09/05/2011
Pesquisa com 6.000 jovens no Brasil aponta que
a maioria dos usuários desse medicamento teve diagnóstico
errado. Venda do remédio no país subiu 1.500% em 8 anos;
efeitos colaterais incluem taquicardia e perda do apetite.
PATRÍCIA BRITTO
FOLHA DE SÃO PAULO
Quase 75% das crianças e dos adolescentes brasileiros que tomam
remédios para deficit de atenção não tiveram
diagnóstico correto. O dado é de um estudo de psiquiatras
e neurologistas da USP, Unicamp, do Instituto Glia de pesquisa em neurociência
e do Albert Einstein College of Medicine (EUA), que será apresentado
no 3º Congresso Mundial de TDAH (transtorno de deficit de atenção
e hiperatividade), no fim do mês, na Alemanha.
A pesquisa colheu dados de 5.961 jovens, de 4 a 18 anos, em 16 Estados
do Brasil e no Distrito Federal.
Os autores aplicaram questionários em pais e professores para
identificar a ocorrência do transtorno, tendo como base os critérios
do DSM-4 (manual americano de diagnóstico em psiquiatria).
As informações foram comparadas aos relatos dos pais sobre
o diagnóstico que seus filhos receberam de outros profissionais,
antes do período das entrevistas. Só 23,7% das 459 crianças
que haviam sido diagnosticadas com deficit de atenção
realmente tinham o transtorno, segundo os critérios do manual.
Das 128 que tomavam remédios para tratá-lo, só
27,3% tinham o problema, segundo os pesquisadores.
"Isso mostra que há muitos médicos prescrevendo o
remédio, mas que não conhecem bem o problema", diz
o neurologista Marco Antônio Arruda, coautor do estudo e diretor
do Instituto Glia.
O remédio usado para tratar o transtorno é o metilfenidato,
princípio ativo da Ritalina e do Concerta. A substância
é da família das anfetaminas e age sobre o sistema nervoso
central, aumentando a capacidade de concentração.
Entre os efeitos colaterais causados pela droga estão taquicardia,
perda do apetite e o desenvolvimento de quadro bipolar ou psicótico
em pessoas com predisposição.
Guilherme Polanczyk, psiquiatra da USP, relativiza a conclusão
do estudo. "Muitas das crianças avaliadas podem estar sem
sintomas por conta do uso dos remédios."
País terá mais um remédio
contra o transtorno
Um novo remédio para o tratamento de deficit de atenção
começará a ser vendido no Brasil até o fim do mês.
Trata-se do Venvanse, do laboratório anglo-americano Shire. A
droga é vendida nos Estados Unidos desde 2007.
O princípio ativo do medicamento é da família das
anfetaminas, assim como o metilfenidato (Ritalina). A diferença
é que a nova droga é absorvida aos poucos na corrente
sanguínea, o que aumenta a duração dos efeito,
segundo a fabricante.
De acordo com o neurologista Frank Lopez, especialista americano no
tema que veio ao Brasil a convite da farmacêutica Shire, o efeito
estável, sem "picos" e por 13 horas, desestimula o
uso recreativo do medicamento.
"O metilfenidato tem ação imediata, o efeito começa
e acaba rápido. É o que faz as pessoas quererem mais e
abusarem", diz Lopez. O Venvanse tem como efeitos colaterais dor
de cabeça, insônia e perda de apetite.
por GUILHERME GENESTRETI
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/saude/sd0305201101.htm
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