07/03/2017
Texto: Djair de Souza Ribeiro
Fotos: Sandra Patrocínio
Após 4 (quatro) dias de muita informação
proporcionada pelas séries de palestras esclarecedoras e evangelizadoras,
além da fraternidade e alegrias intraduzíveis o 33º
Congresso Espírita do Estado de Goiás chega ao seu
fim.
Para fechá-lo Divaldo Franco realiza a derradeira
palestra do evento. O tema a ser desenvolvido é o mesmo daquele
adotado como temática central do Congresso que estava encerrando:
Vida: Desafios e Soluções.
As emoções se entrechocam: A alegria pelos
momentos inesquecíveis é tocada pelo clima de saudades
da convivência em uma ambiente onde a atmosfera espiritual a todos
nos repletou.
As conversas animadas dos participantes já possuíam
algo de nostálgico. As bênçãos da Espiritualidade
a todos sensibilizavam, preparando-nos para as emoções
derradeiras daquele banquete de luz.
Foi, neste clima emocional e entre palmas a refletirem
os mais nobres sentimentos do enorme público que lotava o teatro,
que Divaldo Franco dirigiu-se à tribuna.
No meio do enorme silêncio expectante Divaldo
falou:
O célebre caçador de nazistas - 4 (quatro)
vezes indicado ao Prêmio Nobel da Paz - Simon Wiesenthal narra
em o livro O Girassol (1970) que em 1944 era um jovem polonês
e judeu encarcerado no campo de concentração de Mauthausen-Gusen,
localizado próximo da cidade de Linz na Áustria. Amargurado,
sem esperança e indefeso, testemunhou o assassinato da sua
avó e o embarque de sua mãe em um vagão de carga
contendo mulheres judias idosas.
Na condição de mão de obra escrava,
Simon foi destacado para remover o lixo em um hospital para soldados
alemães feridos na ofensiva dos aliados e enquanto trabalhava
acercou-se dele uma enfermeira e certificando-se de que Simon era
judeu lhe fez sinal para que a acompanhasse. Receoso, Simon a seguiu
até um quarto onde um soldado nazista jazia imóvel envolvido
em ataduras.
O soldado, gravemente ferido, era um oficial da SS,
e ele mandara chamar Simon para lhe fazer para uma confissão
no leito de morte.
- Meu nome é Karl - disse uma voz entrecortada e distorcida
pelas ataduras que lhe cobriam grande parte do rosto - Preciso lhe
contar algo que me devasta a alma.
De formação religiosa Católica
alistou-se nas tropas SS havendo retornado recentemente, muito ferido,
do front russo.
Durante um cerco às tropas russas que fugiam
da “máquina nazista” a unidade de Karl fora atraída
a um campo minado que resultou na morte de mais de 30 dos seus soldados.
Como vingança, os SS reuniram 300 (trezentos) judeus, prendendo-os
em sobrado de 3 (três) andares, espalharam combustível
e a incendiaram. Karl ordenara aos seus homens que atirassem contra
qualquer um que tentasse escapar.
Karl fez um breve silêncio e seguiu a narrativa
macabra, que Simon acompanhava tomado de ódio que o silenciava.
- Os gritos das vítimas na casa eram horríveis.
- Divisei um homem com uma criancinha nos braços.
Suas roupas estavam em chamas. Ao lado havia uma mulher, sem dúvida
a mãe da criança. Com a mão livre, o homem cobria
os olhos da criança, depois ele pulou para a rua. Segundos
depois a mãe jogou-se também. Nós atiramos matando
todos aqueles que tentavam fugir!
Dominado pelas emoções dessa insanidade
Karl continuou após algum tempo de silêncio:
- Nunca mais pude esquecer o olhar de incredulidade
daquele menino cujos olhos lhe pareciam perguntar: Por que?
- Sei que em poucas horas morrerei, e por essa razão
solicitei a presença de um judeu. Mas antes queria pedir a
um judeu que me perdoasse pelas atrocidades.
Simon Wiesenthal, olhou para o corpo do homem moribundo,
abriu a porta e deixou o local em silêncio sem conceder o perdão
solicitado.
Através dos anos, Wiesenthal perguntou a muitos
rabinos e sacerdotes o que deveria ter feito. Finalmente, mais de
vinte anos depois da guerra, ele escreveu essa história e submete
o leitor a uma questão:
- O que você teria feito em meu lugar?
Após breve silêncio Divaldo segue no desenvolvimento
do tema.
Desde o instante do nascimento quando nos esgueiramos
pelo canal vaginal a vida se nos opõe dificuldades. Algumas naturais,
próprias da vida física, outras que nos chegam por imposição
de equívocos gerados pelas nossas imprudências, incompetência
ou imprevidência.
Outras ainda nos colhem como necessidade de desenvolver
predicados que carecemos para a nossa evolução moral,
espiritual e intelectual. Como praticar a qualidade do perdão
se ninguém nos magoar ou ferir – moral ou fisicamente?
Há, ainda, as dores acerbas e quase intermináveis
que parecem nos consumir nas labaredas das dores morais e físicas.
São as expiações que nos fazem experimentar –
hoje – as dores com as quais submetemos nosso semelhante em atos
pretéritos.
Não são castigos ou condenações.
São desafios que nos convidam a desenvolver humildade, pureza
de coração, paciência, tolerância, perdão
e resignação. Qualidades preconizadas em o Sermão
das Bens Aventuranças e que nos ensinarão a sermos Benevolentes
com todos. Indulgentes com as falhas alheias. Perdão para com
as faltas que contra nós praticam nossos irmãos. TODAS
elas qualidades que representam o verdadeiro significado da palavra
CARIDADE, conforme o entendimento do Mestre Jesus – Modelo e Guia
de toda a Humanidade.
A solução é então apresentada
pelo Semeador de Estrelas:
Viver – na prática – os ensinamentos
do Mestre Jesus. Aplicando a Caridade em todas as oportunidades e locais
- no lar, no ambiente de trabalho, no lazer – entendendo que a
vida tem um propósito superior: Desenvolver padrões de
pensamento e ação que transforme a nossa Natureza Animal
(instintos e sensações) em Natureza Espiritual a nos permitir
experimentar a paz e a felicidade em sua plenitude.
Diante de tão belos e cristalinos conceitos o
silêncio se fez natural e prosseguiu por um longo hiato até
que uma onda de paz e forte emotividade perpassou todas as almas, iluminando
os corações encharcados de bênçãos.
A voz sublime do espírito Dr. Bezerra de Menezes
se fez ouvir - pela mediunidade psicofônica de Divaldo Franco
- nos convidando a seguir as Pegadas do Nazareno.
Chegava ao fim o 33º Congresso Espírita
do Estado de Goiás.
Fonte: http://www.noticiasespiritas.com.br/2017/MARCO/07-03-2017.htm
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