01/05/2017
Assim que morremos, genes são ativados
no nosso corpo
Dois dias após passarmos
desta para uma melhor, nossa fábrica molecular ainda está
funcionando a todo vapor

Moléculas: dois dias após passarmos
desta para uma melhor, nossa fábrica molecular ainda está
funcionando a todo vapor (Getty Images)
por Por Denis Russo Burgierman
Cientistas da Universidade de Washington, em Seattle,
descobriram que, após a morte, centenas de genes começam
a funcionar. E que essa atividade toda continua por pelo menos 48
horas.
A pesquisa, conduzida pelos biólogos moleculares
Peter Noble e Alex Pozhitkov, e relatada pela revista britânica
New Scientist, acompanhou a atividade no núcleo das células
de peixes-zebra e camundongos depois que os bichinhos bateram suas
metafóricas botas.
Eles mediram a concentração de mRNA,
ou RNA mensageiro – o mensageiro do gene para avisar a célula
para ligar as máquinas da fábrica de proteínas.
Como previam, o mRNA diminuiu progressivamente na imensa maioria dos
genes, mas, em algumas centenas deles, houve picos post mortem. Uuuuuuu.
Os cientistas então investigaram
que genes eram esses. Descobriram que alguns têm relação
com o desenvolvimento do feto, e se desligam em todos nós logo
depois do parto.
Em outras palavras: algum processo de antes de nascermos,
e que ficou desligado durante toda nossa vida, volta a funcionar assim
que morremos.
Outro achado dos pesquisadores foi que, entre os genes
que são ativados depois de morrermos, alguns têm relação
com câncer. Os cientistas acreditam que essa descoberta pode
ser útil para a pesquisa médica sobre transplantes –
ajudando a evitar que receptores tenham câncer no órgão
transplantado.
Já se sabia que genes ficam vivos após
o corpo morrer – e não só os de peixinhos e ratinhos.
Uma pesquisa anterior havia revelado que alguns genes humanos estão
ativos pelo menos 12 horas após a morte.
Os cientistas acreditam que muitos desses genes estejam
envolvidos numa espécie de operação de ressuscitação:
eles iniciam processos de cura, como a inflamação e
cicatrização, que podem deixar o corpo pronto para abraçar
uma oportunidade de reiniciar o motor.
De qualquer maneira, a descoberta deixa ainda mais
vaga a definição de “morte”. Cada vez fica
mais claro que morrer é um longo processo, que começa
bem antes da data na nossa certidão de óbito e termina
muito depois dela.
Por mais mórbido que seja pensar nisso, não
deixa de ser fascinante pensar que nosso corpo veio dotado de uma
equipe que, quando chega a hora de fechar, recolhe os copos e coloca
as cadeiras em cima das mesas.
(O crédito desta última frase é
da Morte, personagem de HQ de Neil Gaiman.)
Fonte: http://exame.abril.com.br/tecnologia/assim-que-morremos-genes-sao-ativados-no-nosso-corpo/
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