11/05/2017
Desencarnou Nelson Xavier
com 75 anos
Nelson Xavier fez da discrição
sua maior qualidade como ator
Artista teve atuações marcantes como Lampião e
Chico Xavier
Nelson Xavier em três momentos brilhantes:
como Lampião, Chico Xavier e Ananda
Foto: Divulgação - clique para ampliar
por Jeff Benício
Existem atores que, em cena, sentem a necessidade de
alterar o tom de voz, arregalar os olhos, exagerar nas expressões,
ofuscar os colegas. E há aqueles que transmitem os mais intensos
sentimentos com sutileza e elegância – Nelson Xavier foi
um mestre entre eles.
O ator paulistano morreu aos 75 anos, em Uberlândia (MG), em decorrência
de um câncer de próstata diagnosticado em 2004. Considerado
um dos maiores artistas do País, tinha quase 60 anos de carreira.
Adolescente apaixonado por cinema mudo, trabalhou quase uma década
nas telonas antes de estrear na teledramaturgia, em 1969. Por pressão
da família, cursou Direito, e foi se aprimorar como ator na EAD,
a renomada Escola de Arte Dramática da USP.
Na TV, seu trabalho com maior repercussão – inclusive com
reconhecimento internacional – foi na minissérie ‘Lampião
e Maria Bonita’, ao lado de Tânia Alves, na Globo, em 1982.
Vendida a outros países, como Itália e Portugal, é
considerada uma das melhores produções históricas
da televisão brasileira.
Na pele do lendário cangaceiro, Nelson Xavier apresentou uma
interpretação magnífica, emprestando delicadeza
e lirismo a um personagem tão controverso.
Outro sucesso foi como o Delegado Queiroz, em ‘Pedra
Sobre Pedra’, de 1992, fazendo comédia com a parceira de
cena Arlete Salles (Francisquinha).
Em 2010, Nelson Xavier interpretou Chico Xavier no filme
homônimo, exibido na Globo como minissérie, em quatro episódios.
O ator retomou o papel do médium mineiro no longa
‘As Mães de Chico Xavier’ (2011). Até então
ateu, o artista declarou ter se encantado pelo Espiritismo durante a
preparação para o papel.
De cabeça raspada, destacou-se ao viver Ananda,
um líder budista na trama das 18h ‘Joia Rara’, em
2013.
O último trabalho na TV foi uma participação
especial em ‘Babilônia’ (2015), quando surgiu como
Sebastião, um cadeirante assassinado pela vilã Beatriz
(Gloria Pires).
Sem interesse pelo mundo das celebridades, Nelson Xavier
só aparecia na imprensa era para defender seus personagens e
conversar a respeito de sua arte. Deixou um legado à altura de
sua grandeza pessoal.
Fonte: https://www.terra.com.br/diversao/tv/blog-sala-de-tv/nelson-xavier-fez-da-discricao-sua-maior-qualidade-como-ator,7cf034c96b7cad86487c347c4d97c990h9mw75du.html
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Ator Nelson Xavier pediu para usar terno do médium
Chico Xavier quando morresse, conta médica
Especialista que acompanhou tratamento em Uberlândia
(MG) revelou que ele escolheu a cidade para se despedir do planeta.
Por Caroline Aleixo, G1 Triângulo Mineiro
Um dos pontos ápices da carreira do ator Nelson
Agostini Xavier, que faleceu nesta madrugada (10) aos 75 anos em Uberlândia,
foi atuar como protagonista no filme biográfico sobre Chico Xavier.
Segundo a médica que o acompanhou no tratamento paliativo, Clarissa
Aires de Oliveira, a espiritualidade dele transcendia e um dos últimos
pedidos foi com que ele usasse o terno presenteado pelo próprio
médium mineiro em seu velório e enterro.
“Ele falava que foi tocado quando fez o filme
do Chico. Ontem, quando eu acompanhava a Via [esposa do ator] nos
momentos finais, ela falou assim: 'eu preciso atender uma vontade
dele. Ele quer ser vestido com um terno que ele ganhou do Chico'.
O Chico foi pra ele um ídolo, um grande amigo também.
Ele disse para mim que aprendeu com a humildade e esta coisa bonita.
Para mim foi um privilégio ter visto esta construção
da espiritualidade dele”, relatou.
Tratamento em Uberlândia
Clarissa contou ao G1 que a família de Nelson
a procurou no fim do ano passado, quando ele passava por cuidados paliativos,
uma vez que o câncer, inicialmente detectado na próstata,
já estava avançado. No início de janeiro a médica
chegou a visitá-lo no Rio de Janeiro e alguns dias depois ele
foi para Uberlândia, onde alugou um apartamento e fez novos amigos.
Durante quase quatro meses de tratamento na clínica mineira de
medicina integrativa – que trata o paciente física e emocionalmente
por meio de terapias alternativas com uso de medicação,
suplementação e hábitos saudáveis a fim
de garantir qualidade de vida no tempo de vida restante do paciente
– a especialista disse que a melhora do quadro de Nelson foi evidente.
“Minha abordagem com a oncologia integrativa
acabou sendo uma possibilidade de impactar na qualidade de vida. No
começo ele não estava andando, só de cadeira
de rodas, mas durante uns dois meses ele conseguiu passear bastante.
A Via [esposa do ator] fala que eles me procuraram para que ele tivesse
uma morte sem dor e ele morreu sem dor”, acrescentou.
Nas palavras de Clarissa, o paciente “se sentiu
vivo durante pouco mais de dois meses”. Foi então que ele
voltou para a casa no Rio de Janeiro com o intuito de buscar a mudança
para ficar definitivamente em Uberlândia, mas o quadro agravou
e ele retornou para Minas Gerais para ser internado às pressas.
No Hospital Santa Genoveva, onde ele foi internado na manhã desta
terça-feira (09/05/2017), o ator chegou com uma complicação
pulmonar e dificuldades respiratórias. Porém estava com
o semblante sereno e acompanhado por quase todo o tempo da esposa e
amigos. A médica Clarissa foi informada que nos últimos
minutos de vida ele demonstrava serenidade, com os entes em volta no
quarto.
Cidade escolhida para 'se despedir do planeta'
O artista era apaixonado pela cidade do Triângulo Mineiro e assim
que desceu do avião no aeroporto e olhou para o céu chegou
a comparar a vista com a da capital carioca e preferir a tranquilidade
de Uberlândia, que também teria motivado a vontade dele
de se mudar, de acordo com a médica.
“A esposa dele me contou que quando ele desceu
do avião e olhou para o céu de Uberlândia abriu
um sorriso e disse que foi o céu mais lindo que eles viram,
que era mais bonito que o céu do Rio. Ele também dizia
que escolheu Uberlândia para se despedir do planeta”,
concluiu Clarissa.
Depoimento da filha
Tereza Villela Xavier, filha do ator, usou sua
página no Facebook para falar da perda do pai.
"Lamento informar a quem possa interessar
que meu pai, Nelson Xavier, faleceu esta noite em Uberlândia.
Seu corpo será transferido, celebrado e cremado no Rio de Janeiro
em cemitério ainda não determinado. Agradeço
desde já as mensagens de apoio. Ele virou um planeta! Estrela
ele já era. Fez tudo o que quis, do jeito que quis e da sua
melhor maneira possível, sempre", escreveu ela.
Carreira
Nascido em São Paulo em 30 de agosto de
1941, Nelson Agostini Xavier cursou direito, mas sua paixão pela
arte foi mais forte. Iniciou sua carreira no teatro, com peças
como "Eles Não Usam Black-tie" (1958), de Gianfrancesco
Guarnieri, "Chapetuba Futebol Clube" (1959), de Oduvaldo Vianna
Filho, "Gente como a Gente" (1959), de Roberto Freire, e "Julgamento
em Novo Sol" (1962), de Augusto Boal.
Entre seus tantos trabalhos no cinema, estão "O ABC do Amor"
(1967), "Os Deuses e os Mortos (1970), "É Simonal"
(1970), "Dona Flor e seus Dois Maridos" (1976), e "A
Queda" (1978), de Ruy Guerra, que lhe rendeu um Urso de Prata no
Festival de Berlim.
Em 2010, Nelson interpretou Chico Xavier no cinemas. Na época,
o ator afirmou que havia vivido ali seu melhor papel. "Finalmente
fiz o meu maior papel. Fui invadido por uma onda de amor tão
forte, tão intensa, que levava às lágrimas”,
contou Nelson Xavier, que no longa viveu o líder espírita
dos 59 aos 65 anos. “Nenhum dos personagens que fiz mudou minha
vida. O Chico fez uma revolução”.
Em 2014, durante o Festival de Gramado, Nelson Xavier contou que fez
tratamento contra o câncer de próstata em 2004 e que estava
livre da doença. Foi lá também que recebeu o prêmio
de melhor ator com o longa "A despedida", um de seus últimos
trabalhos.
Fonte: http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/nelson-xavier-assista-a-videos-da-carreira-do-ator-de-chico-xavier.ghtml
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O adeus de Nelson Xavier
Em 2010, Nelson Xavier concedeu uma entrevista ao Correio
Fraterno para falar sobre o que havia mudado em sua vida, após
interpretar o médium mineiro no filme Chico Xavier, uma vida
de amor, da Globo Filmes, sob a direção de Daniel Filho.
A matéria foi capa da edição 431 do Jornal Correio
Fraterno.
O filme, baseado na biografia do médium escrita por Marcel Souto
Maior (As vidas de Chico Xavier, Ed. Planeta). Na mesma época,
o biógrafo enviou também um exemplar de sua obra ao ator
Nelson Xavier, dizendo que gostaria muito que ele fizesse o papel do
Chico. "Parece que meu destino estava envolvido com essa história",
contou o ator.
Vale a pena conferir porque Nelson Xavier mudou. Leia
a entrevista "Um novo Nelson – a emoção
de conhecer o amor de Chico"
Fonte: http://www.correiofraterno.com.br/index.php?option=com_content&view=frontpage&Itemid=1
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