15/10/2016
Mãe batiza os filhos e se assusta
ao descobrir intolerância nas redes sociais
por Naiane Mesquita
Campo Grande News

Alinny, João Gabriel, Ana Valentina e Galdino
juntos no batismo das crianças
(Foto: Sarah Garcia)
Aos 11 anos de idade, Alinny sentiu
pela primeira vez a mediunidade aflorar. Na adolescência encontrou
consolo e algumas explicações no espiritismo kardecista,
nos centros que frequentava em Campo Grande e Paranaíba, onde
fez psicologia. Mesmo assim, nunca se encontrou. Sentia que faltava
algo. Foi só em 2014 que descobriu as respostas na Umbanda. Convertida
ao lado do marido, ela decidiu batizar os filhos na fé que escolheu.
Mas ao contar o momento especial da família no Facebook, o que
recebeu foi intolerância.
O caminho religioso que percorreu até os 29 anos deu a Alinny
a certeza de que deveria batizar os filhos na sua crença. Ao
lado do marido, Galdino Afonso Vilela, ela participou de uma cerimônia
simples, em que as crianças vestidas de branco e com flores na
cabeça receberam a benção para seguir nessa vida.
Porém, a fé que não é a da maioria incomodou
amigos e familiares, que a condenaram.
“No primeiro momento eu senti
raiva. Depois eu fiquei feliz pelas pessoas que me defenderam. Que
podem não entender, mas que respeitaram a minha escolha e a
do meu marido”, afirma Alinny Karen Bachi Rehbein Vilela.
Na postagem, há quem peça
perdão pelos anjinhos, que estariam pagando pela ignorância
dos pais.
As crianças, Ana Valentina, 3
anos e João Gabriel, de 1 ano e 3 meses, segundo Alinny, adoram
frequentar as cerimônias de Umbanda. A pequena, inclusive, costuma
dormir ao som dos cantos.
“Eu tinha preconceito também
porque a minha formação é católica, meu
pai é luterano e minha mãe era católica, é
ainda. No próprio espiritismo, algumas pessoas discriminam,
mas quando me informei e conheci isso passou”, explica.
Psicóloga por formação
e atualmente em casa para cuidar das crianças, a jovem mãe
ainda sentiu o nervo ciático atacar. Estudiosa, ela demonstra
muito conhecimento na história da Umbanda, em cada representação
de divindidade.
"Eu leio muito, sempre gostei
de me informar, de estudar a fundo", conta
Para ela, o que mais dói é
o julgamento.
“Era um momento de extrema felicidade
nas nossas vidas, que tomou outro caminho por conta da intolerância
religiosa das pessoas”, ressalta.

Em oração no terrero de Umbanda
(Foto: Sarah Garcia)
Por incluir a imagem de Nossa Senhora
Aparecida na cerimônia, que foi feita no dia 12 de outubro, dia
da Santa e das crianças, Alinny foi condenada por alguns católicos.
Na crença da Umbanda, Oxum seria a protetora das gestantes, da
fecundidade, portanto, uma associação a Nossa Senhora.
“Só usamos flores e cristais,
não há sacrifício de animais ou qualquer vibração
ruim, não tem excesso de bebida, eu e meu marido nem bebemos.
As pessoas confundem muito, criam um misticismo”, explica.
O consolo foi perceber que alguns amigos
estão abertos a ouvir e conhecer o outro lado.
“Nem todos os padrinhos das
crianças foram na cerimônia, mas minha avó e minha
mãe sim, muita gente me apoiou no Facebook, na publicação,
então sentimos que existe uma compreensão e isso que
nos dá forças”, acredita.
O que fica é a lição
de que a fé não deve ser julgada por ninguém, apenas
respeitada, como uma liberdade essencial do ser, o de acreditar no que
quiser.
“Meu pai de santo nem dormiu
a noite que tudo aconteceu porque ficou triste, ele é a terceira
geração de umbandista da família e contou que
não queria que nós passássemos pelo que ele passou,
de discriminação”, reflete.
Fonte: http://www.campograndenews.com.br/lado-b/comportamento-23-08-2011-08/mae-batiza-os-filhos-e-se-assusta-ao-descobrir-intolerancia-nas-redes-sociais
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