
Apesar da chuva fina, milhares de
pessoas se reuniram na Praça Pádua Salles para celebrar
a paz. O 5º Movimento Você e a Paz, realizado em Amparo-SP,
contou com mais de 500 voluntários na organização
do evento, patrocínio da Química Amparo Ltda - Ypê
e apoio da Prefeitura Municipal de Amparo. Camisetas e balões
brancos foram distribuídos a todos os participantes do evento,
para que pudessem percorrer as ruas da cidade, buscando a paz íntima.
Divaldo Franco abriu a caminhada saudando aos presentes e mencionando
a felicidade imensa que era se reunir com pessoas que almejam a paz
e que esta deve ser a maior meta da vida, porque de nada adianta possuir
tudo e não ter paz interior. Disse ainda que se tivesse que
escolher, escolheria primeiro a paz íntima e depois os valores,
porque em paz pode-se desfrutar de tudo aquilo que se possui. Sem
paz, os objetos tornam-se apenas adornos pesados e desagradáveis.
Aproveitou, também, para ressaltar que na cidade de Concórdia,
sul do Brasil, e em Paris, outras pessoas também estavam reunidas,
nesta mesma data, para o movimento Você e a Paz.
A chuva cessou para que a caminhada pudesse ocorrer da maneira mais
harmoniosa possível, em que os participantes, imbuídos
das palavras consoladoras de Divaldo Franco, propuseram-se a refletir
ainda mais sobre a paz. Era visível a alegria e o sentimento
de paz que reverberavam entre os caminhantes presentes, em busca de
reafirmar a paz íntima.
Após a o retorno à praça, o evento continuou
com atividades gratuitas nos espaços de orientação
jurídica, cafezinho da paz, interação, saúde,
beleza, recreação para as crianças e leitura.
Como encerramento do dia de atividades e palavras de paz, houve o
show do cantor Guilherme Arantes.
Ao cair da tarde, por volta das 18h00, deu-se seguimento, no palco
montado à praça, a profundas reflexões sobre
a paz. A Sra. Ana Maria Veroneze Beira, organizadora do evento, agradeceu
a presença de todos que estavam ali para ouvir as mensagens
de paz que seriam trazidas por líderes religiosos. Pontuou
que mesmo com os avanços tecnológicos, na atualidade,
há um distanciamento dos valores ético-morais imprescindíveis
para a construção da paz no mundo. Alertou para o fanatismo
e a segregação que ameaçam a paz entre os povos,
trazendo, como consequência, os desastres morais e materiais,
em que muitas vidas são perdidas pela violência. Convida,
aos ouvintes, a germinar gentileza, paciência, perdão
e amor, vivenciando-os a cada momento da vida em pequenos gestos,
pois a vida é a maior expressão do Amor de Deus pelo
ser humano.
A seguir, Pastor José Lima, da Assembleia de Deus Ministério
do Belém de Amparo, iniciou sua fala com a promessa de paz,
em que, no terceiro milênio, o Amor aparecerá, enquanto
as lágrimas desaparecerão e as dores cessarão,
cabendo a cada indivíduo fazer seu papel para que a paz de
Deus conserve o coração do homem.
Dom Luiz Gonzaga Fechio, Bispo Diocesano de Amparo, lembrou que o
apelo desse evento se torna cada dia mais atual, pois somos nós
os responsáveis pela paz. Cada indivíduo deve se responsabilizar
pela sua parte no espaço que lhe cabe, a começar da
própria família e sua vida pessoal. Assumir os compromissos
com o bem comum, aos invés de delegá-los. Quem segue
a Cristo, encontra a verdadeira paz, que só ele e jamais o
mundo, pode dar. Paz, que Francisco de Assis acolheu e viveu como
testemunho e que pode ser encontrada na mansidão e humildade
de coração, em que o homem é chamado a salvaguardar
o próprio homem. Encerra citando Gandhi: “não
existe o caminho para a paz porque a paz é o caminho”
e convida para que se faça qualquer ato de amor, por menor
que seja, como ato de paz.
Divaldo Franco iniciou sua fala, narrando a história contida
na obra O Girassol, de Simon Wiesenthal. Esta foi escrita depois de
um período de muito sofrimento vivido pelo autor. Fala-se tanto
de paz, mas essa é tão rara! O indivíduo belicoso,
a sociedade agressiva, os trabalhadores do bem cansados e o religioso
indiferente à dor ainda não encontraram a paz.
Wiesenthal, polonês e judeu, é levado, na segunda guerra
mundial, ao campo de concentração de Mauthausen-Gusen,
localizado próximo da cidade de Linz na Áustria, testemunhando
o assassinato da sua avó e o embarque de sua mãe em
um vagão de carga contendo mulheres judias idosas. Ele foi
destacado para remover o lixo em um hospital para soldados alemães
feridos na ofensiva dos aliados e enquanto trabalhava acercou-se dele
uma enfermeira e certificando-se de que Simon era judeu lhe fez sinal
para que a acompanhasse.
A enfermeira o levaria para visitar um soldado alemão gravemente
enfermo, Karl Silberbauer, e que desejava falar com um judeu. Silberbauer
tinha sido educado no cristianismo, porém, fascinou-se pelo
discurso de Hitler. Nesta condição, havia cometido vários
atos de barbárie. Estava atormentado e arrependido em seu leito
de morte e solicitou a Wiesenthal, após narrar as atrocidades
que fizera, ser perdoado por ele, um judeu. Simon Wiesenthal, diante
de seu próprio sofrimento, não foi capaz de perdoar.
Karl Silberbauer solicitou também que Wiesenthal procurasse
a sua mãe e lhe dissesse que estava arrependido e que morrera
cristão. A isso, o autor do livro fora capaz de atender, porém
jamais de perdoar um nazista.
Divaldo encerra a narrativa, perguntando ao público se seriam
capazes de perdoar. Leva aos presentes a meditar sobre o perdão,
refletindo que se fala tanto de paz e quando chega o momento de perdoar,
apela-se para a razão, que estabelece os parâmetros do
equivocado, do crime. Na atualidade, ainda se dispõe de leis
imperfeitas para reeducar os criminosos. Divaldo Franco aconselha
a perdoar em qualquer circunstância, pois a vítima merece
ter paz: com o perdão para com um crime, liberta-se do tóxico
criminoso que lhe foi injetado pelo bandido. Não se deve perder
a razão de viver esperando uma vingança. O indivíduo
merece paz, e para que a logre, é necessário que se
perdoe.
Perdoar não é conivir com o crime. Este deve ser corrigido,
educado; mas não cabe a vítima devolver o ultraje. Perdão
é não devolver a ofensa. É necessário
que se estabeleça uma jornada diferente da Wiesenthal, almejando,
assim, o primado do perdão, da compaixão pelo outro.
A verdadeira paz é a harmonia interior que nunca devolve aquilo
que é danoso.
Fiódor Dostoiévski quando exilado na Sibéria,
recebeu no trem um exemplar do Novo Testamento e ao ler sobre Jesus,
escreveu obras incomparáveis. Afirma, em sua obra O Idiota,
que a beleza salvará o mundo, porque Deus é Amor. Divaldo
menciona esse é o Amor que produz, no perdão, a paz
da consciência tranquila, do caráter régio e dos
hábitos corretos. É através de uma conduta interior
reta, que o mal dos maus não pode fazer mal. E convida a todos,
inspirando-se em Mohandas Karamchand Gandhi, a ser esta paz que não
tem caminho, mas que é o caminho.