Um grupo de pelo menos 30 pessoas atacou um terreiro de umbanda,
na noite de segunda-feira (03), em Ribeirão Preto, no interior
de São Paulo. Um dos praticantes da religião foi
espancado e teve alguns dentes da boca quebrados durante o ataque.
Os pais e mães de santo vítimas do ataque acreditam
que o motivo seja intolerância religiosa. A Polícia
Civil da cidade investiga o caso.
Pais e mães de santo participavam de uma reunião
religiosa quando, por volta das 23h30, o terreiro foi invadido
pelos agressores, que jogaram uma bomba caseira dentro do espaço.
Houve tumulto e, quando tentaram deixar o espaço, os religiosos
foram atacados com pedradas, pauladas, socos e pontapés.
Solange Brito, 51, mãe de santo e uma das organizadoras
do terreiro, conta que 12 pessoas estavam presentes no local no
momento do ataque.
"Foi a quarta vez que jogaram bombas. Nesse episódio,
havia um bebê, que chegou a desmaiar. Quando saímos,
eles vieram com paus e pedras pra cima da gente", contou.
Ela relata que um de seus filhos, Jonhatan Brito, 25, que também
estava no local, foi cercado pelos agressores e agredido. Ele
precisou ser transportado de ambulância até uma unidade
de saúde para receber atendimento médico.
"Bateram na cara do meu menino, depois rasgaram a boca dele.
Ele chegou a convulsionar. Ele foi atendido na unidade de saúde
do bairro, ficou um dia internado, e perdeu todos os dentes da
frente", contou.
Solange conta que os agressores são pessoas do próprio
bairro e que a religião é a causa do conflito.
"Eles ficam caçando pretexto para arrumar confusão,
ofendem a gente", explica ela, que admitiu que chegou a tomar
satisfação com as pessoas que jogaram a bomba. "Eu
fui a primeira a sair, fui ver quem tinha jogado bomba, mas já
fui xingada assim que sai. Nossa gente tomou as dores, e ai houve
uma grande confusão", disse.
Uma vizinha que mora próxima ao templo religioso, que
preferiu não se identificar, presenciou o ataque e conta
que ninguém identificou os autores.
"Eu moro na rua do terreiro, tacaram bomba, mas ninguém
viu quem foi. Pessoas foram atingidas no terreiro, acho que todos
deveriam ter respeito. Cada um tem sua crença", disse
ela, que ressaltou, entretanto, que a postura dos praticantes
da religião piorou o problema.
"Eles acusaram alguns meninos que estavam em uma laje, saíram
para tomar satisfação e aí virou um tumulto.
Mas não foram os meninos que jogaram a bomba", ressaltou.
Procurada, a Polícia Civil de Ribeirão Preto informou
que a denúncia foi registrada e que irá investigar
a autoria do ataque.