10/10/2011
Em palestra no Centro Espírita União,
em São Paulo, no último 29 de agosto (2011), o sociólogo
Regis de Morais discorreu sobre o tema Crescimento espiritual em um
mundo hostil, fazendo um convite à reflexão sobre a necessidade
de se buscar uma visão mais ampla e mais profunda para esses
primeiros anos do século 21.
por Eliana Haddad

“Necessitamos cultivar uma posição mais
nítida frente ao que estamos vivendo atualmente”,
disse o palestrante, autor de 54 livros, oito espíritas, nas
áreas de filosofia, sociologia e literatura. Para ele, é
preciso que se tenha uma análise mais realista e não ingênua
sobre os anos difícieis que se nos apresentam, frutos de toda
problemática desencadeada no século passado. “No
século 20 não houve problemas; ele foi um problema por
inteiro”, observou, citando fatos que geraram inquietação,
além da herança da sociedade de consumo, onde as pessoas
são avaliadas pelo quanto têm e não pelo o que são,
onde prevalecem o individualismo e o utilitarismo. “Evita-se
falar da existência para falar-se, por exemplo, da previsão
do tempo, assuntos superficiais, num mundo despersonalizado”,
analisou.
Regis citou números que impressionam sobre o crime organizado,
contabilizando 19 organizações mafiosas no mundo, 5.710
grupos afins só no Leste Europeu, 800 bilhões de dólares
por ano gerados pelo crime, 28 bilhões por conta do narcotráfico.
Lembrou ainda do pânico causado pelo ataque de 11 de setembro
de 2001 às Torres Gêmeas. “De um lado, o fundamentalismo
islâmico; do outro, o fundamentalismo americano querendo também
dar um fim ao agressor”, opinou, lembrando que desde então
vemos desenvolverem-se quadros muito tristes com o domínio de
uma espécie de pensamento apocalíptico, como se o fim
do mundo realmente estivesse bem próximo. “E não
há na cultura maia nada, palavra alguma, que fale sobre o fim
do mundo”, esclareceu, referindo-se às previsões
catastróficas atribuídas erroneamente aos maias de que
o mundo acabaria em 2012. “O calendário deles acaba nesse
ano, porque eles pararam de calcular, não porque o mundo chegaria
ao fim”, comentou.
Segundo Regis, não podemos fingir que nada está acontecendo.
E lembrou que Jesus já nos alertara sobre a necessidade do ‘orai
e vigiai para não cairdes em tentação’. Comentou
que é preciso vigiar a si mesmo, ao modo de lidar com o mundo,
porque o mundo hostil está muito mais próximo de nós
do que desejaríamos, enaltecendo nossa condição
de seres frágeis, falíveis, imperfeitos, num mundo de
provas e expiações, onde raramente estamos dispostos a
travar uma luta interior, embora não estivéssemos dispensados
de forma alguma de tentar a melhoria interior e do que nos rodeia. Daí
a necessidade, segundo Régis, de um programa de autoaperfeiçoamento,
uma vez que a visão espírita é capaz de reverter
todo o quadro difícil por que passamos. “Os pontos fundamentais
da doutrina espírita são de fáceis acessos”,
lembrou.
Sobre tal facilidade, Regis fez questão de lembrar, por exemplo,
de um trecho do livro A caminho da luz, de autoria do espírito
Emmanuel, psicografia de Chico Xavier. “Há nesse livro
uma explicação estupenda sobre Jesus e a gênese
planetária, mostrando que ele está desde o início
da formação do planeta dirigindo e amparando as hostes
do bem”. Recordou também que Jesus nunca disse que seria
fácil e até nos alertou: “No mundo, tereis aflições,
mas tende bom ânimo; eu venci o mundo”.
Segundo Regis, portanto,“a parada está ganha pelas hostes
do bem” e não é preciso temer. Citou que os mansos
herdarão a Terra, quando o respeito e a solidariedade se fizerem
presentes e que devemos confiar em Jesus que, como afirmou o apóstolo
João, é o alfa e o ômega, o princípio e o
fim; que todos, como também exemplificou Paulo, temos que nos
empenhar no bom combate.
Num convite à mudança de olhar, Regis chamou a atenção
ainda para o fato de sermos verdadeiros prisioneiros da mídia
televisiva, que tem veiculado e produzido “toneladas de lixo mental”,
de uma maneira, segundo ele, quase masoquista, convidando-nos a tomar
um copo de angústia todas as noites nos jornais, onde a exceção
social que é notícia, por incentivo ao sensacionalismo.
“Os escândalos não são da maioria da sociedade.
Esquecemos que milhões de famílias estão trabalhando,
estudando,educando; infelizmente, ainda não se escreveu uma história
dos anônimos sem história”.
Para encerrar a palestra, Regis destacou os comentários de Léon
Denis no livro O grande enigma, onde afirma que o século 20 seria
um painel de luzes e sombras. “Tivemos 82 conflitos armados, mas
também tivemos a descoberta da ecologia, da biologia molecular
e tantas outras luzes”. Segundo Regis, precisamos cada vez mais
acreditar na fé e na vontade dos homens para o bem. E isso pode
ser verificado numa pesquisa que citou, efetuada com 12 ganhadores do
Prêmio Nobel. “Da pergunta sobre o que se esperar do século
21, não houve um ensaio negativo! O que me parece é que
o século 21 ainda nem começou, pelo o que foi prometido
nos textos evangélicos. E, se a evolução humana
é um fato, não podemos esquecer que somos essa própria
história”, analisou.
Régis de Morais terminou a palestra com a leitura do soneto
Evolução, de Adelino de Fontoura Chaves:
Fui átomo, vibrando entre as forças do Espaço,
Devorando amplidões, em longa e ansiosa espera...
Partícula, pousei... Encarcerado, eu era
Infusório do mar em montões de sargaço.
Por séculos fui planta em movimento escasso,
Sofri no inverno rude e amei na primavera;
Depois, fui animal, e no instinto da fera
Achei a inteligência e avancei passo a passo...
Guardei por muito tempo a expressão dos gorilas,
Pondo mais fé nas mãos e mais luz nas pupilas,
A lutar e chorar para, então, compreendê-las!...
Agora, homem que sou, pelo Foro Divino,
Vivo de corpo em corpo a forjar o destino
Que me leve a transpor o clarão das estrelas!...
Fonte: http://www.correiofraterno.com.br/acontece/709-crescimento-espiritual-em-um-mundo-hostil