22/05/2012
ELAINE LOPES
‘O artista espírita deve dar testemunho de seu compromisso
com o Evangelho de Jesus’
Elaine de Carvalho Dias Lopes
é natural de São Paulo, mas reside em Santos desde os
7 anos (SP). Atriz profissional, com formação no CPT (Centro
de Pesquisas Teatrais) e educadora. Palestrante e oficineira, participou
de vários eventos, como o FECEF, FAE, Fórum Nacional de
Arte Espírita, Congresso Espírita de Goiás e Notame,
ministrando palestras, cursos e oficinas. Organizou a Mostra de Arte
Espírita Maria Máximo e o Encontro Poético Jerônimo
Mendonça. Fez inúmeras palestras e oficinas de arte fundamentadas
no Projeto Evangelização dos Espíritos, de Eurípedes
Barsanúlfo, em várias cidades de São Paulo, Minas
Gerais, Paraná e Rio de Janeiro. É ilustradora do livro
“Corpo, oficina de luz”, de Giselli Negrão, e dos
CDs “Música, Ouvido e Flores” e “Música
e Poesia para Bebê”, de Moacyr Camargo. Atualmente, preside
o Centro Espírita Seara do Amor, em Santos. É associada
da Abrarte desde abril de 2009.

1. Como você começou seu trabalho com arte espírita?
As minhas primeiras experiências com a arte foram espíritas,
em evangelização e mocidade. Cresci no Centro Espírita
Ismênia de Jesus, aqui em Santos. É uma casa espírita
que tem tradição com a arte, pois foi fundado por uma
atriz portuguesa, Dona Maria Máximo.
2. Poderia falar um pouco sobre a história desta casa
espírita e sua fundadora?
Dona Maria Máximo era uma atriz portuguesa casada com o ator
Miguel Máximo, e tinham uma companhia, o TrioMax. Estavam em
turnê pelo Brasil, quando aportaram em Santos, onde Dona Maria
Máximo viu sua mediunidade eclodir. Encaminhada para o Centro
Espírita Anjo da Guarda, foi iniciada no conhecimento da Doutrina
Espírita por Benedito Junior. Desde então abandonaram
seus ofícios teatrais e abriram a Casa dos Pobres, o Centro Espírita
Ismênia de Jesus, fazendo da caridade seu novo palco de atuação.
Obtiveram um sucesso retumbante!
3. Como você define a arte espírita?
Uma arte feita por Espíritos Espíritas.
4. A arte espírita tem alguma especificidade, no seu
conteúdo, no seu modo de fazer, na sua proposta, que a difere
da arte no geral?
“A boca fala do que está cheio o coração”.
Tanto o seu conteúdo, quanto a postura dos artistas que a realizam
precisam dar testemunho de seu compromisso com o Evangelho de Jesus
e com a Doutrina Espírita.
5. Como o trabalhador da arte espírita deve agir para
não se deixar levar pela vaidade e pelo orgulho?
Ser um trabalhador da casa espírita, aceitando a rotina da caridade,
das reuniões de Evangelho e de estudo de Doutrina Espírita
da casa. O conhecimento espírita e a ação no bem
muito vão nos ajudar a mudar nossos quadros ligados à
vaidade por experiências na humildade de servir anonimamente.
Levar nossas conquistas no belo para amenizar a solidão dos idosos
no asilo, o abandono das crianças no orfanato, ou alegrar um
pouco a pobreza são outras formas de rimar arte com caridade,
onde ontem rimamos com vaidade.
6. Na sua opinião, o artista profissional que é
espírita pode desenvolver trabalhos artísticos de conteúdo
doutrinário e ser remunerado por isto? Ou ele deve, em seu exercício
profissional, se abster de falar de Espiritismo, e tratar de temática
espírita apenas nas situações em que ele se apresente
gratuitamente, em eventos ou centros espíritas?
Eu nunca me absteria de dizer que sou espírita. Com relação
a receber ou não, isto depende do compromisso de cada espírito.
Que cada artista reflita o que veio fazer na arte nesta encarnação
e passe suas escolhas pelo crivo da sua consciência.
7. Você tem destacado a importância do centro espírita
como a oficina de trabalho para o desenvolvimento do ser humano na sua
integralidade, principalmente na dimensão espiritual. De que
forma a arte pode ser usada no contexto da casa espírita?
Toda experiência que tive até agora neste sentido vem
da proposta da Evangelização de Espíritos, trazida
por Eurípedes Barsanulfo. Neste contexto, a arte na casa espírita
é um poderoso recurso de Educação do Espírito.
Corrigindo tendências, redirecionando energias em direção
a nossa meta: Brilhe a vossa Luz!
8. Poderia comentar sobre esta proposta da arte na evangelização
dos Espíritos, como preconizava Eurípedes Barsanulfo?
A evangelização de Espíritos é um método
de educação apresentado por Eurípedes Barsanulfo,
totalmente voltado para atender as necessidades do Espírito,
com a finalidade de dar progresso ao pensamento e ao sentimento. E a
arte oferece os mais ricos mecanismos de evolução destas
potencialidades. A arte tem uma finalidade grandiosa na vida do Espírito.
Promove um estado de alegria que dulcifica seus pensamentos! Renova
os quadros de memória de forma prazerosa. E é uma atividade
mediúnica natural onde o plano espiritual interage, promovendo
mudanças no pensamento e levando o Espírito a refletir
na sua postura. Na evangelização de Espíritos os
trabalhos artísticos de uma casa espírita, seja o coral,
a oficina de teatro ou as apresentações, são avaliados
em seu grande papel no processo de educação e renovação
dos que dele participam. Para tanto o coordenador destas atividades
é o trabalhador compromissado com a evolução dos
que conduz. Avaliando se a obra que irá ser cantada ou encenada
tem valor para a Evangelização daquele Espírito.
9. Qual a contribuição da arte espírita
para a sociedade?
Na minha opinião, da arte gerada por espíritos espíritas
em regeneração virão as mais belas obras de arte
já trazidas na humanidade até agora! Aguardemos o tempo.
Estamos apenas na alvorada!
Fonte: Informativo virtual da Abrarte
Associação Brasileira de Artistas Espíritas
Fundada em 08/06/2007 - Site: www.abrarte.org.br / Portal
Arte Espírita: www.arteespirita.com.br