30/07/2016
O amor dói, mas nós
seguimos amando
por Robb Todd
Apesar dos inúmeros alertas
em contrário por parte da ciência e da estatística,
as pessoas continuam se apaixonando umas pelas outras. Isso é
especialmente desanimador, visto que um estudo de longa duração
sobre a felicidade salienta a importância das relações
com pessoas amadas

Apesar dos inúmeros alertas em contrário
por parte da ciência e da estatística, as pessoas continuam
se apaixonando umas pelas outras.
“As chances de ter um casamento
feliz não devem passar de uma em três”, escreveu
David Brooks no “New York Times”.
Isso é especialmente desanimador,
visto que um estudo de longa duração sobre a felicidade
salienta a importância das relações com pessoas
amadas, informou o jornal.
Nem Shakespeare conseguiria escrever um soneto para
consolar amantes malfadados depois de ler estes números: 15%
a 20% dos cônjuges que estão felizes no relacionamento
dizem que essa felicidade vem do sexo, enquanto 50% a 70% dos cônjuges
infelizes atribuem seu desespero ao mesmo motivo, relatou
Brooks.
Um relacionamento infeliz não destrói
apenas corações. Outro estudo apontou uma ligação
entre a maneira como um parceiro briga e os problemas físicos
que desenvolverá posteriormente. O “NYT” noticiou
que pessoas que “ferviam” de raiva durante discussões
tinham mais propensão a problemas cardíacos que as que
se mantinham calmas. Se a pessoa dá respostas evasivas ao cônjuge,
há um risco maior de dores no pescoço e nas costas. As
únicas reações seguras, segundo o estudo, são
ainda mais deprimentes: tristeza e medo.
Com tantas brigas, certamente há suficientes casais em conflito
para que cardiologistas e quiropatas possam se dar ao luxo de ter iates.
Os relacionamentos sem amor também afetam a saúde
— e as finanças futuras — dos filhos.
“Bebês que tiveram padrões de apego
ruins tinham, aos 32, quase o triplo de propensão a doenças
crônicas do que os bebês que tiveram uma relação
de apego mais segura”, escreveu Brooks.
Ele acrescentou que homens criados em famílias
infelizes ganhavam 50% menos ao longo das suas carreiras e tinham mais
propensão à demência do que homens criados em lares
felizes.
A falta de amor nos relacionamentos, no entanto, raramente
é uma questão de incompatibilidade. Apenas 0,5% da satisfação
conjugal decorre da semelhança com o parceiro, segundo um estudo
com 23 mil casais.
“A compatibilidade é uma conquista do
amor, não deve ser a pré-condição”,
escreveu Alain de Botton no “NYT”.
Essa é uma boa notícia, pois, para ele,
é quase certo que todo mundo vai se casar com a pessoa errada.
Porque não há pessoa certa.
“A capacidade de tolerar diferenças com
generosidade é o verdadeiro indicador da pessoa ‘não
errada demais’”, escreveu Botton.
Em vez de abandonar um casamento insatisfatório,
ele disse que as pessoas deveriam deixar de lado “a ideia romântica
sobre a qual a compreensão ocidental do casamento se baseia há
250 anos: a de que existe um ser perfeito capaz de satisfazer todas
as nossas necessidades e o nosso desejo.”
Escolher um parceiro é “apenas questão
de identificar por qual variedade particular de sofrimento mais gostaríamos
de nos sacrificar”, afirmou Botton.
Qualquer que seja o tipo escolhido, há uma coisa
simples que pode ajudar.
O corpo percebe a tristeza amorosa com uma dor física,
escreveu Melissa Hill no “NYT”.
“O amor ativa os mesmos centros neurológico
de recompensa que a cocaína, e perder o amor pode ser como
passar por uma abstinência após largar de repente as
drogas ou o álcool.”
Felizmente, um estudo constatou que o paracetamol reduz
as reações físicas e neurológicas associadas
a esse tipo de dor.
“Então, se o sofrimento é tanto
que chega a causar dor de cabeça”, escreveu ela, “experimente
tomar um Tylenol.”
Fonte: http://nytiw.folha.uol.com.br/?url=/folha/content/view/full/45603/#/folha/content/view/full/45603
>>> clique aqui para acessar a página principal
de Notícias
>>>
clique aqui para voltar a página inicial do site
>>>
clique para ir direto para a primeira página de Artigos, Teses e Publicações