14/06/2011
O website Inovação Tecnológica
publicou interessante matéria sobre a geração da
Luz a partir do "nada".
Os físicos afirmam que a matéria é resultado das
flutuações do vácuo quântico. Eles acreditam
também que corpos celestes extremos podem atuar diretamente sobre
o vácuo quântico, produzindo energias capazes de interferir
até com fenômenos astrofísicos. Pela primeira vez,
uma equipe de físicos afirma ter conseguido gerar coisas desse
"nada" quântico.
O estranho mundo quântico
Se você não entende nada de física quântica,
não se avexe: Richard Feynman, um dos mais aclamados físicos
do último século, dizia que ninguém entende de
física quântica.
A realidade, contudo, é que ela está lá e, de
forma bem prática, é a física quântica que
explica o funcionamento dos computadores, dos supercondutores, dos microscópios
eletrônicos, das comunicações por fibra óptica,
enfim, de quase tudo o que nos leva a chamar o período em que
vivemos de "era da tecnologia".
Mas que a física quântica é estranha, isso ela
é, sobretudo porque, nas dimensões atômicas e subatômicas,
as coisas se comportam de maneiras que ferem nossa intuição,
fundamentada no que chamamos de "mundo clássico", explicado
pela "física clássica".

O vácuo quântico é o tecido
do próprio Universo e sempre houve curiosidade dos cientistas
em saber se seria possível extrair energia dele. [Imagem: iStockphoto/Evgeny
Kuklev/Umich]
Vácuo quântico
Um exemplo típico da estranheza do mundo quântico é
o vácuo: faça um vácuo perfeito, eliminando tudo
de um determinado espaço, até a última molécula
e o que você terá? Nada?
Não exatamente: você terá o vácuo quântico.
O vácuo quântico é um estado com a menor energia
possível, uma espécie de sopa de campos e ondas de todas
as frequências, o que inclui as forças eletromagnéticas,
mas também as ondas que representam as partículas.
Nessa sopa real, partículas saltam continuamente entre a existência
e a inexistência.
Essas partículas são tão efêmeras que os
físicos as chamam de "partículas virtuais",
embora elas tenham efeitos sobre o mundo real.
É por isso que os físicos afirmam que a matéria
é resultado das flutuações do vácuo quântico.
Eles acreditam também que corpos celestes extremos podem atuar
diretamente sobre o vácuo quântico, produzindo energias
capazes de interferir até com fenômenos astrofísicos.
Faça-se a luz
A maior parte dessas explicações ainda está no
reino das hipóteses e das teorias. Ou, pelo menos, estava.
Pela primeira vez, uma equipe de físicos afirma ter conseguido
gerar coisas desse "nada" quântico. Mais especificamente,
eles fizeram com que vácuo quântico gerasse fótons
reais. Ainda mais claramente, tentando trazer isso para o senso comum,
eles emitiram luz do nada.
Será necessário esperar que outros grupos refaçam
o experimento; mas, se confirmado, esta certamente se transformará
em uma das experiências científicas mais bizarras e famosas
da história, e uma importante prova prática da validade
da mecânica quântica.
Realizando o virtual
Ora, se o vácuo quântico é uma sopa na qual pululam
partículas virtuais, deve ser possível detectar ou mesmo
capturar essas partículas. Foi isto o que motivou Per Delsing
e seus colegas da Universidade Tecnologia de Chalmers, na Suécia.
Os cientistas já sabiam como detectar indiretamente as partículas
virtuais "emitidas" pelo vácuo quântico usando
dois espelhos, colocando-os muito próximos um do outro.
Essa proximidade limita a quantidade de partículas virtuais
que podem vir à existência entre os dois espelhos. Como
passam a existir mais partículas virtuais fora dos espelhos do
que entre eles, cria-se uma força que empurra um espelho na direção
do outro.
Esse empurrão, conhecido como Força de Casimir, é
forte o suficiente para ser medido pelos instrumentos atuais.

O vácuo quântico é um estado
com a menor energia possível, uma espécie de sopa de campos
e ondas de todas as frequências, de onde partículas virtuais
saltam continuamente entre a existência e a inexistência.
[Imagem: Lee Brain]
Luz do nada
Mas os teóricos previam que as coisas poderiam ficar mais interessantes
se fosse usado um espelho só, que poderia absorver energia das
partículas virtuais e, sendo um espelho, reemití-las na
forma de fótons reais.
O problema é que, para isso dar certo, o espelho teria que se
mover a uma velocidade próxima à velocidade da luz, algo
impraticável com a tecnologia atual.
Delsing e seus colegas deram um jeito de sair desse impasse usando
um sensor extraordinariamente sensível a campos magnéticos,
chamado SQUID (Superconducting Quantum Interference Device), e fazendo-o
funcionar como um espelho.
Quando um campo magnético atravessa o SQUID, ele move-se ligeiramente.
Alterando-se o sentido do campo magnético vários bilhões
de vezes por segundo força-se o SQUID-espelho a sacudir velozmente
- tão rápido que ele atinge cerca de 5% da velocidade
da luz.
E essa velocidade parece ter sido suficiente.
Segundo os físicos, o espelho gera um chuveiro de fótons,
que saem desse nada chamado vácuo quântico, refletem-se
no espelho, e surgem para o mundo real, onde podem ser detectados por
fotocélulas.
Os cientistas afirmam que, conforme previsto pela teoria quântica,
os fótons têm cerca de metade da frequência das sacudidas
do espelho.

O espelho gera um chuveiro de fótons, que
saem desse nada chamado vácuo quântico, refletem-se no
espelho, e surgem para o mundo real, onde podem ser detectados por fotocélulas.
[Imagem: Wilson et al.]
Luz de Feynman
No estágio atual, com este experimento pioneiro, ainda não
é possível prever alguma aplicação para
o efeito, uma vez que a luz gerada é muito fraca para fins práticos.
Mas pode ser uma luz suficiente para clarear as esquisitices da mecânica
quântica e, quem sabe, tirar a razão de Feynman: quem sabe
dos cientistas já não estejam começando a entender
"alguma coisa" de mecânica quântica?
Se este for o caso, logo poderá ser dada razão a um outro
grupo de físicos que, em 2006, previu que será possível,
no futuro, construir
nanomáquinas alimentadas pela energia do "nada".
Veja outras pesquisas sobre o vácuo quântico:
Matéria
e antimatéria podem ser criadas do nada
Super
laser poderá criar matéria do nada
Estrela
de nêutrons pode acordar o vácuo quântico
Confirmado:
a matéria é resultado de flutuações do vácuo
quântico
Bibliografia:
Observation of the Dynamical Casimir Effect in
a Superconducting Circuit
C.M. Wilson, G. Johansson, A. Pourkabirian, J.R. Johansson, T. Duty,
F Nori, P. Delsing
arXiv
24 May 2011
http://arxiv.org/abs/1105.4714
Fonte: http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=luz-gerada-partir-nada
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