
"Eu falei: não, eu preciso
voltar": Reportagem especial mostra debates sobre experiências
de quase morte
'Eu me vi fora do corpo': relatos
de brasileiros reacendem debate sobre experiências de quase
morte
Reportagem do Fantástico
acompanha conferência em Portugal e reúne histórias
de brasileiros que dizem ter visto luzes, saído do corpo e
voltado transformados após situações extremas.
Pessoas de perfis completamente diferentes
dizem ter vivido sensações semelhantes ao ficar entre
a vida e a morte.
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"Eu me vi fora do corpo", contou
a pedagoga Josivânia.
"Era um sonho muito bom", lembrou o ex-jogador Oscar.
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Os relatos foram mostrados em reportagem
do Fantástico que acompanhou em Portugal um congresso internacional
sobre experiências de quase morte.
O encontro aconteceu no Porto e reuniu cientistas que tentam explicar
fenômenos na fronteira entre ciência e espiritualidade.
As chamadas experiências de quase-morte costumam ser relatadas
por pessoas que passaram por parada cardíaca, acidentes graves
ou situações extremas e depois sobreviveram.
Entre os relatos mais comuns estão sensação
de paz, túnel de luz, encontros com parentes mortos, revisão
da própria vida e impressão de estar fora do corpo.
Para parte da comunidade científica, tudo isso é resultado
de processos cerebrais em momentos críticos. Para outros pesquisadores,
ainda há perguntas sem resposta.
Josivânia afirma ter passado por três
experiências desse tipo. Ad duas primeiras, aos 12 e 17 anos,
ao desmaiar quando sofreu violência doméstica.
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"Eu me via fora do corpo. É
como se tivesse saído de mim.
É uma espécie de um foco de luz", conta.
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A terceira, e mais marcante, aconteceu durante um
parto de alto risco, aos 20.
Segundo ela, ouviu médicos falando em atestado
de óbito enquanto observava a cena de fora do corpo. "Eu
disse: não, mas eu tô viva, o senhor não tá
me vendo não", relatou.
Clemente Nascimento, músico da banda Inocentes,
passou por experiência de quase morte.
Oscar, ex-atacante do São Paulo, contou que
viveu algo semelhante após passar mal durante exames de rotina.
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"Eu só lembro de ter aqueles sonhos que as pessoas falam
que você sai um pouquinho do corpo", disse. Ele também
recorda ter ouvido a voz do filho pedindo que voltasse. "'Volta
pai, volta!'"
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O músico Clemente Nascimento, da banda Inocentes, relatou a
experiência após uma grave dissecção da
aorta em 2025. Durante sete horas de cirurgia, diz ter revisto momentos
marcantes da vida e amigos que já morreram.
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"Eu tive momentos de viagem completa, de você fazer aquele
famoso filme da vida", contou
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Já o professor da Universidade de São Paulo Ilson Silveira
relatou o que viveu após um acidente de carro em Lisboa, em
2012.
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"Absolutamente escuro. Mas esse lugar
tinha um ponto de luz lá na frente", disse.
Segundo ele, uma voz tranquila afirmou que ainda não era sua
hora.
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Etzel Cardeña, psicólogo. —
A neurocientista Charlotte Martial defende que essas
experiências podem ser explicadas por reações
químicas no cérebro. Segundo ela, uma crise fisiológica
grave provoca uma tempestade de neurotransmissores capaz de gerar
percepções intensas e memórias complexas.
No outro lado do debate, pesquisadores como Etzel Cardeña e
Marieta Pehlivanova argumentam que a ciência ainda não
explica totalmente casos em que pessoas relatam detalhes depois confirmados
por terceiros. Para eles, a consciência pode envolver
processos ainda desconhecidos.
Independentemente da explicação, todos os entrevistados
disseram que voltaram transformados. Oscar encerrou a carreira pouco
depois. Ilson tornou-se espírita. Josivânia afirma que
perdeu o medo de contar o que viveu. Clemente resumiu a mudança
citando Belchior: "Ano passado eu morri, mas esse ano eu não
morro."
No link abaixo, o psiquiatro, professor e pesquisador Alexander Moreira-Almeida
analisa a reportagem:
> https://www.instagram.com/reels/DXove-HkVFU