07/12/2011
VENTURA, Mauro. O espetáculo mais triste
da terra – O incêndio do Gran Circo Norte-Americano. São
Paulo: Companhia das Letras, 2011.
A tragédia do Gran
Circo Norte-Americano recontada
Jornalista Mauro Ventura volta ao pior incêndio
com vítimas da história brasileira para revelar uma trama
que mistura oportunismo e solidariedade

No dia 17 de dezembro de 1961 acontecia, em Niterói,
a maior tragédia circense da história e o pior incêndio
com vítimas do Brasil. Mais de 3 mil espectadores, a maioria
crianças, lotavam a matinê do Gran Circo Norte-Americano,
anunciado como o mais famoso da América Latina, quando a trapezista
Antonietta Stevanovich deu o alerta de “fogo!”.
Em menos de dez minutos, as chamas devoraram a lona,
justamente no momento em que o principal hospital da região se
encontrava fechado por falta de condições.
O prefeito da cidade estabeleceu em 503 o número oficial de mortos,
mas a contabilidade real nunca será conhecida. Cinquenta anos
depois, o jornalista Mauro Ventura reconstitui o episódio em
O espetáculo mais triste da terra – O incêndio
do Gran Circo Norte-Americano (Companhia das Letras, 352 pp.,
R$ 46).
O livro, escrito com base em 150 entrevistas, revela uma trama que mistura
drama e heroísmo, oportunismo e solidariedade, dor e superação.
O autor também mostra como a catástrofe fez surgir a figura
do profeta Gentileza e ajudou a projetar o nome do cirurgião
plástico Ivo Pitanguy.
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Aproveitamos e transcrevemos aqui o texto de Irmão
X / Humberto de Campos, pela mediunidade de Chico Xavier, do livro "Cartas
e Crônicas", da Editora FEB, em que este relata a "Tragédia
no Circo" ocorrida no ano de 177, século II, em que centenas
de cristãos morreram queimados e faz a correspondência
com o grande incêndio do circo em Niterói, demonstrando
a justiça da lei através da reencarnação.
"Tragédia no Circo (pelo espírito
de Irmão X)
Naquela noite, da época recuada de 177, o concilium de Lião
regurgitava de povo.
(Lyon na França - (em português Lion ou Lião - forma
em desuso))
Não se tratava de nenhuma das assembléias tradicionais
da Gália, junto ao altar do Imperador, e sim de compacto ajuntamento.
Marco Aurélio reinava, piedoso, e, embora não houvesse
lavrado qualquer resolução em prejuízo maior dos
cristãos, permitira se aplicassem na cidade, com o máximo
rigor, todas as leis existentes contra eles.
Ninguém examinava necessidades ou condições. Mulheres
e crianças, velhos e doentes, tanto quanto homens válidos
e personalidades prestigiosas, que se declarassem fiéis ao Nazareno,
eram detidos, torturados e eliminados sumariamente.
Através do espesso casario, a montante da confluência
do Ródano e do Saône, multiplicavam-se prisões,
e no sopé da encosta, mais tarde conhecida como colina de Fourvière,
improvisara-se grande circo, levantando-se altos tapumes em torno de
enorme arena.
As pessoas representativas do mundo lionês eram sacrificadas
no lar ou barbaramente espancadas no campo, enviando-se os desfavorecidos
da fortuna, inclusive grande massa de escravos, ao regozijo público.As
feras pareciam agora entorpecidas, após massacrarem milhares
de vítimas, nas mandíbulas sanguissedentas.
Em razão disso, inventavam-se tormentos novos.Verdugos inconscientes
ideavam estranhos suplícios. Senhoras cultas e meninas ingênuas
eram desrespeitadas antes que lhes decepassem a cabeça, anciães
indefesos viam-se chicoteados até a morte. Meninos apartados
do reduto familiar eram vendidos a mercadores em trânsito, para
servirem de escravos domésticos em províncias distantes,
e nobres senhores tombavam assassinados nas próprias vinhas
Mais de vinte mil pessoas já haviam sido mortas.
Naquela noite, a que acima nos referimos, anunciou-se para o dia seguinte
a chegada de Lúcio Galo, famoso cabo de guerra, que desfrutava
atenções especiais do Imperador por se haver distinguido
contra a usurpação do general Avídio Cássio,
e que se inclinava agora a merecido repouso.Imaginaram-se, para logo,
comemorações a caráter.Por esse motivo, enquanto
lá fora se acotovelavam gladiadores e trovadores, o patrício
Álcio Plancus, que se dizia descendente do fundador da cidade,
presidia a reunião a pedido do Propretor (magistrado abaixo do
Juíz), programando os festejos.
- Além das saudações, diante dos carros que chegarão
de Viena - dizia, algo tocado pelo vinho abundante -, é preciso
que o circo nos dê alguma cena de exceção... O lutador
Setímio poderia arregimentar os melhores homens; contudo, não
bastaria renovar o quadro de atletas..
- A equipe de dançarinas nunca esteve melhor - aventou Caio
Marcelino, antigo legionário da Bretanha que se enriquecera no
saque.- Sim, sim... - concordou Álcio - instruiremos Musônia
para que os bailados permaneçam à altura...- Providenciaremos
um encontro de auroques (boi selvagem, bisão) - lembrou Pérsio
Níger.- Auroques! Auroques!... - clamou a turba em aprovação.-
Excelente lembrança! - falou Plancus em voz mais alta - mas,
em consideração ao visitante, é imperioso acrescentar
alguma novidade que Roma não conheça...
- Um grito horrível nasceu da assembléia:
- Cristãos às feras! Cristãos às feras!
Asserenado o vozerio, tornou o chefe do conselho:
- Isso não constitui novidade! E há circunstâncias
desfavoráveis. Os leões recém-chegados da África
estão preguiçosos...Sorriu com malícia.- Ouvi,
porém, alguns companheiros, ainda hoje, e apresentaremos um plano
que espero resulte certo. Poderíamos reunir,nesta noite, aproximadamente
mil crianças e mulheres cristãs, guardando-as nos cárceres...
E, amanhã, coroando as homenagens, ajuntá-las-emos na
arena, molhada de resinas e devidamente cercada de farpas embebidas
em óleo, deixando apenas passagem estreita para a liberação
das mais fortes.
Depois de mostradas festivamente em público, incendiaremos toda
a área, deitando sobre elas os velhos cavalos que já não
sirvam aos nossos jogos... Realmente, as chamas e as patas dos animais
formarão muitos lances inéditos...
- Muito bem! Muito bem! - rugiu a multidão, de ponta a ponta
da sala.
- Urge o tempo - gritou Plancus - e precisamos do concurso de todos...
Não possuímos guardas suficientes...
E erguendo ainda mais o tom de voz:
- Levante a mão direita quem esteja disposto a cooperar. Centenas
de circunstantes, incluindo mulheres robustas, mostraram destra ao alto,
aplaudindo em delírio.
Encorajado pelo entusiasmo geral, e desejando distribuir a tarefa com
todos os voluntários, o dirigente da noite enunciou, sarcástico
e inflexível:
- Cada um de nós traga um... Essas pragas jazem escondidas por
toda parte... Caçá-las e exterminá-las é
o serviço da hora...
***Durante a noite inteira, mais de mil pessoas, ávidas de crueldade,
vasculharam residências humildes e, no dia subsequente, ao Sol
vivo da tarde, largas filas de mulheres e criancinhas, em gritos e lágrimas,
no fim de soberbo espetáculo, encontraram a morte, queimadas
nas chamas alteadas ao sopro do vento, ou despedaçadas pelos
cavalos em correria.
***Quase dezoito séculos passaram sobre o tenebroso acontecimento...
Entretanto, a justiça da Lei, através da reencarnação,
reaproximou todos os responsáveis, que, em diversas posições
de idade física, se reuniram de novo para dolorosa expiação,
a 17 de dezembro de 1961, na cidade brasileira de Niterói, em
comovedora tragédia num circo."
extraído do livro "Cartas e Crônicas",
psicografia Francisco C. Xavier, pelo espírito Irmão X,
texto de número "6", 9a. Edição pela
FEP
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Lyon (em português Lion ou Lião, forma
em desuso) é uma das maiores cidades francesas (segunda maior
área urbana, terceiro maior município), capital da região
Ródano-Alpes e do departamento de Ródano, na junção
do Ródano (Rhône) e do Saône. Tem cerca de 441.500
habitantes, cerca de 1.830.000 habitantes em sua Região Metropolitana.
Seus habitantes são chamados de "Lyonês" e "Lyonesa".
Foi fundada em 43 a.C. pelos romanos, com a designação
de Lugdunum, era a capital da província da Gália.
Foi nessa cidade que nasceu o imperador romano Cláudio, o primeiro
imperador que nasceu fora da Península Itálica e que chegou
a conquistar a Britânia em 43 d.C. Aqui se realizaram dois concílios
ecuménicos da Igreja Católica: Lyon I (1245) e Lyon II
(1274).
Lyon foi fundada sobre a colina Fourvière como uma colônia
romana em 43 a.C. por Munatius Plancus, um tenente de Júlio César,
num assentamento de uma colina gaulesa chamada Lug [o] dunon, do deus
celta Lugus ( «Luz», do velho Irlandês Lugh, Irlandês
moderno Lú) e dúnon (colina-forte). Lyon foi primeiramente
denominada Lugdunum significado de "monte de luzes" ou "o
monte de corvos". Lug foi igualado pelos romanos a Mercúrio.
Os cristãos em Lyon foram perseguidos por causa da sua religião
sob os reinados dos vários imperadores romanos, mais notadamente
Marcus Aurelius e Septimus Severus. Santos locais a partir deste período
incluem santos, como Blandina, Pothinus e Epipodius, entre outros. O
grande bispo cristão de Lyon, no segundo século foi Ireneu.
Foi nessa cidade também que nasceu Allan Kardec
o codificador do Espiritismo.
Fonte: Wikipédia, a enciclopédia
livre.