18/07/2016
por Sara Marino

O Periscope tirou do ar o vídeo do suicídio
de uma mulher que se jogou
debaixo de um trem na periferia de Paris em maio deste ano (Christophe
Ena/Associated Press)
O mundo moderno é um mundo mais perigoso,
pelo menos segundo um critério. Os índices de suicídio
subiram 60% em todo o mundo nos últimos 45 anos e 24% nos EUA
entre 1994 e 2014. Alguns desses momentos de desespero foram captados
pelas mídias sociais, e o mundo tecnológico foi forçado
a reagir. Empresas como Facebook, Twitter e Periscope vêm tomando
medidas para ajudar pessoas que passam por momentos críticos.
Em 2014, a corretora imobiliária
Carrie Simmons, de Seattle, viu um amigo postar uma mensagem que parecia
a carta de um suicida. Simmons então procurou a polícia,
que localizou seu amigo em um carro, com uma pistola na mão.
Os policiais intervieram antes que ele pudesse usar a arma.
“Se eu já não
soubesse algo sobre prevenção de suicídio ou
não tivesse visto a mensagem dele no Facebook, não sei
se teria tido a iniciativa de telefonar”, disse.
Seu amigo teve sorte por Simmons saber
o que precisava ser feito, mas a maioria das pessoas não sabe
como reagir a comportamentos suicidas.
O Facebook percebeu que alguns de seus
1,65 bilhão de usuários ativos podem compartilhar seus
sentimentos quando estão deprimidos; em junho, a empresa lançou
um elemento novo que permite a um amigo marcar um post que seja preocupante.
Esses posts são revistos por funcionários do Facebook
que ficam de plantão 24 horas por dia e são treinados
para estender uma mão a pessoas em risco.
“As pessoas realmente querem
ajudar, mas em muitos casos não sabem o que dizer, o que fazer
ou como ajudar seus amigos”, disse Vanessa Callison-Burch, uma
gerente do Facebook.
Em seguida, o Facebook entra em contato
com a pessoa e a aconselha a conversar com um amigo ou chamar uma linha
telefônica para prevenção de suicídios.
O Twitter também entrou em ação
contra o suicídio, oferecendo a seus usuários um formulário
que podem enviar à empresa se desconfiam que outro usuário
esteja tendo pensamentos suicidas. Em sua seção de Recursos,
o Twitter inclui uma página que conduz o usuário dos EUA
a sites como Crisis Text Line e Lifeline.
O Periscope tem a preocupação
direta de controlar o que seus usuários podem ver. Em maio, uma
mulher de 19 anos na França, chamada Océane, jogou-se
debaixo de um trem, transmitindo seu suicídio ao vivo no Periscope.
O suicídio de Océane foi
apenas um entre vários casos em que pessoas transmitiram suas
mortes em live streaming. O Periscope, que pertence ao Twitter, tirou
do ar o vídeo de Océane, mas trechos ainda podem ser encontrados
no YouTube com o suicídio propriamente dito deletado.
Thomas Husson, analista de tecnologia
na Forrester Research e residente em Paris, disse que com as ferramentas
de live streaming não há como evitar que acontecimentos
trágicos sejam registrados.
“Vivemos numa ditadura do tempo
real”, diz.
Fonte: http://nytiw.folha.uol.com.br/#/folha/content/view/full/44879
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