23/11/2016
Fotos: Sandra Patrocinio
Texto: Djair de Souza Ribeiro
“Em sua origem, o homem só tem
instintos; quando mais avançado e corrompido, só
tem sensações; quando instruído e depurado,
tem sentimentos. E o ponto delicado do sentimento é o amor”.
Lázaro, Paris 1862.
O Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo XI Amar o Próximo
como a Si Mesmo, A Lei de Amor, item 8.

A noite do dia 17 de novembro de 2016 representou
para a instituição espírita Lar da Criança
Emmanuel, o Centro Espírita Obreiros do Senhor e o Centro Espírita
Maria Amélia o coroamento de esforços que, desde 2010,
se mobilizaram para as comemorações de meio século
de fundação desses núcleos de amor e caridade.
Nessa data o tribuno Divaldo Franco apresentou-se no
Centro de Formação dos Profissionais de Educação
“Ruth Cardoso” em São Bernardo do Campo, levando
a mais de 2000 pessoas a mensagem de esperança, consolação
e amor, sempre baseada nos ensinamentos de Jesus e Kardec.
Do alto da tribuna Divaldo iniciou sua conferência
com uma frase sintética mas abrangente em seu significado: “O
problema da criatura humana é a própria criatura humana”.
A partir desse introito Divaldo discorre sobre o processo
antropo-psicológico da criatura humana que inicia sua
viagem com a manifestação do Instinto
desdobrado em suas 3(três) abrangências:
1. O Instinto de Reprodução;
2. O instinto de Alimentação;
3. O instinto de Repouso.
Avançando um pouco mais e observar as forças
da Natureza agindo à sua volta, o homem primitivo desenvolve
sua primeira emoção: O Medo que o capacita fisiologicamente
para enfrentar ou fugir das situações perigosas
A partir do medo surgem, então, a ira, a cólera,
o ódio e o desejo de vingança.
Agrupados em suas cavernas e observando a fragilidade
e dependência das crias tem início o desenvolvimento dos
pródromos do nobre sentimento que somente muito mais tarde se
consolidará em sua estrutura psicológica: o amor.
E para nos falar desse amor Divaldo – com a habilidade
e competência habitual desvenda-nos os pensamentos dos grandes
estudiosos da criatura humana.
Citando o sociólogo, médico psiquiatra
e psicólogo o professor Emilio Mira y Lopez (1896-1964) que,
do ponto de vista psicológico o ser humano é constituído
de cinco (5) elementos:
1. Personalidade (A máscara que afivelamos à
face).
2. Conhecimento (São as aquisições
intelectivas e formada pelas lições de aprendizagem)
3. Identificação (São as sintonias
daquilo com o que nos afinizamos)
4. Consciência (Que atuando com o Conhecimento
formam a base do discernimento). A consciência possui níveis
diferenciados como conceituou Pedro Ouspensky:
4.1. Consciência de sono SEM sonhos (Só
pensa em si próprio: É meu)
4.2. Consciência de sono COM sonhos (Já
passamos a ter ideais e não somente o desejo de acumular)
4.3. Consciência de sono ACORDADO (A consciência
que não mais está sonolenta pelo egoísmo)
4.4. Consciência de SÍ mesmo. (Quando
o Ego - a máscara que afivelamos à face e que luta por
defender a qualquer preço nossa Individualidade - toma conhecimento
dos conteúdos psíquicos). Em outras palavras: É
quando eu sei fazer o que DEVO quando POSSO e –
também - fazer o que POSSO quando DEVO).
Nesse ponto Divaldo ilustra que as crises – morais, sociais,
econômicas – vem do fato de realizarmos o que PODEMOS
quando NÃO DEVEMOS e fazer o que DEVEMOS quando NÃO
PODEMOS.
Ainda no item de Consciência de SÍ mesmo
Divaldo alonga maiores esclarecimentos e enumera as 7 (sete) funções
que a Consciência vai permitir controlar na máquina orgânica:
I) Função Emocional; II) Função Intelectiva;
III) Função do Instinto; IV) Função dos
Movimentos; V) Função Sexual (Expressões Feminina
_Anima - e Masculina – Animus - permitindo equilibrar a psicologia
à anatomia); VI) Função Emoção
Superior e VII) Função Intelectiva Superior.
4.5. Consciência Cósmica. (Já
não sou eu quem vive, mas Cristo que vive em mim. Paulo - Gálatas
2:20)
5. Individualidade (O elemento que o egoísmo
procura defender a todo custo).
Finda esse périplo pela conceituação acadêmica
da consciência Divaldo adentra à parte final da conferência
abordando a parte moral do tema:
Allan Kardec, através da questão 625 de
O Livro dos Espíritos, indaga aos Espíritos Superiores:
Qual o tipo mais perfeito que Deus ofereceu aos homens, para lhe servir
de modelo e guia?
Ao que os Numes tutelares da humanidade respondem sinteticamente:
Jesus;
Jesus é o Modelo, Guia e Mestre de toda a Humanidade
que, com seu amor incondicional por todos nós, é exemplo
para nossos comportamentos e que nos indica a direção
a seguir além de nos legar ensinamentos imortalizados na forma
sucinta do Sermão da Montanha, principalmente nas Bem Aventuranças.
Jesus vem subverter o entendimento dos conceitos gerados
pela falta de consciência da época e que perduram até
os dias atuais. Herói era aquele destruía aos inimigos
e Vitorioso era aquele que conquistava a todos e a tudo esmagando e
derramando o sangue.
Para aqueles que já têm a consciência
iluminada pelos ensinamentos do Cristo o Herói é aquele
que vence a Sí mesmo e Vitorioso é aquele que controla
as suas más inclinações e vence as suas tendências
malignas.
O Espiritismo vem despertar a nossa consciência
para a necessidade de encontrarmos um sentido psicológico para
a vida deixando a fase do primarismo representado pelos instintos e
as sensações.
O sentido da vida, conforme nos ensinou Jesus, é
AMAR.
Nós somos mais do que o ser definido pelos antropologistas:
Bípede e emocional. Somos também aqueles que trazemos
na alma a presença de Deus e nascidos para amar, pois o amor
é o ápice do nosso processo evolutivo ético e moral.
Divaldo silencia e arremata: A vida tem que ter um significado:
O desenvolvimento do amor.
Concluindo o seminário Divaldo estendeu a todos
o convite que lhe foi formulado por Joanna de Ângelis de que devemos
abrir o carinho das nossas emoções e sentimentos ao nosso
próximo buscando aqueles que são “invisíveis”
na sociedade, os esquecidos e marginalizados, contribuindo para torná-los
dignos e socialmente visíveis.
Divaldo narra sua experiência pessoal quando,
convidado por Joanna de Ângelis, abraçou um simples garçom
e ao estabelecer diálogo com ele, veio a descobrir que o abraço
recebido o fez abandonar a decisão de cometer suicídio,
posto que experimentava a dolorosa injunção do câncer.
Emocionados – e felizes - lentamente todos foram
se retirando com os ensinamentos de Jesus ainda repercutindo na acústica
da alma, convidando-nos a todos a sermos felizes. HOJE.

Fonte: http://www.noticiasespiritas.com.br/2016/NOVEMBRO/21-11-2016.htm
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