20/03/2012
por GIULIANA MIRANDA
DA FOLHA DE SÃO PAULO
Em cerca de 15% do genoma da espécie,
semelhança com genes do homem supera a vista no DNA de chimpanzé
- Dado surpreende, já que chimpanzés estão mais
próximos da nossa espécie do ponto de vista evolutivo
Gorilas e humanos são mais parecidos
do que se pensava, pelo menos geneticamente.
O primeiro sequenciamento
completo do DNA desses macacos revelou que alguns genes são mais
parecidos entre humanos e gorilas do que entre nós e os chimpanzés,
considerados nossos "parentes" mais próximos.
Para chegar a esse resultado, um força-tarefa de 71 pesquisadores
de várias partes do mundo esmiuçou o genoma de Kamilah,
uma gorila-comum-ocidental (Gorilla gorilla gorilla) de 31 anos, e comparou
os resultados com os genes dos outros três grandes primatas: humanos,
chimpanzés e orangotangos.
Foi a primeira vez que um levantamento tão abrangente foi feito
e, segundo os cientistas, ele tem grande importância para ajudar
a elucidar a evolução dos primatas e as nossas próprias
origens.
A primeira surpresa veio na similaridade dos genes. Embora o DNA de
humanos e chimpanzés seja, de uma maneira geral, bem mais parecido,
15% do genoma dos humanos é mais similar ao dos gorilas do que
ao dos chimpanzés.
Nesse conjunto, destacam-se genes ligados ao desenvolvimento do cérebro
e da audição, por exemplo.
De fato, é na audição que está uma das
maiores similaridades externas entre humanos e gorilas. Nossas orelhas
pequenas são bem mais parecidas com as deles do que com as dos
chimpanzés.
Entre os genes ligados à audição, uma descoberta
tem potencial para influenciar o estudo da fala.
Comumente apontado como um dos genes associados ao desenvolvimento
da fala em humanos, o LOXHD1 se mostrou igualmente desenvolvido entre
gorilas.
Para descobrir por que, ainda assim, humanos desenvolveram a fala e
os gorilas, não, ainda há um longo caminho. Mas o trabalho
já começa a dar pistas.
Em um artigo crítico que acompanha a pesquisa, publicado na
revista "Nature", Richard Gibbs e Jeffrey Rogers, do Centro
de Sequenciamento do Genoma Humano da Faculdade de Medicina de Baylor,
em Houston, destacam os resultados.
"Esses novos dados sobre os gorilas sugerem que uma grande porção
do genoma humano estava sob pressão da seleção
positiva [sendo favorecida pela seleção natural] durante
o período de isolamento inicial dos nossos parentes próximos",
avaliam.
Segundo eles, os dados podem ajudar a reconstruir as pressões
ambientais que moldaram a evolução humana.
SEPARAÇÃO
O trabalho também usou as informações genéticas
para estimar em que período aconteceu a separação
de cada uma das espécies de seu ancestral comum.
A separação dos orangotangos foi a primeira, há
cerca de 14 milhões de anos. A dos gorilas teve lugar em torno
de 10 milhões de anos atrás. Já a divisão
entre humanos e chimpanzés foi mais recente, há aproximadamente
6 milhões de anos.
O trabalho analisou ainda a divisão entre as subespécies
de gorilas. O grupo comparou o genoma de Kamilah com os genes de outros
animais de sua subespécie e também de um gorila-oriental
(Gorilla beringei graueri).
Embora haja evidências de que a separação tenha
ocorrido 1,75 milhão de anos atrás, existem indícios
de que houve troca de material genético mais recentemente.
Embora os gorilas estejam trazendo pistas sobre a nossa evolução,
os humanos não estão colaborando com a deles. Diversas
populações, sobretudo a dos gorilas-das-montanhas, estão
em risco elevado de extinção devido à atividade
humana.
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/29986-dna-reforca-elo-entre-humanos-e-gorilas.shtml
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