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02/10/2011
Arnaldo Rocha, cofundador com Chico Xavier do Grupo Meimei (Pedro Leopoldo,
MG) e organizador dos livros Instruções Psicofônicas
e Vozes do Grande Além, comenta as obras pioneiramente obtidas
por gravações de psicofonias.

Reformador: Como foram os episódios
prévios ao Grupo Meimei?
Arnaldo: Após a desencarnação
de Meimei, em 1946, conheci Chico Xavier e o Grupo Dalva de Assis
(em Belo Horizonte), dirigido pelo meu irmão Geraldo Rocha,
onde até 1948 atuei como médium psicofônico. Certo
dia, ofre Lelis (colega militar e colaborador de Juscelino Kubitschek)
dirigia a reunião e manifestou-se um Espírito muito
prepotente. Tentaram “doutriná-lo” – o que
não é aceitável –, porque se deve dialogar
com os Espíritos sem qualquer ideia de doutrinação.
Passei a dialogar com o Espírito e relatei a modificação
de minha vida e a aprendizagem com Meimei, a quem o comunicante passa
a ver. Em seguida, a médium Eni Fasanelo designa-me como responsável
pelos diálogos. Ao visitar Chico Xavier, este confirmou minha
nova incumbência e transmitiu-me as orientações
iniciais de Emmanuel: nunca discutir com a entidade comunicante e
nem falar que ela já “morreu”.
Chico começou a comparecer a essas reuniões das quartas-feiras,
em Belo Horizonte, entre 1949 e 1951, quando não ocorria a
reunião no lar de Dr. Rômulo Joviano, em função
de viagens deste. Passei a verificar que Chico era assediado por Espíritos
necessitados e que era imprescindível uma reunião mediúnica
para atendê-los. Chico Xavier sempre comentava sobre a dificuldade,
desde a desencarnação de seu irmão José,
de participar de reu reunião mediúnica. Chico ainda
prosseguiu com um grupo de confiança, organizado por José,
mas certo dia ocorreu a conhecida “surra do Evangelho”
e então o médium suspendeu a reunião.
Reformador: E como surgiu o Grupo
Meimei?
Arnaldo: Semanalmente participava
das reuniões citadas e também do Centro Espírita
Luiz Gonzaga, em Pedro Leopoldo. Em 1952, passamos então a
funcionar nesta cidade, dando início ao Grupo Meimei, com médiuns
experientes da localidade, como Lucília, irmã de Chico,
e amigos de Belo Horizonte, completando até oito médiuns.
O Grupo Meimei foi fundado em 31 de julho de 1952, mas somente veio
a ter sede própria no ano de 1954. Na sede do “Luiz Gonzaga”
não ocorriam transes psicofônicos de Chico Xavier, apenas
as psicografias.
Aprendi muito com o Chico, durante seus transes mediúnicos.
Após o término das reuniões, sempre conversávamos
sobre as mesmas, estendendo o encontro para a casa de seus irmãos
André ou Cidália, casadacom Chiquinho Carvalho. Chico
sempre recomendava para não se estimular a vaidade e o orgulho
dos médiuns.
Reformador: Quando e como surgiram
as gravações das reuniões?
Arnaldo: No início de 1954,
Carlos Torres Pastorino visitou Pedro Leopoldo e se interessou em
conhecer o Grupo Meimei. Ao constatar a riqueza das reuniões
– pois todos conheciam Chico Xavier como médium de “Espíritos
de luz”, mas desconheciam que ele atuava como qualquer outro
médium –, doou um gravador, à época um
equipamento ainda raro. Pastorino ensinou-me como utilizar o aparelho
e passamos a gravar as reuniões a partir do dia 11 de março
de 1954. Transcrevemos as psicofonias e as mostramos a Pastorino numa
outra visita sua. Como precisei ir ao Rio, em função
de trabalho, levei algumas fitas gravadas e transcrições
para mostrá-las ao presidente da FEB, Dr. Wantuil de Freitas.
Ele atendeu-me com muita atenção e recomendou que passasse
tudo para o papel, porque àquela época, duplicar e comercializar
gravações seria muito oneroso e com pouquíssimo
número de pessoas com disponibilidade para ouvi-las. Sugeriu
que preparássemos um livro. Elaborei o primeiro: Instruções
Psicofônicas. A transcrição inicialmente
foi feita por mim e depois o marido de Lucília, o Pacheco (apelido
de Waldemar Batista da Silva), passou a colaborar.
Emmanuel fez as revisões dos textos. Organizamos o livro e
Chico recomendou que aparecêssemos como coautores, mas não
concordamos, definindo que escreveríamos apenas a apresentação
(“Explicação necessária”). Fizemos
os registros, a doação dos direitos à FEB, e
levamos o texto ao seu presidente. Dr. Wantuil de Freitas considerou-o
uma preciosidade e o livro foi publicado pela FEB, em 1956. Ocorreram
até críticas de alguns, pois adotei o termo psicofonia
e não incorporação. Chico recomendou que nos
calássemos.
Reformador: Surgiram outros livros?
Arnaldo: Organizamos depois 'Vozes
do Grande Além', lançado em 1957. Houve até
um diálogo interessante entre mim e o médium para chegarmos
a um ponto comum com relação ao título. Logo
depois que Chico se mudou para Uberaba entreguei a ele parte dos originais
para um eventual novo livro, obtido das gravações das
psicofonias. A cada visita, lembrávamos a Chico e este sempre
respondia: “É mesmo, precisamos publicá-lo...”.
Depois mudei-me para Brasília, passei a visitá-lo esporadicamente,
o tempo passou, e o terceiro livro não foi publicado.
Reformador: Como era Chico como médium
psicofônico?
Arnaldo: Chico, como médium
psicofônico,mudava totalmente o tom de voz, distinguindo-se
perfeitamente os tons masculino e feminino. Situações
de transfiguração eu constatei muitas vezes em manifestações
através dele, principalmente quando os comunicantes eram Espíritos
femininos. Numa das reuniões do Grupo Meimei, o Espírito
José Cândido Xavier manifestou-se informando que nos
mantivéssemos em preces, porque naquela noite contaríamos
com a participação de Teresa d’Ávila, não
numa presença direta: ela nos dirigiria a mensagem emitida
de altas esferas espirituais e utilizando intermediações
(Instruções psicofônicas, cap. 32). Em seguida,
sentimos o aroma de perfume de rosa efeito raro no Grupo Meime, e
recebemos suas orientações. Durante a manifestação,
percebemos a transfiguração do médium Chico Xavier.
Há muitos outros fatos impressionantes, como diversas manifestações
de Pedro de Alcântara, considerado santo pela Igreja (Op. cit.,
cap. 11, nota de rodapé), e que, segundo Chico, foi um dos
personagens do romance Ave Cristo!. Aliás, verifiquei transfiguração
também com a médium Eni Fasanelo, em 1946, quando, pela
primeira vez, manifestou-se Meimei, e se dirigiu a mim. Ouvi aquela
voz meiga e calma, utilizando maneirismos e pronunciando palavras
que apenas eu conhecia como seu marido. Quando olhei para a médium
verifiquei que seu rosto estava diferente, rejuvenescido, pois Meimei
desencarnou jovem.
Reformador: Chico participava de muitas
reuniões semanais?
Arnaldo: Em Pedro Leopoldo, Chico
já participava de reuniões no “Luiz Gonzaga”
às segundas e sextas-feiras, às quartas-feiras comparecia
nas reuniões no lar do Dr. Rômulo Joviano, na Fazenda
Modelo, e às quintas-feiras no Grupo Meimei. Emmanuel recomendou
que Chico iniciasse uma outra reunião no Grupo Meimei. Surgiu
assim a reunião mediúnica dos sábados. Foi no
Luiz Gonzaga que se realizaram as reuniões de materialização,
quando Peixotinho visitou o Chico.
Reformador: Há alguma orientação
espiritual que gostaria de destacar?
Arnaldo: Certa feita, divergi de
meu irmão Geraldo Rocha, no atendimento de uma médium
no Grupo Meimei, porque eu entendia que embora estivéssemos
identificando uma manifestação anímica, o atendimento
com um diálogo calmo e fraterno deveria ocorrer da mesma forma.
Nas semanas seguintes, o orientador Emmanuel discorreu de forma muito
esclarecedora, na mensagem que foi intitulada “Trio Essencial”
(Instruções Psicofônicas, cap. 59). Vale a pena
refletir sempre sobre este texto. De outra feita, um Espírito
prepotente e autoritário se manifestou e afirmou que não
queria que sua voz fosse registrada no aparelho. Ao final da reunião,
para surpresa minha, verifiquei que houve algum problema e realmente
a mensagem não foi gravada. Dialoguei com a mesma entidade
espiritual, várias vezes, durante uns nove meses, ocorrendo
muitas informações interessantes e ela acabou se transformando
num grande amigo nosso o Cerinto (identificado como C.T. em Instruções
Psicofônicas, cap. 37) – e que conduziu muitos Espíritos
para o atendimento em nossa reunião. Em Vozes do Grande Além,
está incluída a “Prece de Cerinto”.
Reformador: O que teria a dizer ao
leitor sobre os dois livros citados e sobre os 150 anos de O Livro dos
Médiuns?
Arnaldo: Os dois livros focalizados
devem ser estudados no Movimento Espírita, e até para
valorizar as reuniões mediúnicas, pois a maioria das
pessoas conhecem Chico apenas como médium psicógrafo.
Tive contatos com muitas pessoas que me reconhecem pelo fato de tê-los
organizado e me relatam sobre a utilização em palestras
dos casos registrados nos livros.
No ano da comemoração dos 150 anos de O Livro
dos Médiuns, aconselho a leitura e o estudo deste
livro e também de O Céu e o Inferno, que contém
relatos de manifestações espirituais, pois entendo que
ambos ainda são grandes desconhecidos dos espíritas.

Fonte: http://www.febnet.org.br/reformadoronline/pagina/?id=253
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