21/03/2017
Divaldo Pereira Franco no Paraná XIX Conferência
Estadual Espírita. Pinhais
A individualidade é o Espírito que
somos, no corpo em que estamos. Divaldo Franco

Texto: Paulo Salerno
Fotos: Jorge Moehlecke
Estando presente diversas lideranças
e expositores da Doutrina Espírita do Paraná, do Movimento
Espírita brasileiro, do Paraguai e dos Estados Unidos da América,
a XIX Conferência Estadual Espírita foi encerrada. O Presidente
da Federação Espírita do Paraná, Adriano
Greca, sensibilizado, agradeceu o trabalho e o apoio dos colaboradores,
em número expressivo, destacando o trabalho da equipe dos intérpretes
da língua dos sinais – LIBRAS -, as caravanas que se deslocaram
de vários Estados, do Paraguai e dos Estados Unidos da América
para estarem presentes neste ágape espiritual que se desenrolou
durante três dias em Pinhais/PR. O Saldo destes últimos
três dias de intensas atividades foi altamente positivo. Foram,
nas palavras de Jorge Godinho, Presidente da Federação
Espírita Brasileira, momentos de interação dos
dois planos da vida, foram, também, dias de aprendizado e de
reflexões valorizando o maior arcabouço filosófico
que a humanidade possui, O Livro dos Espíritos.
Sem descanso e sem cansaço, Divaldo Franco, orador, médium
e humanista reconhecido internacionalmente, proferiu a conferência
de encerramento abordando o tema Desafios Existências. Destacando
a individualidade, uma das características constituintes do ser
humano segundo Peter Ouspensky (1878 – 1947), o pacifista e dedicado
servidor do Cristo, frisou que essa individualidade tem por meta buscar
o vir a ser, isto é, traçar um perfil desejável
de aprimoramento espiritual e moral. A individualidade é o Espírito
que somos, no corpo em que estamos. Essa individualidade permanece,
a despeito do desaparecimento da indumentária física.
O SELF não se destrói, transitando de corpo em corpo até
alcançar o estado numinoso, segundo Carl Gustav Jung (1875-1961),
psiquiatra suíço e fundador da psicologia analítica,
ou seja, o estabelecimento do Reino de Deus na intimidade do ser humano,
conforme ensinava o Mestre de Nazaré.
A reencarnação tem por meta principal desenvolver o Espírito,
devendo aprender a respeitar o outro, a conviver com os demais, evitando
ferir por qualquer forma o próximo. Assim, o ser lúcido
deverá analisar-se, examinando a sua individualidade, descobrindo
as inclinações más herdadas das ações
realizados no passado.
Narrando a história de Ilse, um caso registrado pelo renomado
psicanalista americano Dr. James Hollis e publicado no livro Os
Pantanais da Alma, Divaldo, um dos mais consagrados oradores e
médium da atualidade, emocionou o numeroso público composto
por cerca de doze mil pessoas, apresentando o drama dessa Polonesa,
radicada nos Estados Unidos da América. Ilse
era uma jovem cristã, que no ano de 1942, enquanto fazia compras,
foi equivocadamente identificada como judia e levada como prisioneira
para terrível campo de concentração na própria
Polônia e depois para outros, como o Bergen-Belsen, na Alemanha.
Seus protestos e apresentação de documentos comprovando
não ser judia não demoveram os inflexíveis soldados
das Tropas SS, que ali estavam para aprisionar todos os que fossem hebreus.
Chegando ao campo de concentração, foi empurrada para
a fila de triagem de onde seria enviada para a câmara de gás
ou para o barracão de prisioneiros.
À sua frente estava uma mulher frágil acompanhada de duas
filhas muito pequenas. Antevendo seu destino, a morte pelo gás,
tentou a enfraquecida mãe, deixar com Ilse ambas as meninas para
que pudessem escapar da morte terrível pela asfixia. Temendo
ser envolvida naquela situação – o que fatalmente
resultaria na sua morte – Ilse empurrou com força as duas
meninas na direção da senhora que já se afastava
em direção a execução. Um soldado nazista
percebendo a tentativa da verdadeira mãe em salvar as filhas,
com requintes de crueldade e impiedade, mandou as meninas para junto
de sua mãe, destinando-as à morte, também.
Ilse jamais esqueceu o olhar daquela mulher fragilizada, física
e emocionalmente, a lhe fitar naquele momento. Ilse jamais se esqueceria
das lágrimas que vertiam daqueles olhos entristecidos, desesperados.
Lutou para não morrer, sobrevivendo a diversos campos de concentração,
sempre aguardando ser selecionada para a morte. Os anos se dobraram
e finalmente o campo de concentração foi liberado pelos
aliados Russos. Ilse estava entre os sobreviventes. Saiu dali como uma
sombra fantasmagórica. Foi para um campo de refugiados e depois
transferida para a Inglaterra.
Mais tarde mudou-se para Chicago, nos Estados Unidos da América,
passando a viver as facilidades do conforto americano, tornando-se bibliotecária.
Certo dia, em seu ambiente de trabalho, encontrou uma coleção
de jornais encadernados do ano de 1942. Esse ano lhe era muito peculiar.
Com as mãos trêmulas pegou o volume, e ao acaso, abre em
uma página onde havia uma fotografia. Ilse se identificou, fora
fotografada no exato momento em que empurrava as garotinhas de volta
para a mãe. Jamais se perdoara. Recusava-se a casar. Não
se considerava digna de ser mãe, nem mesmo se achava digna de
ser amada. Não lograra obter a paz para sua consciência.
Peregrinara por diversas religiões, mas em nenhuma conseguira
encontrar o que tanto almejava: o perdão de sua covardia moral
que resultara na morte de mãe e filhas.
Tomada de profunda angústia e tristeza, Ilse escreveu ao seu
psicanalista pedindo um encontro sigiloso onde somente ela falaria por
um espaço de duas horas, bem como deveria guardar segredo absoluto.
Ao pedido anexou uma fotografia velha, amassada, parecendo ter sido
arrancada de um jornal. Aceita as condições, o encontro
foi marcado. No dia estabelecido, Ilse compareceu ao consultório,
narrou todo o seu drama, informando que na crença judaica, o
pecador que encontrasse três pessoas dignas para se confessar,
seria perdoada. Seu psicanalista foi o primeiro.
Terminada a exposição, o psicanalista disse a ela que
pegasse de volta com a secretária o valor da consulta, pois que
ele não havia contribuído, como profissional, para a melhora
da paciente. No livro em tela, o profissional se perguntava: teria Ilse
encontrado os outros para que se sentisse perdoada?
São esses os espinhos cravados na alma dos indivíduos.
Esses desafios existências são variados e intrincados.
O egoísmo, os vícios físicos e morais, os maus
hábitos, invariavelmente levam os indivíduos aos vales
do sofrimento. As Leis Divinas ou Naturais não podem ser defraudadas,
nem derrogadas, sua ação é educativa e reabilitadora.
Os espinhos cravados na alma perturbam a marcha. Devem ser arrancados
e suas cicatrizes curadas.
O Benfeitor Emmanuel, pela psicografia de Chico Xavier, informa que
somente se poderá considerar vitorioso depois da desencarnação,
pois que a qualquer momento um deslise pode ser praticado e constatar
que, caindo, perdeu as oportunidades de evolução. Assim,
cada qual deverá se manter atento para não cair nas ciladas
do egoísmo, do orgulho, da vaidade, da presunção,
por exemplo.
Jesus há dois mil anos nos espera. Esse ser de luz chama os seus
eleitos à plenitude. Ele deu ao mundo os mecanismos e conhecimentos
para que todos pudessem estar com Ele, redivivo, trabalhando mergulhado
em Seu amor, em verdadeiro ato de doação e entrega incondicional.
Os grandes desafios são as imperfeições, a falta
de fé.
Com narrativas esclarecedoras, Divaldo Franco destaca que a verdade
quase sempre é preterida em favor da fantasia enganadora e bajuladora.
O Espiritismo é instrumento eficaz no despertamento da consciência,
onde o céu e o inferno são construções individuais
e particulares. O Evangelho é Jesus de volta para enxugar as
lágrimas da dor, acolhendo as súplicas dos sofredores
e as lamúrias de tantos. O amor está, como sempre esteve,
presente no seio da humanidade que nem sempre se mostra receptiva à
esta fonte de vida.
Há que se ter coragem de amar para poder abafar a ação
das imperfeições, perdoando e perdoando-se. Cada criatura
humana deve se destacar no amor ao próximo, e ao passo em que
vai se depurando, vai extraindo do imo da alma os espinhos da iniquidade
humana. Cada um deve enfrentar as duras lutas para não se deixar
envolver pelas fraquezas de caráter e que precisam ser trabalhadas.
Mensagem de Bezerra de Menezes
O Benfeitor, pela psicofonia de Divaldo
Franco, deixou sua mensagem acolhedora e instrutiva e anotada segundo
a minha própria percepção, dizendo que deveríamos
nos alegrar esperando que nossos nomes estejam escritos no livro do
Reino dos Céus, atendendo ao doce e suave chamado de Jesus. Não
tergiversar, não se enganar ou enganar a ninguém. O sentido
da vida é amar, tendo Jesus presença assegurada em nossos
corações. Tanto sofrimento, tanta tecnologia de ponta
e tanta carência moral, dominados pelas paixões enganadoras.
Que o nosso esforço seja coroado de luz. Ouvistes as orientações
dos expositores amorosos e deles recebestes as instruções
de bem-viver. Em qualquer circunstância sejas aquele que ama,
que agradece todos os cometimentos da vida. As dores do mundo quando
bem suportadas transformam-se em estrelas de bênçãos.
Fonte: http://www.noticiasespiritas.com.br/2017/MARCO/21-03-2017.htm
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