12/10/2011
por José Leonardo Rocha² Londres,
09 de junho de 2010
João Ascenso³, psicólogo e pesquisador
do Rio de Janeiro, ex-mestrando do King´s College de Londres,
deu uma série de palestras em Londres e nos Estados Unidos, no
mês de junho, sobre um estudo que traz prova científica
sobre informações fornecidas no livro “NO MUNDO
MAIOR”, de André Luiz
Na obra, publicada em 1947, o mentor de André Luiz, Calderaro,
explica que o cérebro se divide, de acordo com suas funções,
em três partes. A parte anterior, ligada à medula, guarda
o arquivo do passado, das experiências acumuladas em sucessivas
reencarnações. É a parte do cérebro responsável
pelas funções instintivas, mais materiais. A parte central
é a que tem maior atividade. É o presente, onde se processam
as informações necessárias para o agora, o aprendizado,
o trabalho. A parte da frente, posterior, é ativada quando temos
sentimentos mais nobres, de caridade, amor, fé. Em suma, nosso
cérebro guarda em si as experiências do passado, nos permite
aprender e trabalhar no presente e abriga também os sentimentos
mais nobres, que nos levam a um futuro de evolução espiritual.
Ascenso destacou em sua palestra que pouco ou nada se sabia em 1947
sobre as funções dessa parte posterior do cérebro.
O próprio mentor Calderaro faz referência no livro psicografado
por Chico Xavier ao desconhecimento da ciência da época
sobre esse assunto. Pouco a pouco, as funções do cérebro
foram sendo desvendadas, mas Ascenso diz que só no ano de 2006,
quase 60 anos depois da obra de André Luiz, surgiu o primeiro
estudo comprovando cientificamente o que havia sido revelado pela espiritualidade
no pós-guerra.
João Ascenso estava nos Estados Unidos e tomou conhecimento do
estudo, feito por um grupo de cientistas sem nenhum conhecimento espírita,
entre eles o brasileiro Jorge Moll Neto. A experiência foi feita
do seguinte modo: um grupo de voluntários foi submetido ao processo
de ressonância magnética funcional do cérebro.
O que André Luiz e Calderaro conseguiam ver com sua visão
aperfeiçoada – o funcionamento do cérebro –
foi monitorado através da mais moderna tecnologia. Os voluntários
responderam a três perguntas, apertando um botão para optar
entre sim e não:
1 – Você gostaria de receber uma quantia em dinheiro, agora,
de graça?
2 – Você gostaria de fazer uma doação para
instituição de caridade? Mas é uma doação
só em intenção, só para fins deste estudo,
você não vai precisar desembolsar o seu dinheiro.
3 – Você gostaria de fazer uma doação de verdade
para instituição de caridade? O dinheiro (mais de US$
100) vai ser retirado da sua conta.
Nos três casos, verificou-se que a parte do cérebro responsável
pelo prazer sensorial (sexo, consumo de chocolate, café, drogas)
dos voluntários que responderam “sim”, foi ativado.
Ou seja, para o organismo não há diferença entre
o prazer sensorial e o prazer espiritual. Ao fazer uma doação,
você se sente tão bem do ponto de vista físico como
ao ganhar dinheiro ou comer chocolate. No caso da doação
formal, sem dispêndio, houve ativação no cérebro
também de parte do cérebro ligada ao amor entre pais e
filhos.
O resultado surpreendeu os cientistas, que ofereceram a seguinte explicação:
este é um sentimento de extensão do amor filial. Você
ao ajudar alguém está de certa forma reproduzindo o sentimento
de amor e apego pelos próprios filhos. Ascenso disse que esta
descoberta é mais uma prova da beleza e acuidade científica
dos ensinos de Jesus Cristo. É o amor universal, é o que
Cristo queria dizer quando ensinou que devemos amar a todos como irmãos,
que o amor não deveria ser exclusivo aos nossos familiares mais
próximos. A parte final da pesquisa é a comprovação
que faltava à ciência para os ensinamentos de Calderaro
a André Luiz, na década de 40.
O estudo mostrou que a pessoa, ao fazer uma doação à
instituição de caridade, ao fazer o bem de verdade, tirando
do próprio bolso, ativa a parte mais frontal do cérebro
(além de ativar o centro de prazer e a parte relativa ao amor
entre pais e filhos). A parte mais posterior do nosso cérebro
é ativada, a parte relativa aos sentimentos mais nobres do ser
humano. “É o que São Francisco de Assis quis dizer
com sua máxima – é dando que se recebe. Ao doar,
você se beneficia, se sente bem.”
As descobertas do estudo foram publicadas em artigo na primeira página
do conceituado jornal norte-americano, Washington Post, na ocasião.
Só em 2006 a ciência comprovou o que o Espiritismo revelou
em 1947. João Ascenso explica que o Espiritismo tem três
vertentes igualmente importantes, desde o seu nascimento: a parte religiosa
(de fé em Deus), a filosófica e a parte científica.
Com o deslocamento, por assim dizer, do Espiritismo da França
para o Brasil, houve desenvolvimento das duas primeiras. “Mas
o Brasil é um país sem nenhuma tradição
científica. A parte científica do Espiritismo acabou não
se desenvolvendo. Mas isto está mudando. Por isso é importante
também que o Espiritismo cresça num país como a
Grã-Bretanha, que tem grande tradição científica.
”A ciência mostra que, conforme revelado pelo Espiritismo
60 anos atrás, não devemos nos concentrar com excesso
nem na parte anterior nem posterior do cérebro, embora não
possamos desprezá-las.
“Quem se concentra na parte anterior, ligada à medula,
vive no passado e tem tendência à depressão. Na
parte central, está o trabalho, o agora. Só no presente
podemos modificar nosso futuro, usando-se as experiências do passado
e procurando-se também corrigir os vícios – que
quase todos temos – de encarnações passadas. Mas
quem vive só no presente, ativando só a parte central
do cérebro, não planeja o futuro, não aprende com
o passado, fica hiperativo e trabalha sem parar. Não consegue
ser feliz. E quem só se preocupa com os sentimentos nobres, a
parte frontal do cérebro, sem nada realizar – caso dos
mosteiros da Idade Média – não contribui para a
sociedade e não consegue modificar seu destino.
”O que a ciência revela agora é o que o Espiritismo
vem mostrando há mais de cem anos: a importância do equilíbrio.
O estudo com voluntários mostrou que não há diferença,
para o corpo humano, entre o prazer dos sentidos e o prazer espiritual.
Portanto, quando estamos ajudando e fazendo caridade, nos sentimos bem.
A diferença está na intenção. A pessoa pode
comer uma barra de chocolate para ter uma sensação de
prazer. Mas ao fazer o bem, o prazer vem como consequência da
ação. Você toma uma iniciativa, movido pelos sentimentos
mais nobres, e como resultado, se sente bem, realizado.”
Referências :
(1) Palestra na BUSS, British Union of Spiritist Societies,
no dia 9 de junho de 2010, Londres.
(2) Neto de Zequinha Ramos (Fundador do Centro Espírita “Francisco
Caixeta, 1951).
(3) Trabalha no Rio de Janeiro com o Dr Jorge Moll Netto, na Unidade
de Neurociência Cognitiva e Comportamental da Rede D´Or.
MOLL, J., KRUEGER, F., ZAHN, R., PARDINI, M., OLIVEIRA-SOUZA, R., GRAFMAN,
J. Human fronto-mesolimbic networks guide decisions about charitable
donation. Proceedings of the National Academy of Sciences of the United
States of America. v.103, p.15623;10.1073/p - 15628, 2006.