18/07/2016

Este caso descrito pela primeira vez em
2007 ainda tem deixado pesquisadores confusos. Um homem francês
com apenas 10% do cérebro conseguia manter uma vida relativamente
normal, sem nem perceber que havia algo de errado com ele. O que intriga
os cientistas é: como alguém pode perder a maioria de
seus neurônios e ainda assim manter a consciência de si
mesmo e do mundo ao seu redor?
O homem, que não teve o nome revelado, tinha 44 anos quando procurou
um médico por que sentia uma leve fraqueza na perna esquerda.
O médico pediu exames de imagem de seu cérebro e descobriu
que praticamente toda a região que deveria conter tecido cerebral,
na verdade estava cheia de líquido. Apenas uma fina camada do
cérebro se manteve intacto.
Médicos acreditam que a maior parte
do seu cérebro foi sendo destruída lentamente nos 30 anos
em que o líquido foi se acumulando. Quando nasceu, o homem foi
disgnosticado com hidrocefalia, e tinha um stent até os 14 anos
que impedia o acúmulo de fluido. Com esta idade, porém,
a endoprótese foi removida, e o seu cérebro começou
a sofrer lenta erosão.
Mesmo com o que sobrou do cérebro, o homem não é
considerado mentalmente deficiente. Ele tem um QI baixo – de apenas
75 – , mas na época da publicação do caso
trabalhava como funcionário público e criava dois filhos
saudáveis. Além da fraqueza na perna, ele não tinha
outros sintomas neurológicos.
Condições para a consciência
O caso provocou questionamentos sobre o que é
necessário para que um ser tenha consciência. No passado,
cientistas sugeriam que a consciência estava ligada a áreas
específicas do cérebro, como o Claustro.
Mas se essa hipótese fosse correta, o homem francês não
poderia ter consciência, já que esta parte estava ausente.
“Qualquer teoria sobre consciência deve
explicar como uma pessoa como aquela, sem 90% dos neurônios,
ainda consegue ter um comportamento normal”, diz Axel Cleeremans,
psicólogo cognitivo da Universidade Livre de Bruxelas (Bélgica).
Em outras palavras, é improvável que
uma área específica seja a responsável pela consciência.
Aprendizado constante
Cleerremans acredita que o cérebro consiga aprender
a consciência infinitas vezes, ao invés de nascer com ela.
Isso significa que sua localização pode ser flexível
e envolver diferentes partes do cérebro.
“Consciência é a teoria não
conceitual que o cérebro aprende sobre ele mesmo, adquirida
com a experiência – ou seja, aprendendo, interagindo consigo
mesmo, com o mundo e com outras pessoas”, diz ele.
Sua hipótese, chamada de “tese da plasticidade
radical”, foi apresentada no último mês de junho
em Buenos Aires, na conferência da Associação do
Estudo Científico da Consciência.
Para o pesquisador, o cérebro do homem francês provavelmente
conseguiu se adaptar à erosão causada pelo acúmulo
de líquido e compensar nas áreas restantes as atividades
que normalmente aconteceriam na parte ausente.
Fonte: http://hypescience.com/homem-que-vive-sem-90-do-cerebro-desafia-o-conceito-de-consciencia/?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+feedburner%2Fxgpv+%28HypeScience%29
- site em inglês - http://www.sciencealert.com/a-man-who-lives-without-90-of-his-brain-is-challenging-our-understanding-of-consciousness
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