17/01/2016
por Nilson Xavier

Rafael Cardoso e Paolla Oliveira com a autora
Elizabeth Jhin
(Foto: Ellen Soares/Gshow)
Muito original a premissa de “Além
do Tempo'' – a novela das seis, de Elizabeth
Jhin, que terminou nesta sexta, 15/01 – inverter os papeis
dos personagens em encarnações diferentes, de vilão
a vítima (e vice-versa), para o julgamento do público.
Culpado ou inocente? Ou nem tanto? O maniqueísmo, tão
inerente às telenovelas, tem aqui uma reviravolta sui generis:
o mau em uma vida ficou bonzinho na outra, com as maldades justificadas
e, por fim, expiadas. Desta forma, a autora propôs uma espécie
de nova configuração do maniqueísmo.
O livre arbítrio pode favorecer a expiação de erros
nesta vida – como o que aconteceu com Bento (Luiz Carlos
Vasconcelos) na segunda fase da novela, que, de mau, regenerou-se.
Já Emília e Vitória (Ana Beatriz Nogueira
e Irene Ravache) precisaram de 150 anos para acertarem
as contas. O público sabia que Emília sofreu nas mãos
de Vitória no século 19 e presenciou a vingança
que ela impôs, na atualidade, à sua antiga rival. Ao final,
a redenção e o perdão justificaram, explicaram
e expiaram dissabores do passado, dessa vida e de anteriores. E o público
como testemunha. Entrecho irresistível, não? Maniqueísta
pero no mucho: o mau, afinal, não era tão mau
assim, e tinha lá os seus motivos. Contudo, o amor venceu.
Ainda que, para tecer sua trama, a autora referenciasse o Kardecismo,
com personagens filosofando doutrinariamente – como os diálogos
entre o anjo Ariel (Michel Melamed) e seu mestre (Othon
Bastos) -, Elizabeth Jhin usou todos os recursos
do folhetim para cativar a audiência, com histórias envolventes
e personagens carismáticos. Discutiu racismo e alienação
parental e foi tão sagaz em sua carpintaria, que, mesmo com poucos
acontecimentos se desenrolando na maioria dos capítulos (o que
poderia caracterizar embromação), estes sempre terminavam
com bons ganchos. Desta forma, o espectador tinha a sensação
de que algo acontecia – porém, tudo se resolvia rapidamente
no início do capítulo seguinte (com exceção,
logicamente, das últimas semanas da primeira e segunda fases,
que foram ágeis).
Dessa forma, não houve “barriga'' (jargão
aplicado àquele período da novela em que nada acontece),
já que a autora, na maioria das vezes, brindou o seu público
cativo com algum gancho que o levasse a continuar ligado na novela no
dia seguinte. Mesmo na segunda fase, quando “Além
do Tempo'' deu mostras de perder fôlego. Enquanto a primeira
parte da história explicou a trama central e os antecendentes
dos personagens principais (Vitória x Emília + triângulo
Lívia-Felipe-Melissa), a fase seguinte restringiu-se à
vingança de Emília contra sua mãe Vitória,
enquanto o triângulo amoroso central (Lívia-Felipe-Melissa)
praticamente repetiu a mesma trama da fase anterior – inclusive
com quase o mesmo final.
I
Irene Ravache e Ana Beatriz Nogueira (Foto: Reprodução)
Produção, elenco e direção
Não foi só a trama e a técnica da autora que tornaram
esta uma das mais originais novelas dos últimos tempos. Pouco
disso surtiria efeito não fosse a direção primorosa
(Rogério Gomes, Pedro Vasconcellos e equipe), a produção
caprichada (nas duas fases, em cenários, figurinos, fotografia,
trilha sonora) e o elenco bem escalado e bem dirigido, com atores dando
o melhor. Brilharam em papeis marcantes Irene Ravache, Ana Beatriz Nogueira,
Luiz Carlos Vasconcellos, Júlia Lemmertz, Paolla Oliveira, Emílio
Dantas, Dani Barros, Nívea Maria, Louise Cardoso, Juca de Oliveira,
Zé Carlos Machado, Luís Mello e Inês Peixoto (ufa!).
Isso não diminui os não citados hein, que também
estiveram ótimos (incluido Alinne Moraes e Rafael Cardoso, muito
bem como o jovem casal protagonista).
Fonte: http://nilsonxavier.blogosfera.uol.com.br/2016/01/15/alem-do-tempo-reconfigurou-o-maniqueismo-caracteristico-das-novelas/
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Audiência de “Além
do Tempo” superou a das últimas quatro novelas das 18h30
Mesmo tendo perdido público na segunda fase, “Além
do Tempo” termina nesta sexta-feira como a novela das 18h30 com
maior audiência em São Paulo desde “Flor do Caribe”,
em 2013. Com média de 20 pontos, a trama de Elizabeth Jhin superou
as últimas quatro produções do horário:
Joia Rara: 18 pontos (39% de participação)
Meu Pedacinho de Chão: 18 (34%)
Boogie Oogie: 17 (35%)
Sete Vidas: 19 (35%)
Além do Tempo: 20 (37%)
“Além do Tempo'' se saiu especialmente bem no sul do país,
onde a trama foi ambientada. Em Florianópolis, a média
é de 32 pontos (58% de participação); em Porto
Alegre, 27. Os números também foram bem positivos em Recife
(26) e Salvador (25).
No PNT (Painel Nacional de Televisão), que consolida a audiência
de dez grandes centros urbanos, a média foi de 22 pontos com
43% de participação, uma audiência maior do que
a soma de todas as concorrentes da TV aberta.
Outra medida do bom resultado de “Além do Tempo”
é dada pela Central de Atendimento ao Telespectador (CAT). Segundo
dados da Globo, foi a novela mais elogiada de 2015, somando 25% de todos
os elogios feitos à teledramaturgia da emissora.
Ainda segundo a CAT, Irene Ravache, a Vitória de “Além
do Tempo”, destacou-se na visão do público, opinião
com a qual compartilho. Na primeira fase, o batom roxo de Melissa (Paolla
Oliveira) esteve entre os dez itens mais pedidos na CAT durante três
meses seguidos. Já na fase atual, os destaques são para
as roupas de Lívia (Alinne Moraes) e o batom vermelho de Anita.
Fonte: http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/2016/01/15/audiencia-de-alem-do-tempo-superou-a-das-ultimas-quatro-novelas-das-18h30/
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