18/12/2016
Inaugurado em 1852 para abrigar os alienados
da Corte e demais províncias do Império, o Hospício
de Pedro II foi a primeira instituição dessa natureza
a funcionar no Brasil. Seu nome homenageava o próprio imperador,
responsável pelo decreto fundador do estabelecimento, que nascia
vinculado à Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro,
principal destino de alienados até então.
Marina Lemle,
jornalista, Blog de HCS-Manguinhos, Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Hospício de Pedro II, Praia Vermelha, Rio
de Janeiro. BERTICHEM, Pieter Godfred. O Brasil pitoresco e monumental.
Rio de Janeiro: Imperial de Rensburg, 1856.
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Desde o final da década de 1970, o primeiro hospício
do Brasil tem merecido destaque em algumas abordagens sobre a história
da psiquiatria, pois teria representado a concretização
do projeto de uma elite médica que tinha como objetivo o controle
social das cidades. Nessas análises, fortemente influenciadas
pela obra de Michel Foucault, o hospício era visto primordialmente
como local de exercício do poder médico, ainda que em
disputa com outras formas de poder.
No artigo “Ciência, caridade e redes de sociabilidade: o Hospício de Pedro II em outras perspectivas”,
publicado em HCS-Manguinhos, volume 23, número 4, Daniele Corrêa
Ribeiro apresenta e discute novas possibilidades de análise da
história da psiquiatria no Brasil a partir do estudo das fichas
de entrada e outros documentos do hospício entre 1883 e 1889.
Os documentos encontram-se sob a guarda do Centro de Documentação
e Memória do Instituto Municipal Nise da Silveira, coordenado
pela autora.
“Buscamos destacar a participação
de atores diversos e as imbricações de diferentes interesses
e demandas em relação ao hospício. Assim, além
do olhar médico-científico, apontamos a importância
de ampliar o debate sobre a instituição, considerando
sua importância, tanto pelo viés caritativo quanto pelo
papel central nas relações políticas e sociais
do Império” (p. 1), revela Daniele Corrêa
Ribeiro, que é doutoranda do Programa de Pós-graduação
em História das Ciências e da Saúde da Casa de
Oswaldo Cruz/Fiocruz.
A pesquisadora acrescenta que a novidade do trabalho
está ligada ao destaque dado às relações
que outros atores, além dos médicos — principalmente
familiares de internos —, estabeleceram com o saber psiquiátrico.
No artigo, Daniele busca demonstrar a complexidade de relações,
demandas e interesses que estavam presentes na administração
e na gestão cotidiana do Hospício de Pedro II no final
do século XIX, mostrando novas chaves interpretativas.
“O papel desempenhado pelas famílias
e as estratégias por elas manejadas para garantir o acesso
àquela instituição convergem para um novo viés
analítico que tem revisto as teorias do controle social, identificando
outros atores sociais fundamentais para aquele processo e, principalmente,
outras demandas e expectativas que se construíam acerca daquele
estabelecimento” (p. 13), afirma.
Para ler os artigos, acesse
RIBEIRO, D. C. Ciência, caridade e redes de sociabilidade:
o Hospício de Pedro II em outras perspectivas. Hist. cienc. saude-Manguinhos
[online]. In press. [viewed 19th October 2016]. ISSN 0104-5970. DOI:
10.1590/S0104-59702016005000023. Available from: http://ref.scielo.org/3bbqh9
RIBEIRO, D. C. Da história da psiquiatria à
construção de uma nova clínica: as contribuições
de Rafael Huertas para os debates historiográficos. Hist. cienc.
saude-Manguinhos [online]. 2015, vol.22, suppl., pp.1781-1788. [viewed
19th October 2016]. ISSN 0104-5970. DOI: 10.1590/S0104-59702015000500017.
Disponível em: http://ref.scielo.org/wpmf4s
Fonte: LEMLE, M. O primeiro hospício
do Brasil e o controle social no fim do século XIX. SciELO em
Perspectiva: Humanas. [viewed 18 December 2016]. Available from: http://humanas.blog.scielo.org/blog/2016/10/28/o-primeiro-hospicio-do-brasil-e-o-controle-social-no-fim-do-seculo-xix/
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