Complicado andar por terras estranhas,
em uma viagem onde falta conhecimento do caminho a seguir. Quando
isso ocorre as chances de erro são grandes. Imprescindível,
portanto, se munir de todas as condições para que essa
viagem transcorra da melhor forma possível.
A viagem que nos referimos aqui é o retorno do Espírito
ao mundo da matéria, pelas portas sagradas da reencarnação.
Mas e o planejamento? Não planejamos essa viagem de retorno
ao mundo físico? Se planejamos, não será algo
tão estranho, afinal, é como se relembrássemos
os caminhos a percorrer, basta seguir o planejado e não nos
perderemos.
Sim, é verdade, se seguirmos o planejamento elaborado, procurando
cumpri-lo, tudo é mais fácil, contudo, todo planejamento
está sujeito à mudança de rumo, porquanto, depende
de nossas escolhas.
Podemos seguir o que foi planejado no plano dos Espíritos,
como podemos, entorpecidos pelos sentidos da carne, adentrarmos outros
caminhos.
Então, como lograr êxito em nossa jornada terrena se
não cumprimos o que nos foi traçado outrora, no plano
espiritual? Afinal, se optamos por outros caminhos que não
os estudados e planejados, nossas chances de sucesso ficam mais difíceis.
Sim, podem até ficar mais difíceis, mas não impossíveis,
a saída do que foi planejado não quer dizer fracasso
existencial.
Entretanto, há em toda essa história um ingrediente
que faz a diferença em nosso favor: o auto conhecimento!
Auto conhecimento que está explícito na codificação
da Doutrina Espírita, mais precisamente na questão de
nº 919, de “O livro dos Espíritos”,
onde os benfeitores indicam o auto conhecimento como condição
essencial para o sucesso nos palcos da vida.
Quem exercita o auto conhecimento
sabe as virtudes que possui e limitações a superar.
E diga-se de passagem, conhecer
as virtudes não quer dizer ser prepotente, mas sim saber as
conquistas efetuadas, ou alguém duvida que temos muitas conquistas?
Sim, temos muitas virtudes, muitas habilidades
que desenvolvemos ao longo de nossas existências. O grande problema
é que muitos consideram que saber da existência dessas
virtudes é se vangloriar.
Nada disso, isso é se auto conhecer, saber o que já
foi conquistado. O que não pode é descambar aos excessos
e idolatrar a própria figura, ou utilizar as conquistas efetuadas
no campo da cultura, por exemplo, para constranger o semelhante, ai
é outra história.
Quem se considera professor da vida, ser efetivamente pronto a ocupar
digníssimo lugar ao lado do PAI, entra em marco passo existencial
deixando de avançar pela simples razão de se considerar
pronto. Somos todos seres em constante construção, inseridos
em um incessante processo de aquilatar virtudes e superar limitações,
contudo, é necessário conhecer as virtudes que faltam
conquistar e as mazelas que se deve depurar.
É ilustrativo o caso do alcoolismo, uma doença que só
é vencida quando o alcoólatra toma ciência de
sua condição. Precisa o alcoólatra primeiro admitir
que está doente, para depois vencer o vício. Enquanto
o alcoólatra tenta se enganar, considerando que nada tem, persistirá
doente por um simples motivo: ignorância!
Esse exemplo apenas demonstra a necessidade constante que temos de
cultivar o auto conhecimento, nos estudando permanentemente para que
não fiquemos a mercê de nossas mazelas.
E no quesito auto conhecimento, vale a pela lembrar Kardec, porquanto,
se auto conhecia e sabia das virtudes que possuía, como também
tinha plena ciência de que não era o único capaz
de desempenhar o trabalho de organização da Doutrina
Espírita.
E demonstra isso de maneira objetiva e segura, sem ares de superioridade
que caracteriza o ser prepotente. Nos diz em “Obras
Póstumas”, referindo-se a caridade: (...)
“Certamente não me cabe fazer o inventário
do bem que pude fazer; mas, num momento em que parece tudo esquecer-se,
é-me muito permitido, creio, chamar à minha lembrança
que a minha consciência me diz que não fiz mal a ninguém,
que fiz todo o bem que pude, e isso o repito sem ostentação;
sob esse aspecto, a minha consciência está tranqüila”
(...)
E na mesma obra acima citada, extraímos outra prova de auto
conhecimento que possuía o codificador, que não se considerava
insubstituível, deixando explícito que uma obra gigantesca
como o Espiritismo, não fica subordinada à apenas um
homem, prova cabal da magnitude divina: (...) “Não
tenho a pretensão de ser o único ser indispensável;
que Deus é muito sábio para fazer repousar o futuro
de uma doutrina, que deve regenerar o mundo, sobre a vida de um homem;
que, aliás, sempre me foi dito que a minha tarefa era constituir
a Doutrina, e que me será dado o tempo necessário”
(...)
Na família, na sociedade, no trabalho
e nas atividades voluntárias que desempenhamos, somos todos
importantes, contudo, não insubstituíveis. Ter consciência
da condição de eternos alunos da vida é o segredo
para que não estagnemos na prepotência, nem nos afundemos
nas obscuras águas da falta de confiança em nós
mesmos. Todos temos virtudes, é importante saber disso. Todos
temos limitações, e é mais importante ainda não
ignorá-las, para que cumpramos fielmente os desígnios
do criador, que almeja a todos um futuro promissor.
Pensemos nisso.
(*) Wellington Balbo, nasceu
em 1976 e milita no C.E. Joana D’arc, em Bauru - SP. Realiza
um trabalho na área da literatura espírita onde
tem artigos e textos publicados em vários jornais espíritas
e sites, tais como:
www.seef.org.br / www.feal.org.br / www.jornaldosespiritos.com
/ www.ger.org.br / www.pintoresfamosos.com.br - Artigos não
espíritas / Correio Fraterno do ABC / O Idealista –
USE Jaú / Jornal Verdade e Luz – USE Ribeirão
Preto. / www.orsonpcarrara.rg3.net