Quando se fala em espiritismo ao leigo
ele muitas vezes associa a doutrina codificada por Kardec somente
ao intercâmbio com os mortos. Os espíritas são
aqueles que conversam com os mortos, dizem os leigos em matéria
de espiritismo. A mediunidade é um dos pontos importantes do
espiritismo, sem dúvida, mas o espírita sabe que a doutrina
não se restringe ao tema mediunidade. Percebe-se então
que a mediunidade além de tema relevante para os espíritas
é, também, uma ponte de identificação
do espírita. Que o diga nosso Chico Xavier e as inúmeras
cartas que ele recebeu acalmando o coração de muitas
mães e pais não espíritas, mas que vinham pedir
seu socorro e compareciam ao centro espírita por que sabiam
ser lá o local mais propício para a comunicação
de seus entes queridos que os precederam na grande viagem que separa
vida e morte.
Entretanto, por falar em vida e morte
o espírita sabe ser verdade que ele não conversa com
os mortos, mas sim com os vivos, pela simples razão de que
todos, sem exceção, somos imortais, ou seja, não
morremos, apenas nos despojamos do corpo físico. Natural, portanto,
que ao continuar vivendo queiramos dar notícias aos amigos
e familiares que ficaram. É a prova incontestável da
bondade divina: a vida vai muito além dos sete palmos abaixo
da terra. Sim, continuamos vivos e podemos nos comunicar.
Porém, consultar os “mortos”
para algumas religiões até mesmo cristãs trata-se
de gritante equívoco. Os mais exagerados depositam os créditos
da mensagem no “Coisa ruim”. Entretanto o “Coisa
ruim” não é tão medonho como pintam, porquanto
costumeiramente é portador de boas novas aos familiares ao
afirmarem por via mediúnica que estão mais vivos do
que nós. O que alguns religiosos chamam de “Coisa ruim”
são apenas os homens que aqui viveram e já estão
livres do corpo material. São espíritos, mas nem por
isso estão desprovidos de sentimentos tampouco esperando um
épico julgamento final. Os religiosos contrários a essas
comunicações citam a proibição de Moisés
para justificarem seu ponto de vista. No entanto não se dão
ao trabalho de analisar que se o profeta proibiu o intercâmbio
com os chamados “mortos” é por que este existia.
Claro: ninguém proíbe o que não existe.
E no ano de 1861 no mês de janeiro
foi publicado O livro dos Médiuns, o segundo livro da codificação
espírita, mostrando de forma clara e objetiva – marcas
de Kardec – que o intercâmbio com o lado de lá
da vida é possível e pode ser exercitado de forma continua
contribuindo para instruir e consolar.
Instruir porque ensina que a vida
prossegue; instruir porque demonstra na prática a maneira mais
eficaz de conduzir a sessão mediúnica; instruir porque
ensina que a caridade pode ser feita para os que já partiram.
Consolar porque alimenta de esperança
os corações despedaçados pela separação
temporária do ente amado; consolar porque estende os laços
de amor para além da vida material.
O Livro dos Médiuns completa
150 anos neste janeiro de 2011 e obviamente a data não poderia
passar despercebida, porquanto é o mais valioso compêndio
já escrito sob o palpitante e importante tema mediunidade.
Estudá-lo é fundamental para compreender os mecanismos
que regem todo o esquema de comunicação entre os planos
da vida. Dia chegará em que esta obra será objeto de
estudo de pesquisadores e cientistas ocupando lugar de destaque nas
universidades. Alguém duvida? Quem viver verá.

Imagem: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Le_Livre_des_M%C3%A9diums.jpg