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>   Mãe Beata de Iemanjá, ialorixá, escritora e militante social, morre aos 86 anos



 

 

27/05/2017

 


Por Cíntia Cruz Do Extra

Morreu neste sábado (27/05/2017) a ialorixá, escritora e militante de Direitos Humanos Beatriz Moreira da Costa, a Mãe Beata de Iemanjá, aos 86 anos. A família não divulgou a causa da morte. No próximo dia 7, Mãe Beata iria receber a Medalha Tiradentes da Alerj, através de um projeto do deputado Marcelo Freixo (PSOL). O parlamentar disse que a cerimônia de entregada medalha vai ser mantida.

 

 

Nascida em Cachoeira, no Recôncavo Baiano, a sacerdotisa chegou ao Rio de Janeiro em 1969 e escolheu a cidade para viver e criar os quatro filhos. Além do terreiro de candomblé Ilê Omi Oju Arô, fundado há 32 anos no bairro Miguel Couto, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, a ialorixá era militante social. Desenvolveu e participou de atividades de combate à intolerância religiosa, à discriminação racial e de gênero, à violência contra a mulher, de prevenção das DSTs/HIV/Aids e câncer de mama, e de defesa do meio ambiente.

 

 

Seu terreiro foi Ponto de Cultura com oficinas de dança, música, artes e geração de renda. Lá, a sacerdotisa tinha planos de construir uma biblioteca. Mãe Beata também era presidente da Ong Criola (organização de mulheres negras que atua contra o racismo e o sexismo) e integrante do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher – CEDIM e conselheira do Projeto Ató Ire – Saúde dos Terreiros e também da Ong Viva Rio.

Escreveu os livros “Caroço de dendê: a sabedoria dos terreiros”, “Histórias que minha avó contava”, “Tradição e Religiosidade”, “O Livro da Saúde das Mulheres Negras”. O sepultamento será às 16h45 deste sábado no Cemitério de Nova Iguaçu.

 

 

Mãe Beata de Iemanjá era Yalorixá (sacerdotisa suprema dos candomblés de origem Ketu-iorubá), escritora, artesã, griot (tem a função de transmitir as histórias, canções e conhecimentos de seu povo), desenvolve trabalhos relacionados à defesa e preservação do meio ambiente, aos direitos humanos, à educação, saúde, combate ao sexismo e ao racismo.

Criticava a visão preconceituosa, europeia, sobre o Candomblé, que muitas vezes é chamado de seita, mas na verdade é uma religião; e também sobre Exu, que é um orixá. A imagem das religiões de matriz africana foi construída com base no medo e até hoje essa visão é predominante entre os leigos. Mas felizmente sabemos que a situação é reversível, quando se reconhece o preconceito fica mais fácil desconstruí-lo, buscando conhecimento.

“Me chame de negra, é para isto que estou aqui. Não me chame de morena, nem de mulata, nem de sapoti. Eu sei que sou gostosa, eu sou linda, meus olhos brilham, agora mesmo quando eu te vi. Ai que coisa gostosa quando eu digo isso! Meus parentes vieram da África e eu nasci no Brasil. Sou do Candomblé, religião dos Orixás. Os Orixás mudaram meu nome porque viram que eu era capaz. Hoje em dia me conhecem como Beata de Iemanjá. Discuto, falo, cada vez eu quero mais! Defendo o meu povo, para isto eu sou capaz! Mulheres, me deem a mão, os homens, cheguem para cá. Vocês também são nossos pares, venham nos ajudar! No momento da nossa defesa, apartheid para nós jamais!” (Mãe Beata)


Fonte: http://www.geledes.org.br/mae-beata-de-iemanja-ialorixa-escritora-e-militante-social-morre-aos-86-anos/#gs.TqNMMVU
- leia também - Mãe Beata de Yemonjá – guia, cidadã, guerreira - http://www.geledes.org.br/mae-beata-de-yemonja-guia-cidada-guerreira/#gs.FSadGDc

 

 

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