A propósito do declínio
do Movimento Espírita francês pós-Kardec, inicialmente
entronizamos a figura de Ermance Dufaux, ela que conheceu Allan
Kardec no dia 18 de abril de 1857, ao comparecer à pequena
recepção festiva organizada pelo Codificador em sua
residência, com a finalidade de comemorar o lançamento
de O Livro dos Espíritos. No final dessa reunião,
Dufaux psicografou bela página ditada pelo Espírito
São Luís, que se tornaria, a partir de então,
o diretor espiritual dos trabalhos experimentais de Allan Kardec.
No final de 1857, Dufaux receberia outra importante mensagem, estimulando
o Codificador a prosseguir no ideal de lançar mensalmente
um periódico espírita . Com efeito, no início
de 1858, Kardec laçou a Revue Spirite, surgindo assim a matriz
da propaganda da Terceira Revelação e o embrião
do Movimento Espírita Mundial.
Na França, o nome de espíritas foi gradualmente abatido
ao longo dos séculos XIX e XX. Concorreram para isso alguns
fatos, como a desencarnação de Kardec em 1869, bem
como a mudança de regime político, porquanto após
a queda do Segundo Império, a República é proclamada
em 1871.
Momentos antes, porém, em 19 de julho de 1870, cerca de quinze
meses após a desencarnação de Kardec, o Imperador
Napoleão III, provocado por Bismarck, declarou guerra à
Prússia. Em face disso, a divulgação espírita
sofreu enormes prejuízos, destacando-se que à época,
como se não bastasse a fatídica guerra franco-prussiana,
de maneira simultânea havia uma onda de pensamentos oriundos
da Revolução Francesa, intensificando a ideia do laicismo,
proibindo-se, portanto, qualquer relação entre as
entidades estatais com “religião”.
Diante de outras “pistas”
Apontaremos algumas outras “pistas”
para opinar sobre o declínio do Movimento Espírita
francês pós-Kardec. Em princípio, cremos que
os legados históricos do Espiritismo sofreram as implicações
danosas, por terem sido tratados como bens de família, estabelecendo
espólios e, por conseguinte, sujeitando a herdeiros. Tudo
sugere que Kardec pretendia evitar isso ao idealizar uma sociedade
impessoal, mas não teve tempo. Faleceu antes de concretizar
seus planos e, consequentemente tudo o que pertencia à Codificação
Espírita (Sociedade parisiense de estudos espiritas, livros,
revistas, correspondências, documentos etc.) tornaram-se herança
da viúva Amélie Gabrielle Boudet.
De início, Boudet se propôs administrar o projeto do
esposo; mas, inexplicavelmente, deliberou por confiar o legado nas
mãos de Pierre-Gaëtan Leymarie, que organizou a (não
espírita) Sociedade Científica de Estudos Psicológicos,
que depois se transformou na “Sociedade Científica
do Espiritismo”. Mas Boudet sugeriu a criação
da “Sociedade para a continuação das obras espíritas
de Allan Kardec”. [1] Após
a desencarnação de Amélie Boudet, em 1883,
Leymarie tornou-se o dono absoluto dos espólios e dos documentos
de Kardec, na condição de único remanescente
da tal sociedade. Uma parte, dos documentos originais do Codificador
foi sendo publicada por Leymarie na “Revue Spirite”,
e outra parte transformou na inquietante “Obras Póstumas”.
O declínio do Movimento Espírita francês pós-Kardec,
na minha percepção e de alguns outros pesquisadores,
se deve precipuamente à imaturidade doutrinária de
Pierre-Gaëtan Leymarie que teve o encargo, portanto, de cuidar
da propagação do Espiritismo após a desencarnação
do mestre de Lyon. Neste sentido, parece-nos que administrou “inocentemente”
uma razoável quantidade financeira que lhe foi entregue por
Amélie Gabrielle Boudet para o custeio da divulgação
das obras espíritas.
Os expressivos recursos econômicos deveriam ser empregados
na propaganda criteriosa do Espiritismo. Mas isso não foi
claramente realizado. Motivo pelo qual, provavelmente em 1882, Gabrielle
Boudet, inteiramente descontente, convidou à sua casa Gabriel
Delanne e esposa, a fim de propor a criação do periódico
"Le Spiritisme", para que o Movimento Espírita
não dependesse apenas da já agonizante “Revue
Spirite" dirigida por Leymarie.
A liderança do Movimento Espírita poderia ter sido
compartilhada entre Leymarie e Gabrielle Boudet, mas, a rigor, Boudet
ficou historicamente em plano secundário, numa condição
de humilhante subalternidade e gradualmente Leymarie foi afastando
Amélie Gabrielle das decisões. [2]
Leymarie, protagonista para o desmoronamento doutrinário
Leymarie imergiu na invigilância,
gerando o desfalecimento do Movimento Espírita já
quase totalmente desintegrado. Cremos que a sucessão de Kardec
deveria caber a Alexandre Delanne, até porque era vizinho
e amigo de longa data da família Kardec, jamais a Leymarie.
Delanne viajava bastante, esteve nas cidades onde existiam centros
de divulgação espírita como, Lyon, Bordeaux,
Bruxelas entre outros locais em que visitava simultânea havia
com certa frequência os centros espíritas. Concebemos
que Delanne tenha sido bloqueado "politicamente" por Leymarie.
Sim, talvez o invigilante Leymarie tenha articulado nos “bastidores”
com Boudet a fim de “puxar o tapete” do pai de Gabriel
Delanne.
Mas, quem era Leymarie? Era um praticante de Teosofia de Blavatsky,
defendia as alucinações de Roustaing [3]
e era apaixonado pela maçonaria.
Importa mencionar que quando Kardec desencarnou Gabriel Delanne
tinha apenas 12 anos de idade enquanto que Léon Denis tinha
23 anos e serviria o exército na guerra franco-prussiana
de 1870 e, apesar de já espírita, Denis ainda não
estava satisfatoriamente integrado ao Movimento Espírita.
Desta forma, ambos, Delanne e Denis, passaram a exercer maior influência
no Movimento Espírita somente por volta da década
1890 , e tiveram sua maior projeção a partir de 1900.
A França enfrentou três grandes guerras (a “franco-prussiana”
de 1870 e as duas grandes guerras mundiais), o que, sem dúvida,
dificultou muito a propagação do Espiritismo. Na Primeira
Guerra Mundial muitos grupos e sociedades espíritas tiveram
que ser fechados. Sob esse clima houve brutal sufocação
do Movimento Espírita em francês.
Como se não bastasse, no contexto dos idos de 1910, podemos
pontuar as propostas filosóficas materialistas, abrindo espaço
para o niilismo, existencialismo, pessimismo e ceticismo extremos,
enfim - os embates ideológicos. Portanto, as guerras foram
categóricas para o declínio do Movimento Espírita
francês pós-Kardec, mas antes delas, como vimos, a
liderança do movimento sofreu tragicamente, principalmente
pela falta de lucidez doutrinária, especialmente veiculada
pela "Revue Spirite", sob a gerência de Leymarie.
Repetimos que Leymarie foi o protagonista para o desmoronamento
doutrinário, por conseguinte muitos espíritas franceses
perderam o rumo sob o guante do misticismo imponderado. Para ilustrar,
notemos o infame “Processo dos Espíritas”, resultante
das reais fraudes reproduzidas por fotógrafos de má
fé e publicadas de maneira descuidada por Leymarie na Revue
Spirite. Naturalmente esse episódio foi traumático
de consequências gravíssimas, ferindo mortalmente o
moribundo Movimento Espírita francês.
Nesse caótico quadro de declínio doutrinário
há quem assinale outro aspecto especial. Trata-se da questão
das excessivas pesquisas científicas em torno dos fenômenos
mediúnicos. Havia prioridades nas experimentações
laboratoriais com os médiuns. O próprio Gabriel Delanne
seguiu esse caminho de pesquisa. Não obstante, tenha se declarado
“arrependido”, numa entrevista concedida ao brasileiro
Canuto Abreu, afirmando que a experiência científica
não teria sido a sua melhor opção para o revigoramento
do Movimento Espírita.
Gabriel Delanne, um depoimento de além-tumba
Sobre isso, André Luiz entrevistou o Delanne no além,
notemos: Muitos amigos na Terra são de parecer que os Mensageiros
da Espiritualidade Superior deveriam patrocinar mais amplas manifestações
da mediunidade de efeitos físicos para benefício dos
homens, como sejam materializações e vozes diretas.
Que pensa a respeito?
Delanne (Espírito) - “Creio que a mediunidade de efeitos
físicos serve à convicção, mas não
adianta ao serviço indispensável da renovação
espiritual. Os Espíritos Superiores agem acertadamente em
lhe podando os surtos e as motivações, para que os
homens, nossos irmãos, despertem à luz da Doutrina
Espírita, entregando a consciência ao esforço
do aprimoramento moral. Devemos estimular os estudos em torno da
matéria e da reencarnação, analisar o reino
maravilhoso da mente e situar no exercício da mediunidade
as obras da fraternidade, da orientação, do consolo
e do alívio às múltiplas enfermidades das criaturas
terrestres”. [4]
Nos primórdios do século XX houve um surto de crescimento
do Movimento Espírita na França até meados
da década de 1920, esmaecendo de forma célere quando
Denis, Delanne, Gustave Geley e Camille Flammarion desencarnam.
Subsequentemente, em 1935, desencarnaria o "Pai da Metapsíquica"
e simpatizante do Espiritismo Charles Richet, tudo isso aconteceu
momentos antes da Segunda Guerra Mundial, quando da ocupação
nazista na França por quase um lustro.
Retornemos mais uma vez a Leymarie. Ele fundou a "Librairie
Leymarie Édite-URS" e a dirigiu até 1903, e,
com o seu desencarne, o espólio foi herdado (novamente em
família!) pela viúva Marina Leymarie que assumiu o
comando, e, posteriormente, por seu filho, Paul Leymarie. Este,
após um breve espaço de tempo em que os negócios
ficaram com sua mãe Marina, tornou-se, em 1904, “dono”
absoluto dos destinos do Espiritismo até 1914, quando, em
função da Primeira Guerra Mundial, abandonou tudo.
O que não foi de todo uma catástrofe, pois o Paul
Leymarie comercializava até “bolas de cristal”
[isso mesmo! “bolas de cristal”] pela Revue Spirite.[5]
Meyer, um mecenas francês
Com a liquidação da "Librairie Spirite",
continuou a editoração das obras de Allan Kardec,
fazendo do prédio da "Librairie Leymarie" sede
da redação da "Revue Spirite", até
a fundação da "Maison des Spirites", por
Jean Meyer, inaugurada em 25 de novembro de 1923. Antes mesmo de
terminar a Primeira Guerra, em 1916, o Jean Meyer, um rico empresário
francês, assumiu o combalido Movimento Espírita francês,
lembrando que nessa conjuntura ainda estavam encarnados Léon
Denis e Gabriel Delanne, que embora sumidades intelectuais e grandes
referências doutrinárias; mas “cá para
nós”, alguém tinha que cuidar dos “negócios”
do movimento.
No contexto Meyer destinou a sua fortuna pela causa do Espiritismo.
Ficou com os direitos autorais da Revue Spirite. Criou a Casa dos
Espíritas (“Maison des Spirites”), para onde
levou o precário material que restou dos documentos e objetos
pessoais de Kardec. Este mesmo mecenas fundou o “Instituto
de Metapsíquica”, sob o comando inicial do Gustave
Geley, e onde foi gerado o “Tratado de Metapsíquica”.
O curioso é que Charles Richet dizia que o “Espiritismo
era inimigo da ciência”.
La Revue Spirite reunia, nesse tempo, as mais destacadas personalidades
do Espiritismo: Gabriel Delanne, Leon Denis, Camille Flammarion,
Ernesto Bozzano, A. Bénezech, Marcel Laurent, M. Cassiopée,
General Abaut, Dr. Gustave Geley, Marcel Semezies, Pascal y Matilde
Forthuny, Louis Gastin, Henri Sausse, Paul Bodier, Sir. Arthur Conan
Doyle, Santoliquido, Rocco, León Chevreuil, Hubert Forestier
e outros. Em verdade, Meyer foi uma espécie de “dono”
do movimento espírita francês até sua desencarnação
em 1931. [6]
Durante a Segunda Guerra Mundial ocorreu uma desmontagem quase integral
do Movimento Espírita francês. Os nazistas ao ocuparem
Paris saquearam tudo inclusive Maison Spirites e confiscaram livros,
documentos de pesquisa, e outros objetos importantes da própria
história do Espiritismo na França.
Que nos diz acerca do Espiritismo, na França? Esquadrinhou
André Luiz Ao Espírito Gabriel Delanne. “ Não
nos é lícito dizer haja alcançado o nível
ideal”.[7] Redarguiu Delanne
acrescentando que “legiões de companheiros da obra
de Allan Kardec reencarnaram, não só na França,
mas igualmente em outros países, notadamente no Brasil, para
a sustentação do edifício kardequiano”.
[8]
Transposição do movimento espírita
mundial
Conjectura-se aqui e algures sobre o translado do Espiritismo para
o Brasil. Temos certeza que a transposição da direção
do Movimento Espírita mundial, da França para o Brasil,
sobreveio após a desencarnação de Léon
Denis, no período entre o final da década de 1920
e o início da década de 1930, portanto, coincidindo
com o início da missão mediúnica de Francisco
Cândido Xavier.
Desta forma, podemos questionar o desempenho de Bezerra de Menezes
como justificadora para tal translado. Até porque, não
é difícil comprovar nesse contexto, pois quando Bezerra
desencarnou em 1900 a atuação verdadeiramente apostólica
de Gabriel Delanne e Léon Denis manteve-se viva por muitas
décadas, inclusive durante e após a primeira guerra
mundial. [9]
O Movimento Espírita francês voltou a se recuperar
com frouxidão por volta dos anos de 1950 e 1960 em razão
do regresso à França de alguns cidadãos que
residiam no Norte da África (Argélia, Marrocos) e
começaram a retornar para a terra de Kardec arriscando remontar
o Movimento Espírita.
Encetaram o projeto, todavia com extrema dificuldade, em função
do cenário deixado pela Segunda Guerra. Porém, desataque-se
que naquela situação começou a haver uma nova
fase de interesses e buscas fenomênicas no campo da parapsicologia
e da metafísica; por fim, a própria Revue Spirite
foi retomada por algumas lideranças a exemplo de Hubert Forestier
e André Dumas.
Sepultamento da Revue Spirite
Na década de 1960, Hubert
Forestier assume a Revue Spirite e torna-se proprietário
que, em 1968, chega a registrar a Revue em seu nome no órgão
de propriedade industrial. Forestier desencarna em 1971, deixando
o Movimento Espírita francês na penúria. Seus
herdeiros, não sabendo o que fazer de tal herança,
vendem tudo por um franco para André Dumas. A essa altura
os direitos autorais das obras de Kardec já tinham caducado.
[10] O resto – muito pouco: o nome da Revue e da Societé
– ficou nas mãos do Dumas. [11]
André Dumas, seja por ter mudado suas preferências
filosóficas, seja por constatar que o status de espírita
não conferia mais prestígio, resolveu liquidar tudo:
em 1975, mudou o nome da “Revue Spirite” para “Renaitre
2000”, e a Societé para uma tal “sociedade para
pesquisa da consciência e sobrevivência”, colocando,
dessa forma, duas ou três pás de cal sobre o “espiritismo
francês”. [12]
Na verdade, Dumas foi escritor e dirigente espírita francês,
presidente da União Espírita Francesa (UEF) e diretor
da Revista Espírita na década de 1970. Por muitos
anos administrou o legado de Kardec e seus seguidores. No entanto,
é mais lembrado (no Brasil) pela mudança do nome desta
tradicional instituição espírita, em 1976:
União Científica Francofônica para a Investigação
Psíquica e o Estudo da Sobrevivência da Alma (USFIPES),
em vez de UEF.
Nesse mesmo ano, para desagrado de alguns espíritas brasileiros,
a tradicional revista fundada por Kardec deixa de circular. Em seu
lugar, Dumas, como citamos acima, lança um periódico
denominado o Renaître 2000. Segundo ele, as palavras espírita
e Espiritismo se descaracterizaram em seu verdadeiro significado,
vinculando-se ao misticismo (roustanguista), ao religiosismo. Por
isso a mudança.
O resultado foi a completa marginalização de Dumas
e a confusão jurídica com a União Espírita
Francesa e Francofônica, fundada por Roger Perez em 1985,
pelos direitos da Revista Espírita. Dois anos depois a instituição
obtém sentença judicial favorável a Perez e
a Revue volta a circular novamente após 12 anos de interrupção.
Apesar de ser lembrado como uma espécie de traidor, um “Judas”
da causa espírita, Dumas foi um dirigente e um intelectual
espírita importante na história do Espiritismo francês.
Sua visão, laica e filosófica, destoava da grande
maioria dos espíritas, notadamente os brasileiros, afeitos
a concepções religiosas e sectárias, influenciados
em demasia pelos cânones roustanguistas da Feb.
Paralelamente, surge na França o Jacques Peccatte dizendo
que o próprio Kardec se “comunicou” com o grupo
dele, o “Cercle Spirite Allan Kardec”, em 1977, e o
mandou ressuscitar o movimento. (sic) Ele o tenta até hoje.
[13]
Mas, pelo lado digamos, oficial, o Roger
Perez, retornando das desativadas colônias africanas, resolveu,
certamente com o patrocínio da Feb, retomar as coisas. Conseguiu
reaver do André Dumas, na justiça, o nome da Revue,
e passou a editá-la pela “Federação Espírita
Francesa e Francófona” (já extinta), da qual
foi fundador. Ali pelo ano 2000 passou os direitos para o CEI –
Conselho Espírita Internacional.
Certamente com Roger Perez houve
uma breve intensificação do Movimento Espírita
francês, porém, a bem da verdade, nunca se recuperou,
pelo menos em Paris. Sabemos que hoje há diferentes núcleos
espíritas no interior da França, mas evidentemente
sem as características daquelas propostas por Allan Kardec.
Propagação espírita de pessoa a pessoa,
de consciência a consciência
O Espírito Delanne não
acredita que a Europa (especialmente a França) retomará
a direção do movimento espírita no futuro,
pois o Velho Continente assemelha-se, atualmente, a vasto campo
de guerra ideológica, que está muito longe de terminar.
Para o Benfeitor a divulgação espírita terá
de efetuar-se de pessoa a pessoa, de consciência a
consciência. A verdade a ninguém atinge através
da compulsão. A verdade para a alma é semelhante à
alfabetização para o cérebro. Um sábio
por mais sábio não consegue aprender a ler por nós.
(Grifei)
Talvez esse processo de propaganda espírita seja moroso demais
para a Humanidade, mas, segundo Delanne, uma obra-prima de arte
exige, por vezes, existências e existências para o artista
que persegue a condição do gênio. Como acreditar
que o esclarecimento ou o aprimoramento do espírito imortal
se faça tão-só por afirmações
labiais de alguns dias? [14]
Seja no Brasil, seja noutros países, cremos que a pujança
da Doutrina dos Espíritos não advirá por meio
de um “Espiritismo Oficial”, hierarquizado, elitista,
exorbitantemente místico e mercantilista, porém na
propagação paulatina da Terceira Revelação
de pessoa a pessoa, de consciência a consciência, de
ombro a ombro, sem as grilhetas burocráticas dos institutos
oficiais de “unificação”, que na Terra
e especialmente no Brasil vivem e revivem os fragorosos vendavais
intransigentes do poder curial.