06/04/2012
A Coordenadora do Setor de Arte da FEPI (Federação
Espírita do Piauí) e associada da ABRARTE (Associação
Brasileira de Artistas Espíritas) discorreu sobre arte espírita
no Informativo virtual da Abrarte
- www.abrarte.org.br
-
"Quando canalizada
para o bem,
a arte potencializa o que há de melhor em cada ser"
- Guana Veras Quelemes -
- Guana Veras Quelemes -
Guana Veras Quelemes é
natural de Teresina (PI). Bacharel em Arquitetura e Urbanismo e Licenciada
em Artes Plásticas. Foi professora de Arte na rede particular
de ensino, trabalhou com cenografia de eventos, é servidora pública
do Estado do Piauí.
Na Doutrina Espírita, é
evangelizadora infantil, monitora do ESDE, palestrante e coordenadora
do Setor de Arte da FEPI. É associada da Abrarte desde junho
de 2009.
1. Como você começou seu trabalho com arte espírita?
Eu diria que sou um dos “caçulas” do movimento!
Eu trabalhava com evangelização infantil e estudava Artes
plásticas, então utilizava naturalmente recursos lúdicos
e oficinas artísticas nas aulas com as crianças e, eis
que um dia, em 2009, vi na Federação Espírita Piauiense
um cartaz de divulgação do Fórum de Arte Espírita
de Aracaju. Na verdade, acho que foi uma das primeiras vezes em que
vi o termo “Arte Espírita”. Para mim, que já
havia adotado o Espiritismo como um dos pilares para minha vida e tinha
a Arte como uma grande paixão, foi como encontrar um norte e
pensei: - É isso, encontrei meu caminho! Meses depois, o encontro
em Aracaju abriu a minha mente para um horizonte maravilhoso e eu pensava:
- Nossa, chegando ao Piauí tenho que “repartir esse pão”.
Daí, comecei minhas pequenas contribuições para
o movimento de Arte Espírita local.
2. Como está o trabalho de Arte Espírita no Piauí?
A Arte Espírita no Piauí está num momento de luz,
quando várias mentes compromissadas decidiram arregaçar
as mangas e abraçar uma causa que pulsa no íntimo de cada
um. Temos um grupo numericamente ainda pequeno, mas formado por espíritos
bravos que atenderam ao chamado de seus próprios corações.
Somando a bagagem e os esforços de todos, vemos surgir novos
grupos, parcerias promissoras, além de grupos que retomaram seus
trabalhos. Há um grande entusiasmo para que Arte Espírita
local floresça. A 3ª Mostra Abrarte Nordeste que ocorreu
em outubro passado é uma prova disso!
3. O EMEPI, encontro bienal de mocidades espíritas,
promovido pela Federação Espírita do Piauí,
que acontecerá em 2013, terá por tema O espiritismo, a
arte e o jovem. Como você vê essa aliança entre a
arte e o jovem espírita?
“Nada pode deter a força de uma ideia cujo tempo já
chegou”. As sábias palavras de Vitor Hugo ajudam a entender
um pouco essa união. Não que essa aliança fosse
inexistente; tivemos, por exemplo, o trabalho de vanguarda de Leopoldo
Machado e sua brilhante contribuição para o teatro e para
as mocidades espíritas. Temos exemplos também na nossa
própria casa, a Abrarte, onde vemos que muitos grupos tiveram
suas origens na juventude espírita dos quatro cantos do país.
Mas eu diria que hoje essa aliança já não é
facultativa, é inevitável! A Arte casa perfeitamente com
os anseios dessa nova geração, espíritos em grande
número bastante adiantados. Nós evangelizadores recebemos
do Cristo uma mescla de espíritos, ora mais elevados, ora tão
reincidentes em equívocos e, em ambos os casos, a arte é
uma fonte de infinitas riquezas para o desenvolvimento da criatividade,
do senso crítico, da autorreflexão, da comunicação
e da percepção dos sentidos. Quando canalizada para o
bem, a arte tende a potencializar o que há de melhor em cada
ser. Assim, para atrairmos e mantermos nossos jovens na seara espírita,
é necessário torná-lo protagonista, sujeito ativo
no processo de ensino-aprendizado.
4. A produção artística, no meio espírita,
está mais ligada ao movimento jovem. De que forma podemos despertar
também no público adulto o interesse para o trabalho da
arte espírita?
Assim como para absorver os esclarecimentos revelados pela Doutrina
Espírita, para deixar-se envolver pela arte, é necessário
ao espírito certa maturidade. Não que nós, artistas,
sejamos mais evoluídos. Porém, no que toca à sensibilidade,
temos sim, sentidos mais aguçados. Por isso, enquanto nos vemos
tão envolvidos e tudo nos parece tão óbvio, há
aqueles que carecem mais desse “burilamento”, sendo esses,
por vezes, muito resistentes. Como a natureza não dá saltos,
creio que cabe aos artistas espíritas a desafiadora missão
de atraí-los, levando a esses, obras de beleza e qualidade tais
que esse encanto possa envolver a todos. Lembremos que a beleza, o bem,
o amor, enfim, tudo que faz parte da nossa essência enquanto centelhas
divinas são, por sua própria natureza, contagiantes e
para os quais despertaremos mais cedo ou mais tarde.
5. É possível difundir o Espiritismo através
das artes visuais?
Sim. Vale lembrar que as artes visuais não se restringem às
artes plásticas, pois há outros campos como: a fotografia,
os quadrinhos, as charges, as instalações (onde a obra
é composta de elementos organizados em um ambiente), dentre outros.
Porém, cada qual possui características que lhe são
próprias e, em alguns casos, a exemplo da pintura, existem linguagens
muito subjetivas. Por exemplo, observam-se muitas obras visuais que
mais instigam sensações do que fornecem informações.
No entanto, penso que os artistas, ligando-se a propósitos cada
vez mais nobres, naturalmente descobrirão as potencialidades
dos talentos de que dispõem e como poderão contribuir
para a divulgação, não necessariamente do Espiritismo,
mas, sobretudo, dos valores espirituais.
6. Na sua opinião, qual a contribuição
da arte espírita, notadamente as artes plásticas, para
a sociedade?
A busca pelo novo sempre inquietou os ânimos dos artistas, sobretudo,
os artistas plásticos. Que o diga a História da Arte!
Nas artes plásticas, eu diria que o “novo” trazido
pela Arte Espírita, muito além de obras chocantes ou de
técnicas revolucionarias, seria a abordagem de temas que estreitam
a ligação entre os dois mundos. Esse transcender dos temas
materiais é inato ao homem, vemos na história, desde obras
que retratam a mitologia, ao mundo fantástico abordado pelos
surrealistas. Agora, com os esclarecimentos da Doutrina dos Espíritos,
essa abordagem se fará de forma mais consciente, refletindo a
lucidez de nosso tempo. Por isso, Kardec afirmou em seu célebre
artigo - A arte pagã, a arte cristã, a arte espírita:
“(...) Que obras primas essas ideias novas não podem criar
pela reprodução de cenas tão variadas e, ao mesmo
tempo, tão suaves ou tão pungentes da vida espírita!
(...)”. Esses trabalhos atenderão a um número cada
vez maior de pessoas que buscam aqui no plano físico, obras inspiradas
em valores espirituais, que os reportem às reminiscências
que trazemos da vida na pátria espiritual. Como exemplo de trabalhos
com essa características, posso citar as obras de duas artistas
espíritas muito queridas: Iva Tai, do Amazonas, e Patricia Moreira,
da Bahia. São obras que exprimem ideias espíritas com
muita sensibilidade.
Fonte: Associação
Brasileira de Artistas Espíritas
- Site: www.abrarte.org.br / Portal Arte Espírita:
www.arteespirita.com.br
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