Precisamos de palavras para pensar?
26/06/2011
Precisamos de palavras para pensar?
- O que ouvimos ou escolhemos dizer afeta a intensidade de nossas ondas
cerebrais

© Cienpies Design/Shutterstock
Muitos cientistas argumentam que o raciocínio
necessita dos vocábulos para ser produzido, apoiando-se na ideia
de que o pensar seria uma espécie de conversa subjetiva consigo
mesmo. Outros alegam que recorremos, antes das palavras, a “uma
linguagem do pensamento”, fundamentada em imagens mentais e abstrações.
Há ainda aqueles que defendem que apenas para alguns tipos de
raciocínio as palavras são indispensáveis, o que
nos leva a considerar o funcionamento linguístico em mais de
um “módulo”.
Qualquer que seja o caso, na maioria
das vezes as palavras que escolhemos dizer – ou ouvimos –
afetam nossos pensamentos. É o caso, por exemplo, de termos ofensivos,
agressões e palavrões, que tendem a causar exaltação
física, como aumento da pressão sanguínea e dos
batimentos cardíacos. Já palavras doces, ditas de forma
amorosa, tendem a nos mobilizar afetivamente, despertando ternura. Estudos
recentes desenvolvidos na Universidade de Princeton, nos Estados Unidos,
por meio de técnicas de imageamento, revelaram que as ondas cerebrais
de quem fala e de quem ouve tendem a se tornar similares. E quanto mais
o ouvinte está receptivo ao que escuta, mais seu cérebro
se “adapta” ao do interlocutor. O que os estudiosos não
sabem ainda é quanto essa proximidade tem a ver com as palavras
em si ou com a entonação, com a empatia despertada pela
voz e com as mais diversas associações afetivas possíveis.
Outro ponto curioso descoberto por neurocientistas
é que, dependendo da língua materna, usamos uma parte
específica do cérebro para resolver problemas que exigem
raciocínio. A diferença é visível, por exemplo,
quando grupos de voluntários chineses e americanos são
convidados a resolver questões simples de matemática enquanto
são monitorados por exames de neuroimagem. Nessas situações
é possível constatar que áreas neurais diferentes
são acionadas em pessoas das duas nacionalidades.
Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/precisamos_de_palavras_para_pensar_.html