
Ala Mitchell passa por Minas Gerais para lançar
“Outro lar”,
quinta obra lançada através de parceria entre a Mauricio
de Sousa e a editora Boa Nova – Foto Divulgação
Mônica, Cebolinha, Magali, Cascão
Chico Bento, Franjinha, Marina e Zé Lelé não
param de se envolver em deliciosas aventuras. Dessa vez, eles embarcam
para o Rio de Janeiro, no livro “Outro lar” (Boa Nova,
64 páginas). Nessa viagem, com a ajuda de André, primo
espírita de Cascão, os personagens visitam os pontos
turísticos da Cidade Maravilhosa e aprendem como a prática
de bons hábitos pode ajudar a ter sonhos melhores e até
conhecer lugares inimagináveis, com lindos bosques, prédios,
hospitais modernos e até ônibus que voam.
“‘Outro lar’ fala sobre essa mensagem da participação
das crianças nesse mundo ideal, nesse mundo maravilhoso. Estamos
num momento em que tantas notícias ruins abalam a nossa crença
num Brasil melhor, mas, ao mesmo tempo, reforçam, porque a
justiça e a busca pela verdade estão aí prevalecendo.
Quando a gente começa a tocar nessa mensagem, as crianças
, os jovens e os adultos, principalmente, que acreditam nela, têm
proliferado que é possível, sim, através da sua
própria ação, construir um mundo melhor, porque
a mudança começa em nós”, comenta Ala Mitchell,
que assina a obra ao lado do autor peruano Luis Hu Rivas.
Em Minas Gerais para divulgação do livro desde o início
do mês, Ala se encontra com os leitores dia 4 de novembro, às
17h, na Livraria Saraiva – Center Shopping, de Uberlândia.
“Outro lar” é a quinta publicada através
de uma parceria entre a editora espírita Boa Nova e a Mauricio
de Sousa Produções. Já foram enviados para as
prateleiras os livros “Meu pequeno evangelho”, “Meu
pequeno evangelho – livro de atividades”, “Chico
Xavier e seus ensinamentos” e “Magali em outras vidas.”
Na nossa conversa, o escritor conta detalhes das peripécias
da turminha e fala sobre a repercussão da parceria da Turma
da Mônica com a editora espírita. Não faltaram
comentários com teor de intolerância religiosa, no entanto,
os elogios sobressaíram, rendendo resultados positivos.
Marisa Loures –
Neste livro, a Turma da Mônica faz uma viagem fantástica
para o Rio de Janeiro. Qual a importância dessa cidade para
a história?
- Ala Mitchell –
Ela é importante porque, para nós espíritas,
é um marco na nossa literatura quando, através da mediunidade
de Chico Xavier, ele começa a relatar um mundo espiritual que
existe acima do Rio de Janeiro especificamente. Mas, em várias
outras cidades, existem também estas conexões com mundos
mais elevados. Quando a gente desencarna, há essa grande possibilidade
de a gente se encontrar nesses mundos melhores, mundos aprimorados,
mais desenvolvidos. Na verdade, nosso mundo aqui na terra é
apenas uma cópia desse mundo, uma cópia ainda em construção.
Há colônias espirituais em todas as cidades do mundo,
só que essa é uma referência que nós reconhecemos
com mais facilidade.
– As histórias com Mônica
e Cebolinha giram em torno do eterno conflito entre os dois personagens.
Esses conflitos estão presentes no livro?
– Não poderia deixar
de ser dessa forma. A turminha tem suas próprias características.
A Magali é comilona, o Cascão não gosta de tomar
banho. A gente não conseguiu nas nossas historinhas fazer o
Cascão tomar banho, mas é uma coisa muito própria.
Não é que o Cascão não gosta de tomar
banho, ele tem pavor, pânico da água. O Cebolinha troca
as letras, gosta de bolar planos, é uma pessoa muito imaginativa.
Todas elas são crianças do bem. Inclusive, no processo
de fazer bullying com a Mônica, na verdade, o Cebolinha gosta
dela. É uma forma de demonstrar esse carinho. E a Mônica,
apesar de dar as “coelhadinhas” nele também, quando
há necessidade, ela vai proteger seus amiguinhos. Ela faz tudo
com carinho, e as crianças reconhecem isso em todos os momentos.

Os autores Ala Mitchell e Luis Hu Rivas com Mauricio de Sousa na divulgação
do livro “Chico Xavier e seus ensinamentos” – Foto
Divulgação
– “Outro lar”
é a quinta obra produzida através dessa parceria. Os
livros dialogam um com o outro?
– Eles não dialogam diretamente
um com o outro, porque todos têm uma temática muito própria.
O primeiro foi “Meu pequeno evangelho”, que fala justamente
sobre as boas novas, as virtudes que nós todos como cristãos,
e não somente cristãos, mas de outras religiões,
reconhecem que o mestre Jesus nos trouxe. Esses valores são
universais, estão espalhados pelo mundo. O segundo reforça
o evangelho. O terceiro livro é “Magali em outras vidas”,
que fala de reencarnação. É mais uma etapa da
construção dessas informações. O quarto
livro é “Chico Xavier e seus ensinamentos”. São
exemplos iluminados de Chico Xavier, como pessoa, como brasileiro,
como ser humano. É conhecido por diversas pessoas de diversas
religiões. Na verdade, a doutrina espírita não
prega apenas uma ideia religiosa, ela prega uma ideia de comportamento,
de hábito, no sentido de que todos nós almejamos um
mundo melhor, pessoas melhores, encaixando-se numa sociedade mais
justa em que todos nós somos participantes e coparticipantes
desse mundo melhor. Para fazer um mundo melhor, eu preciso ser uma
pessoa melhor.
“A turminha não
é de uma religião específica. Não
é católica, não é budista, não
é espírita. Ela está aprendendo com esses
valores universais a construção de um mundo melhor.”
– Os textos passam pelo
crivo do Mauricio de Souza? Como vocês trabalham essa parceria?
– Com certeza. Todos os textos
são construídos por mim e pelo Luis Hu. Eu passo o texto
para ele, e ele passa para mim. A gente vai corrigindo, aprimorando
os textos até ficarem numa ideia própria, um conceito.
Esse conceito é enviado para a equipe do Mauricio de Sousa,
que é maravilhosa e tem uma sensibilidade fantástica.
Eles leem o material, analisam o que tem a ver com as característica
da turminha e nos dão o feedback. Vai e volta o livro. Depois
disso, chega o momento de começar os primeiros rabiscos dos
desenhos. Aí começam as primeiras ideias. A gente faz
sugestões, eles analisam, corrigem umas coisinhas e depois
chega até o Mauricio, que dá uma sempre uma olhada geral
para ver se o conteúdo está condizente com as características
da Turma da Mônica. Na verdade, a turminha não é
de uma religião específica. Não é católica,
não é budista, não é espírita.
Ela está aprendendo com esses valores universais a construção
de um mundo melhor. Tanto é que existem livros católicos
também com a turminha.
“Quando
você fala da ideia do bem, é a ideia do bem por si
e não como religião específica. A gente não
precisa divulgar a religião, a gente divulga o bem, o bem
em si é a própria divulgação.”
– Quando os livros da
Turma da Mônica, com selo da Boa Nova começaram a ser
publicados, houve comentários com intolerância religiosa.
Essas críticas, em algum momento, chegaram a abalar a parceria
de vocês?
– Não há preocupação
nenhuma e não abalou de forma alguma. Na verdade, só
reforçou, porque, na medida em que várias outras pessoas
começaram a comentar sobre essa parceria, os livros acabaram
sendo mais divulgados. A ideia é que a Turma da Mônica
possa conhecer esses universos. O Mauricio lançou agora a biografia
dele. Nela, ele fala que é católico, tem educação
católica, a mãe era católica, porém a
avó dele fazia sessões espíritas na casa dela.
O Mauricio participava e conheceu um pouco do que era o espiritismo.
Ele se encantava, porque via diversos grupos de pessoas diferentes
participando das reuniões, desde pessoas de classes mais nobres
até classes mais simples. Ele via todos eles interagindo, conversando,
buscando aprender. Quando você fala da ideia do bem, é
a ideia do bem por si e não como religião específica.
A gente não precisa divulgar a religião, a gente divulga
o bem, o bem em si é a própria divulgação.
Quando a gente faz esse trabalho, é independente de religião,
porque a gente não fala somente para o espírita. O espírita
é aquele que mais bebe dessa fonte, mas temos diversos comentários
de pessoas que são de outras religiões. Católicos,
judeus, budistas falam que leram o livro, conheceram e acharam muito
bons. Compraram o livro para seus filhos, porque eles entendem que
o mais importante é a mensagem, e a mensagem do amor é
nossa maior preocupação.
“Outro lar – Uma viagem
de muitos ensinamentos”
Autores: Mauricio de Sousa, Ala Mitchell e Luis Hu
Rivas
Editora: Boa Nova, 64 páginas.