03/02/2017
Globalização
da Doutrina Kardequiana nos cinco continentes acelera processo de transição
planetária
reportagem USE/SP
De caráter universal, as ideias espíritas
são cada vez mais aceitas nas diferentes culturas, e isso se
explica, porquanto fazem parte da própria natureza humana, independentemente
de origem, língua, raça ou ideologia política.
Por isso mesmo, a sua mensagem libertadora, de fé raciocinada,
encontra acolhida nas culturas mais díspares, na Guatemala ou
Finlândia, Suécia ou Cuba. Mas o Espiritismo, como movimento
organizado, ainda se limita a 44 países do globo, onde conta
em boa parte com a dedicação de espíritas brasileiros
radicados no Exterior.
Nessa expansão, outro aliado importante surge
com vulto significativo — o livro espírita, traduzido ao
idioma de cada país, que vem ganhando mercados na América
espanhola, Estados Unidos, Canadá e em vários países
europeus.
Em Portugal, terceiro maior país espírita do mundo e que
foi sede (pela segunda vez) do Congresso Espírita Mundial encerrado
em outubro passado, esse mercado cresce exponencialmente, com lançamentos
da própria Federação Espírita Portuguesa
(FEP) ou em parceria com editores brasileiros, como a reedição
de Reencarnação no Brasil, de Hernani Guimarães
Andrade.

“Recebemos o suporte digital desta obra, uma
cortesia da Editora O Clarim, a quem agradecemos. E aqui
o livro ganhou uma capa diferente, na versão portuguesa”,
asseverou Vitor Féria, presidente da FEP, em entrevista à
RIE.
Cuba, com mais de 500 instituições registradas,
é outro mercado atraente (apesar dos entraves de natureza política),
além de Guatemala, Estados Unidos, Argentina, França,
Colômbia e Espanha.
“Na Polônia e Finlândia, o movimento
espírita vem crescendo rápido, de forma surpreendente,
graças a boas traduções das obras básicas
na língua local”, assinala Charles Kempf, ex-secretário
geral do Conselho Espírita Internacional (CEI), cargo agora
ocupado por Edwin Bravo (Guatemala).
Segundo Kempf, a educação
recebida no Colégio Yverdon, na Suíça, do mestre
Pestalozzi, conferiu ao seu aluno Hippolyte Léon Denizard Rivail
uma formação multicultural, adquirida na convivência
com jovens de diferentes línguas, religião e nacionalidade.
“Isso permitiu a Allan
Kardec dar às cinco obras da Codificação um caráter
universal, facilitando sua aceitação em muitas culturas”,
analisa o ex-secretário do CEI, que já viveu por quase
dez anos no Brasil.
Nesse aspecto, cabe ressaltar ainda uma vez o pioneirismo
de Cairbar Schutel, que, há mais de 100 anos, mantinha correspondências
com Léon Denis, Gabriel Delanne e Ernesto Bozzano, publicando
artigos desses autores em O Clarim e depois também na Revista
Internacional de Espiritismo.
“Mais tarde, com o esvaziamento do movimento
espírita europeu, o processo se inverteu, e a revista passou
a incluir artigos em inglês e francês para atender leitores
radicados na Europa”, sublinha Aparecido Belvedere, diretor
da Casa Editora.
“Atualmente, a revista é bilíngue,
e a tradução ao espanhol se restringe aos artigos de
Octávio Caúmo Serrano, cuja versão é feita
pelo próprio autor”, completa Belvedere.
Barreira linguística

A barreira linguística, porém, ainda é
o maior obstáculo à expansão da mensagem espírita,
como se pôde ver no 8º Congresso Espírita Mundial,
em que a maioria das palestras foi ministrada em português, ainda
que com tradução simultânea ao francês, inglês
e até o norueguês
“Para o Congresso de 2019, na cidade do México,
os organizadores pretendem garantir que as palestras sejam retransmitidas
também com as traduções, de modo a atingir uma
quantidade ainda maior de pessoas pelo mundo”, observa Kempf.
A estrutura de transmissões montada no Meo Arena
permitiu que o evento fosse acompanhado ao vivo por milhares de internautas,
e as palestras e pronunciamentos ainda são acessados na página
da Associação de Divulgadores do Espiritismo de Portugal
(www.adep.pt/cem).
A divulgação do livro espírita em nível
internacional em várias línguas, com base em parceria
entre o CEI e a Federação Espírita Brasileira,
é um dos projetos ao qual a nova Comissão Executiva do
CEI deve dar prosseguimento. Nesse sentido, muitos esforços já
foram feitos, mas ainda faltam as versões para o árabe,
em fase de revisão final, o mandarim e o hebraico. Com relação
a este, já se tem notícia de que O Livro dos Espíritos
está sendo traduzido ao idioma por uma israelita nativa, assessorada
por alguns brasileiros residentes em Tel Aviv.
“É um trabalho dificílimo, sob
minha coordenação, e que deverá tomar mais alguns
meses no processo de revisão”, informa o professor Severino
Celestino da Silva, que participou do Congresso com os cerca de 90
integrantes da caravana Nos Passos do Mestre, organizada
pela RW Turismo.
“O objetivo dessa obra é apresentar Jesus para os judeus,
porque para estes, lamentavelmente, Jesus é um ilustre desconhecido,
desrespeitado e até não muito amado”, afirmou.
Severino, que já traduziu vários textos
bíblicos diretamente do hebraico, acrescenta que o filme Nos
Passos do Mestre, rodado numa das viagens realizadas ao Egito e
Israel, já foi legendado para quatro idiomas, incluindo o Italiano,
tradução feita por Regina Zanella. No Canadá, o
filme terá legenda em Inglês; e nos outros países,
em Esperanto.
Charles Kempf, na abertura do 8º Congresso
Espírita Mundial, em Lisboa, outubro de 2016.
Com respeito à tradução de O Livro dos Espíritos
ao árabe, um confrade de Santos (SP), Haddad, enviou versão
à USE, que se encarregou de encaminhar o trabalho à FEB
e ao Conselho Espírita Internacional, nas mãos do secretário-geral
Charles Kempf. O trabalho está agora em fase de revisão,
a cargo de um libanês residente em Portugal. O trabalho editorial
está adiantado e já é possível ver a arte-final
do livro, disponível para downoload, no site www.lmsf.org.
Para Charles Kempf, a tradução de O Livro dos Espíritos
ao hebraico terá muitos leitores interessados, pois, como consta
na Revue Spirite, à época da Codificação
muitos israelitas da região de Mulhouse, Alsácia, já
figuravam entre os primeiros adeptos da Doutrina.
“O campo do Espiritismo é o mundo, independentemente
de fronteiras, línguas, culturas, religiões, raças
ou ideologia política. Cabe a cada um de nós trabalhar
mais pela causa que abraçamos, bem como pela unificação
do Movimento Espírita em nível mundial”, concluiu.
Fonte: http://usesp.org.br/novas-traducoes-das-obras-de-kardec-rompem-fronteiras-pelo-mundo/
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