Estudo da UFJF Destaca Precisão de Psicografia
de Chico Xavier em 1955
Pesquisadores da UFJF analisaram uma gravação de 1955,
onde Chico Xavier, médium mineiro, psicografou mensagens para
o líder espírita português Isidoro Santos. O estudo,
publicado na revista Explore, aponta que 87,7% das informações
fornecidas por Chico eram corretas e apenas 3% incorretas, destacando
a improbabilidade de ele ter obtido tais dados por meios convencionais.
A pesquisa reforça a discussão sobre a mediunidade e
a possível sobrevivência da consciência após
a morte.
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Vinte anos após a morte, o mineiro Chico Xavier
ainda surpreende. A revista científica internacional Explore
acaba de publicar um artigo inédito sobre a precisão
de informações apresentadas pelo médium em uma
sessão registrada em áudio em 1955, com a participação
de um espírita português. Segundo os autores do artigo,
87,7% do que ele falou foram classificados como corretos e apenas
3% como incorretos. A pesquisa também avaliou que seria improvável
que Chico, em 30,8% dos casos, tivesse obtido essas informações
por meios convencionais, ou seja, em conversa com outras pessoas ou
em pesquisa em livros ou documentos.
Se estivesse vivo, Chico faria aniversário
nesta quinta-feira. Ele nasceu em 2 de abril de 1910 em Pedro Leopoldo,
na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Aos 17 anos, já
participava de sessões espíritas e chamava a atenção.
O médium se tornou um fenômeno, com 439 livros psicografados
publicados em vida e ao menos 98 post-mortem.
Participaram do estudo pesquisadores de Portugal e
do Núcleo de Pesquisas em Espiritualidade e Saúde (NUPES),
da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).
O artigo "Análise da Ocorrência de Recepção
Anômala de Informação Mediúnica: O Caso
de Chico Xavier e Isidoro Santos" é assinado por Carlos
Miguel Pereira, Alexandre Caroli Rocha, Jorge Gomes, José Lucas,
Júlio Silva e Alexander Moreira-Almeida.
O artigo abrange a gravação em fita
de áudio de 54 minutos de sessão mediúnica realizada
em 3 de junho de 1955, em Pedro Leopoldo. Na ocasião, Chico
psicografou mensagens e relatou conversas com espíritos de
pessoas que teriam conhecido o ilustre visitante, o líder espírita
português Isidoro Duarte Santos, fundador da revista Estudos
Psíquicos e presidente da Federação Espírita
Portuguesa.
— Nessa sessão de 54 minutos, Chico Xavier
psicografa dois poemas atribuídos a poetas portugueses, e uma
carta atribuída à esposa falecida do Isidoro, o visitante
português. E ele começa a descrever continuamente, uma
após outra, várias pessoas que estariam aparecendo para
ele, no caso, 18 pessoas falecidas, a maioria da relação
do Isidoro. E ele ia descrevendo características físicas,
comportamentais, situações que aconteceram na vida deles
— explica Alexander Moreira-Almeida, o diretor do Nupes.
Mensagem do além
A primeira mensagem é uma carta psicografada
para Isidoro ditada supostamente pelo espírito de sua primeira
mulher. O estudo assinala que "seu conteúdo focava no
incentivo à continuidade do trabalho espírita, sendo
o único elemento verificável a assinatura. Não
foi possível acessar os manuscritos originais para comparar
a assinatura de Lia em vida. Contudo, Santos a reconheceu como a assinatura
de sua esposa e identificou ainda o estilo do texto."
Os pesquisadores se debruçaram sobre o grau
de precisão das informações apresentadas por
Chico ao visitante. Será que o médium poderia ter feito
um levantamento prévio para ludibriar o público? Será
que ele teria como obter as informações sobre as pessoas
falecidas e que viveram em Portugal?
— Fizemos um grande levantamento. Como essa
informação poderia ter chegado ao Brasil? Investigamos
publicações portuguesas e brasileiras da época
e a possibilidade do Chico ter acesso às informações
e que informações estavam nas explicações
e quais não estavam — diz Alexander.
Durante a sessão, Chico relatou ver outras
pessoas que teriam feito parte da vida do visitante, em Portugal.
No fundo da gravação, é possível escutar
Isidoro confirmar algumas descrições.
— Chico, durante 54 minutos, descreve 18 pessoas
falecidas e várias características, e muitas delas com
essa dificuldade de ter acesso. O resultado principal é que,
ao longo dessa gravação, o Chico Xavier produziu 65
itens verificáveis de informação: 88% eram corretos
— observa o diretor.
Poemas psicografados
O psiquiatra explica que o estudo constatou ser extremamente improvável,
em ao menos 31% das informações, que Chico tivesse obtido
os dados de forma convencional — conversas e pesquisas.
— Eram informações muito específicas
da vida das pessoas, informações muito específicas
de regiões de Portugal, muito pouco conhecidas, todas relacionadas
ao visitante — argumenta.
Para Alexander, o resultado é mais um conjunto
de evidências sobre a possibilidade da sobrevivência da
consciência mesmo após a morte. Na sessão, Chico
Xavier psicografou dois sonetos de poetas portugueses mortos mais
de 50 anos antes.
— Os poemas atribuídos a Antero de Quental e a João
de Deus traziam características muito específicas de
estilo, da métrica, inclusive um deles foi escrito em português
arcaico — destaca o psiquiatra.
A pesquisa sobre mediunidade é um dos principais
alvos do Nupes, da Universidade Federal de Juiz de Fora. O próprio
artigo na Explore reconhece que "uma meta-análise de estudos
controlados recentes concluiu que, na maioria dos casos, os médiuns
foram capazes de fornecer informações precisas sem usar
meios convencionais, embora, às vezes, não tenha sido
observada precisão acima do acaso." Uma interpretação,
segundo o trabalho, "é que médiuns verdadeiramente
talentosos são raros, e aqueles que conseguem manter consistentemente
alta precisão sob controles científicos são ainda
mais raros".
— Chico Xavier, sem dúvida, está
entre os médiuns que produziram uma maior diversidade de fenômenos
que têm sido estudados e para os quais é muito dificil
encontrar explicações convencionais que deem conta do
conjunto de evidências — observa Alexander.
Resumo
Introdução: Estudos
qualitativos aprofundados sobre médiuns excepcionalmente talentosos
são muito úteis para investigar a ocorrência de
recepção anômala de informações;
no entanto, há uma escassez de estudos com evidências
documentadas. Objetivo: Investigar a ocorrência de recepção
anômala de informações em uma sessão gravada
com Chico Xavier, um dos principais médiuns do século
XX.
Método: Análise de uma gravação
de 54 minutos contendo a leitura de uma carta mediúnica, dois
poemas atribuídos a poetas portugueses falecidos e um diálogo
no qual Chico Xavier descreve 18 personalidades falecidas. Após
a identificação das informações verificáveis,
uma investigação exaustiva foi realizada para avaliar
a precisão dos itens de informação e a probabilidade
de o médium ter tido acesso prévio a eles. Para os poemas,
uma análise linguístico-literária comparativa
examinou convergências e divergências de métrica,
estilo e temas entre os textos supostamente mediúnicos e as
obras originais dos autores.
Resultados: Os poemas analisados apresentam características
consistentes com a autoria reivindicada, corroborando essa atribuição
com base em critérios textuais e comparativos. Foram identificadas
30 pessoas, com 65 itens de informação verificáveis,
dos quais 87,7% foram classificados como “Corretos” e
30,8% como “Altamente Improváveis” ou “Improváveis”
de terem sido obtidos por meios convencionais. Explicações
convencionais são improváveis ou altamente improváveis
para uma proporção considerável dos itens, particularmente
aqueles relacionados a Isabel Ramos. Seu caso é notável,
não apenas pelo alto grau de precisão, mas também
por ter surgido espontaneamente e por se tratar de alguém desconhecido
dos participantes, caracterizando um caso de acesso inesperado.
Conclusão: Considerando a natureza complementar,
diversa e altamente assertiva das comunicações, a hipótese
da sobrevivência oferece a explicação mais simples
e parcimoniosa para o que ocorreu nesta reunião.
Introdução
A mediunidade pode ser definida como a experiência na qual um
indivíduo (chamado médium) afirma estabelecer comunicação
com, estar sob a influência ou controle de, e transmitir informações
de, pessoas falecidas ou outras entidades não materiais. Ao
longo da história , houve inúmeros relatos de tais experiências,
que fazem parte das raízes culturais greco-romanas e judaico-cristãs
da sociedade ocidental, bem como das tradições do hinduísmo
e do budismo tibetano. Pesquisas nacionais recentes no Brasil e nos
EUA constataram que cerca de metade dos adultos relataram já
ter tido contato com os falecidos.
https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1550830726000789?dgcid=author