O mais popular livro psicografado por Francisco
Cândido Xavier, como se sabe, é Nosso Lar (1944),
ditado pelo espírito André Luiz, porém o mais
importante, também conforme o médium, é Paulo
e Estêvão (publicado em 1942), de Emmanuel. Além
de conter a trajetória de Paulo de Tarso, cuja história
sem a contribuição de Estêvão não
existiria, apresenta com riqueza de detalhes grande parte do cristianismo,
não “primitivo” – termo, por vezes, interpretado
como atrasado – mas sim nascente, como afirma o próprio
autor espiritual.
O primeiro e também principal texto desta
singela publicação em E-book é um artigo que
expõe um fato e evidências da veracidade da narração
feita pelo mentor espiritual de Chico Xavier. Publicado em maio de
2021 na semanal revista de divulgação espírita
O Consolador, tal artigo foi elaborado a partir do cruzamento
analítico de informações contidas nas duas principais
biografias do apóstolo, bem como de textos bíblicos
e importantes obras espíritas, de modo a afirmar que a história
contada em Paulo e Estêvão, contrariamente ao que denotam
dois filmes espíritas, é integralmente real. Por esses
motivos, em vez de romance (palavra que remete a ficção)
tal obra deveria ser chamada de livro histórico e merece, sem
dúvida, tornar-se uma produção cinematográfica,
quando isso for possível e oportuno.
Uma constatação feita ao observar com
atenção a trajetória de Paulo de Tarso, guiado
espiritualmente por Estêvão, é o registro de um
fenômeno socioeconômico que existe atualmente e que fez
parte da Casa do Caminho em Jerusalém. Trata-se de um grupo
de trabalho coletivo, caracterizado pela repartição
dos ganhos por ele auferidos, de modo a beneficiar as pessoas atendidas
e tornar aquela, que foi a primeira comunidade cristã da história,
tão autônoma quanto possível da influência
aristocrática judaica. Chamada por Emmanuel de“colônia
de trabalho”, tal experiência surgiu da proposta do convertido
de Damasco a Simão Pedro e da coleta de recursos feita por
aquele ao longo dos anos, durante suas viagens missionárias.
Essa forma igualitária e fraterna de organização
do trabalho foi também pensada e propalada, entre o final do
século XX e início do XXI, por Paul Singer, saudoso
professor de economia da Universidade de São Paulo (USP). Este
é o tema do segundo texto, publicado originalmente em 15 de
fevereiro de 2019 no boletim do Grupo Espírita Chico Xavier
(GEECX).
Tal contribuição de Singer é contemplada nos
outros dois pequenos textos que compõem esta publicação.
Num deles, o pensamento do economista é equiparado ao do pioneiro
espírita francês Léon Denis, que, tal como ele,
foi um operário que se tornou intelectual e dedicou-se à
reflexão e à busca de edificação do socialismo
fraterno, chamado por Emmanuel (também abordado no texto) de
socialismo cristão. Pela importância que atribuo ao tema
desse artigo o publiquei no boletim do GEECX em 28 denovembro
de 2020 e na revista O Consolador em 10 de janeiro de 2021.
No segundo texto, publicado no boletim do GEECX em 22 de janeiro de
2021, o professor uspiano é colocado analiticamente ao lado
de outro saudoso amigo meu, de nome Pedro Santini, que contribuiu
bastante amorosamente em comunidades espíritas paulistas. Pelas
características pessoais de ambos eu os associei, no texto,
aos apóstolos: Paulo de Tarso e Simão Pedro.
Como sabemos, no principal livro psicografado por Chico Xavier é
abordada a transição ocorrida no cristianismo de uma
religião exclusivista – pois circunscrita a originais
adeptos do judaísmo e homens circuncisos – a uma religião
universal, aberta a todas as pessoas, independentemente de aspectos
étnico-raciais ou outros quaisquer, por obra do apóstolo
dos gentios. Outra transformação, de escopo maior, nos
afeta e chama atenção atualmente. Trata-se da transição
planetária, sendo ela explicada por Allan Kardec e Emmanuel,
conforme outro texto meu publicado no boletim do GEECX, em
2 deagosto de 2020. Devido à importância desse tema e
pelo fato de contemplar o pensamento do autor espiritual de Paulo
e Estêvão eu inseri esse artigo também na
presente publicação.
Por fim, se encontra uma entrevista que o amigo e professor de educação
especial da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) Almir
Del Prette, gentilmente, fez comigo e foi publicada na revista O
Consolador em 5 de julho de 2020. Nela, também faço
menção a Paul Singer e, além de contar minha
modesta trajetória no espiritismo e na carreira acadêmica,
lanço um desafio ao movimento espírita. Embora eu não
tenha mencionado Paulo e Estêvão, a salutar
provocação feita nela poderia ser, de alguma maneira,
sintetizada no texto de Emmanuel intitulado “Breve notícia”,
que introduz aquele livro chamando atenção para a importância
de os centros espíritas valorizarem a experiência do
cristianismo nascente.
Além das pessoas citadas no primeiro texto deste E-book,
agradeço bastante ao amigo Almir por ele ter sugerido, espontaneamente,
à editora a publicação deste E-book,
bem como ao coordenador dela e da revista O Consolador, Astolfo
Olegário Oliveira Filho, a Flávio Mussa Tavares por
também ter sugerido a publicação deste livro
e ao editor do GEECX, Antonio Cesar Perri de Carvalho, pelo
espaço aberto no referido boletim. O papel de todos esses confrades
na presente publicação remete ao princípio da
cooperação, destacado por Emmanuel no referido texto
introdutório à principal obra psicografada por Chico
Xavier, que está completando 80 anos e cuja grande importância,
a meu ver, ainda está por ser plenamente reconhecida pelo movimento
espírita.