14/06/2016

Se a 4ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil
revelou que o brasileiro é um povo que lê majoritariamente
a Bíblia, agora um estudo realizado pela Fundação
Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) para a Câmera Brasileira
do Livro (CBL) e para o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL)
referente aos números do setor editorial brasileiro no ano de
2015 comprova que o momento é mesmo dos títulos ligados
às religiões. Em um ano de retração para
o mercado, a participação do nicho religioso no total
de exemplares produzidos no país saltou de 16,24% (2014) para
19,62%, sendo a segunda categoria com mais livros fabricados por aqui,
atrás apenas dos didáticos, que correspondem a 49,1% do
que foi produzido em 2015.
E se a participação dos religiosos cresceu, a literatura,
por sua vez, perdeu espaço. 7,08% dos livros produzidos no país
em 2015 foram de Literatura Adulta (contra 9,67% em 2014, uma retração
que representa mais de 15 milhões de exemplares), 2,58% foram
de Literatura Infantil (contra 7,43% em 2014, o que significa quase
25 milhões de unidades a menos) e 2,52% de Literatura Juvenil
(que em 2014 representava 4,01%). Essa redução abissal
nos infantis e juvenis está diretamente ligada à estagnação
do Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE), do Governo Federal,
que havia adquirido 19 milhões de exemplares em 2014, mas que
em 2015 não comprou uma unidade sequer.
Tudo isso está dentro de um cenário global de encolhimento
nos números. No ano passado, o setor produziu 446,84 milhões
de exemplares, vendeu 389,27 milhões e faturou R$5,23 bilhões.
Comparado a 2014, os dados representem uma queda real (já considerando
a variação do IPCA) de 12,63%, enquanto o número
de livros fabricados caiu 10,87% (redução de 54,6 milhões
de unidades) e o de comercializados, 10,65%.
Com as vendas voltadas para o governo, as editoras faturaram R$1,22
bilhão ao longo de 2015 (cifras 0,86% menores do que em 2014).
No entanto, o número de títulos adquiridos por órgãos
públicos foi bem menor: 134,59 milhões (14,98% a menos
do que no período anterior). Além do PNBE, o programa
Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (PNAIC)
também não realizou compras no ano passado.
A pesquisa Fipe ainda indica que foram editados 52,42 mil títulos
em 2015, dos quais 17.282 mil são novos (em 2014 tinham sido
19.285 novos). Levando em conta o total de exemplares produzidos no
país, a tiragem média de cada obra ficou em 8,52 mil exemplares
– em 2014 havia sido 8,24 mil. O total de títulos teve
queda de 13,81%. Levando em conta apenas os novos, o recuo foi de 10,39%.
Fonte: http://paginacinco.blogosfera.uol.com.br/2016/06/01/pesquisa-mostra-ascensao-de-livros-religiosos-e-queda-da-literatura-no-pais/
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