
Yogashririshnam, utilizou-se do mesmo método para continuar
o intercâmbio".
O trabalho anterior mencionado, "O Espiritismo em Movimento",
já foi comentado no Boletim, mas é importante recordar
que é uma obra séria e de grande valia para o estudioso
da doutrina, discutindo diversos problemas e situações
que lidam diretamente com a forma como seus adeptos se organizam
e a praticam. Também chegamos a comentar outra obra do Espírito
Yogashririshnam, que traz - dentro da forma de parábolas
e pequenos estudos - reflexões profundas sobre o ser e sua
vivência da Doutrina Espírita. As origens hindus do
autor espiritual de maneira alguma significam sincretismo ou a propaganda
de idéias filosóficas estranhas a Doutrina, mas lhe
dão uma visão bastante peculiar de seus postulados
que lhe permitem ir direto a pontos que normalmente nos passam despercebidos.
A obra que me chamou a atenção para
a psicodigitação traz o título "Espaço,
Tempo e Causalidade" (Bahia:
Circulus, 2003), que a primeira vista parece ser um tratado
de física, mas que na realidade se trata de um enfoque sociológico,
com explica o Elzio:
"Ao leitor poderá parecer estranho
o título Espaço, Tempo e Causalidade por não
se tratar de um livro que aborde as questões relativas
à ciência física. Determinados termos, porém,
são empregados em diversos ramos do saber com diversidade
de conceituação conforme o campo do conhecimento
em que se estruturam. Espaço, tempo e causalidade são
alguns deles. (...) O espaço social é o universo
em que se processam as relações humanas ou o campo
em que se desenvolvem os processos sociais".
Desnecessário dizer - pois Elzio é companheiro de
longa data no GEAE e também tem um histórico longo
de atuação no movimento espírita - que seu
trabalho é de grande confiabilidade, demonstrada inclusive
na forma como ele descreve o "aprendizado" do
processo de psicodigitação:
"Ao recepcionar as mensagens, tomei a precaução
de cobrir a tela do monitor, digitando de olhos cerrados, rapidamente.
Com o passar do tempo, concluí pela desnecessidade da ocultação,
continuando a digitar sem visualizá-lo".
E bastante interessante é que o aprendizado teve que ocorrer
da parte de Yogashririshnam também:
"Pudemos notar que o Deolindo deveria sentir-se
mais à vontade em fazê-lo, acostumado que era, em
vida, a escrever seus textos diretamente na máquina de
escrever. Yogashririshnam teve que se adaptar ao processo, segundo
me parece, porque inicialmente eu cometia erros de digitação
quando se tratava deste Espírito, o que quase não
acontecia com Deolindo".
A surpresa que tive foi resultado de perceber que este era um desenvolvimento
perfeitamente natural no processo mediúnico - considerando
o uso cada vez mais intenso do computador - e ao mesmo tempo de
não ter ainda visto este gênero novo ser destacado.
Também me chamou a atenção o fato de que -
da mesma maneira que na época de Kardec*
- tenham sido os espíritos que tomaram a iniciativa de propor
um novo aperfeiçoamento no processo de transmissão
das mensagens mediúnicas.
Enfim, eis que temos uma palavra nova no vocabulário
espírita, que com o desenvolvimento da tecnologia e da sociedade,
continua a se ampliar.
Muita Paz,
Carlos Iglesia
*
"O meio de correspondência era demorado e incômodo.
O Espírito, e isto é ainda uma circunstância
digna de nota, indicou um outro. É um desses seres invisíveis
que dá o conselho de adaptar um lápis a um cesto ou
a um outro objeto" Allan Kardec, Introdução ao
Estudo da Doutrina Espírita - IV, O Livro dos Espíritos.
Tradução Salvador Gentile, São Paulo: Instituto
de Difusão Espírita, 1975.