15/10/2016
COMO FOI O 8º CONGRESSO ESPÍRITA
MUNDIAL?
por Paulo A. Baía Mourinha

8º Congresso Espírita
Mundial - Congressistas de 42 nações estiveram em Portugal
em Defesa da Vida
Nos dias 7, 8 e 9 de Outubro, a sala Tejo
da Meo Arena, tornou-se pequena para receber os mais de 2000 congressistas
que vieram de todas as partes do mundo para assistir a um conjunto de
22 conferências proferidas por médicos, psicólogos,
juristas, jornalistas, professores, engenheiros, economistas e gestores,
em torno do tema: Em Defesa da Vida.
Com a Organização do Conselho Espírita Internacional
e a coordenação da Federação Espírita
Portuguesa, o 8º CEM teve inicio com dois lindíssimos momentos
culturais de autoria da bailarina Isabela Faria, da pianista Joana Vieira
Shumova e do violoncelista Mikhail Shumov.
Após a constituição da mesa inicial do congresso,
tomaram a palavra cada um dos participantes da mesma. Começou
Vítor Féria (presidente da Federação Espírita
Portuguesa) que deu as boas vindas aos congressistas do 8º CEM
e pediu a Raul Teixeira que fizesse a prece de abertura dos trabalhos.
Momento de sentida emoção que permitiu perceber o laço
profundamente empático entre todos os presentes.
De seguida tomou a palavra Charles Kempf (secretário geral do
CEI) que abordou a história dos Congressos Espíritas Mundiais,
a sua importância e as suas figuras históricas.
Seguiu-se a muito festejada conferência de Divaldo Pereira Franco
que durante cerca de uma hora, trouxe uma perspetiva histórica
da busca humana pelo sentido da vida e do seu valor.
Após o intervalo, seguiu-se um bloco de palestras que começou
com a Engenheira Nuclear Rejane Planer e a sua abordagem à Cosmologia
Espírita. Seguiu-se o tema Vida e Ciência
apresentado pelo orador espanhol, António Lledó.
O jornalista e diretor da FEBTV, Carlos Campetti tomou então
a palavra para nos falar acerca do Diálogo de Jesus.
Faltava apenas José Roberto Santos (diretor científico
da AME-ES) se dirigir à plateia com o tema Eutanásia
e Distanásia.
A tarde encerraria no auditório com mais um momento cultural,
desta vez a cargo da voz suave e doce da intérprete Sílvia
Torres, conhecida também como Sonasfly.
Importante referir que antes dos trabalhos no auditório e durante
os seus intervalos, nas outras salas decorriam atividades: venda de
livros dos muitos autores presentes e de obras importantes do espiritismo
à exibição de e-posters científicos que
ao longo dos 3 dias focaram os seguintes temas: Epigenética (Paulo
Mourinha); Musicoterapia (João Paulo Gomes); Arte (Renata Gastal
Gomes); Vida Animal (Edison Siqueira); Educação Espírita
(Associação Dialogar); O que é a Física
Quântica (Nuno Cruz); Quântica, Espiritualidade e Saúde
(Moacir Lima – Programa Orientadorima); Homeopatia (Paulo Mourinha);
Nutrição e Saúde (Ana Sofia); PO2E – Programa
Orientador para a Educação Espírita de Crianças
e Jovens (Ana Duarte).
Noutra sala, decorreram as entrevistas a várias figuras do movimento
espírita e conferências de imprensa.
O segundo dia do congresso (dia 8), iniciou-se com o vibrante poder
vocal dos dois contratenores: Luís Peças e João
Paulo Peças, que colocaram a sala numa atmosfera de deleite auditivo,
como sempre acontece quando se escuta música de qualidade superior.
Os apresentadores da manhã (Marta Rosa e Esteves Teiga) anunciaram
então o primeiro orador: o coronel na reserva, João Gonçalves
e a sua abordagem ao Pensamento Sistémico. Posteriormente
seguido pelo especialista em marketing digital, Vasco Marques, que nos
esclareceu acerca do Mundo Digital. Para encerrar este bloco
completamente português, veio José Lucas (tenente-coronel
na reserva) apresentar As Provas Científicas da Fluidoterapia.
Após o intervalo, foi constituído um painel para trabalhar
a questão do suicídio, composto por: Filipa Ribeiro (jornalista);
Carlos G. Gomes (profissional de inteligência empresarial); Dalva
Sousa (professora); Alexandre Silva (jurista); Gelson L. Roberto (psicólogo).
Este painel foi coordenado pela presidente da Federação
Espírita dos Estados Unidos, Jussara Korngold.
Foi então a vez do administrador de propriedades, Manuel de La
Cruz nos falar sobre o Aborto contando para isso até
com convidadas em palco.
Era chegado o momento para o almoço e a alegria continuava presente
na sala. Para iniciar a tarde, nada melhor que ouvir a harpista Helena
Madeira, que nos transportou aos planos mais elevados da vida, mercê
dos acordes celestiais da harpa e da sua encantadora voz.
Marlon Reikdal, psicólogo clínico, discursou sobre o Inimigo
em Mim, abrindo o primeiro bloco da tarde. E quando já só
faltavam cinco minutos para as 16 horas, Gláucia Lima, Psiquiatra
de profissão dissertou sobre Disforia de Sexo. A professora
Ana Duarte encerrou então este bloco com uma abordagem à
Dislexia - Humildade e Aprendizagem.
Após o intervalo, formou-se mais um painel, desta vez para dialogar
sobre a Educação. Com a coordenação da psicóloga
Miriam Masotti Dusi, juntaram-se ao painel: Vera Milano (funcionária
reformada do Banco do Brasil); Milcíades Torres (gerente Comercial);
Vera Leite (empresária); Leonor Leal (técnica de RH) e
Alessandro Viana de Paula (magistrado).
Seguiram-se as 3 palestras individuais da tarde, começando com
o médico Luténio Faria e o seu tema Medo da Velhice.
Foi então a vez do neuropsicólogo Paulo Mourinha debater
o tema A Ética Espírita e o Pensamento Ecológico
Profundo.
Ficando o encerramento a cargo do jornalista brasileiro, André
Trigueiro, com o tema Espiritismo e Ecologia.
O dia mais preenchido do Congresso - envolveu 20 conferencistas - terminava
e nem por isso se sentia desgaste ou cansaço na vasta plateia
que se renovava em conversas e afetuosos abraços muito para além
da última sílaba ter sido proferida pelos apresentadores
da tarde (Nuno Cruz e Isabel Piscarreta).
Chegávamos então ao derradeiro dia.
9 de Outubro, dia marcado pelo auto de fé de Barcelona, que em
1861 tentou destruir ideias, mas que se ficou pela transformação
de papel em cinzas.
Antes que as palestras tomassem conta do auditório, Maurício
Virgens, barítono brasileiro, encheu literalmente o auditório
com a pujança de um registo vocal capaz de criar uma parede de
som ao mesmo tempo imponente e enternecedora.
Aproveitando a atmosfera especial, Xavier Llobet, advogado de profissão
lembrou os acontecimentos do Auto de Fé de Barcelona,
tão distantes e no entanto tão perto.
Minutos depois tomava o palco, o presidente da Federação
Espírita Brasileira para desenvolver o tema Espiritismo e
Vida.
Faltava que antes que a palavra fosse de novo devolvida a Divaldo Pereira
Franco, se fizesse uma homenagem Em Louvor à Vida e ao Amor,
cortesia de Iris e Cláudio Sinoti.

Foi então já com uma sensação
de "fim de festa" que o grande orador baiano tomou a palavra
para fazer uma súmula acerca dos temas do 8º Congresso Espírita
Mundial e da necessária responsabilização pessoal
de cada espírita que ouvindo os conteúdos precisa de os
transformar em atitudes diárias. E para enorme alegria dos congressistas
que enchiam completamente a Sala Tejo, o Mundo Maior se manifestou através
da psicofonia de Divaldo, articulando a mensagem de Bezerra de Menezes,
toda ela um convite à superação pessoal através
do amor, num mundo que passando por tribulações, precisa
de alcançar a verdadeira fraternidade, a única capaz de
unir os homens.
Após esta tão importante mensagem, faltavam apenas as
despedidas que ocorreram em apoteose, com toda a organização
a ser aplaudida de pé pelos congressistas ao som do "Hino
à Alegria" que por essa altura Maurício Virgens cantava
ininterruptamente, em diferentes idiomas.
Últimas palavras (emocionadas) de agradecimento
do presidente da Federação Espírita Portuguesa,
a todos os presentes e eis que as cortinas se fecharam pela última
vez no 8º Congresso Espírita Mundial.
Um misto de saudades e de dever cumprido inundava a
maioria dos corações. Abraços, sorrisos, olhos
inundados de lágrimas temperavam o afeto com água salgada…
Até breve diziam uns aos outros.
Até ao 9º Congresso Espírita Mundial,
dizemos nós!
* visitem o site da organização do evento,
com vídeos, aúdios e fotos das apresentações
- http://www.adep.pt/cem