09/05/2011
Redação do Site Inovação
Tecnológica
O famoso gato morto/vivo foi idealizado por Erwin
Schrodinger para explicar o fenômeno quântico da superposição,
em que uma partícula fica em dois estados simultaneamente, somente
se decidindo entre um deles - ou colapsando, como dizem os físicos
- quando se tenta medir esse estado
Se o experimento mental do gato de Schrodinger já não
fosse estranho o suficiente, agora cientistas conseguiram complicar
tudo um pouco mais. A equipe do Dr. Noriyuki Lee e seus colegas da Universidade
de Tóquio, no Japão, descobriram uma forma de teletransportar
o gato de Schrodinger.
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| O experimento envolve algumas das questóes
mais intrigantes da física atual: a luz é uma onda,
uma partícula, as duas coisas, ou nenhuma das duas coisas?
[Imagem: Science/AAAS] |
Teletransporte
O teletransporte quântico já foi demonstrado com átomos
e até mesmo com moléculas de DNA. No teletransporte quântico,
a informação (como o spin de uma partícula ou a
polarização de um fóton) é transferida de
um local para o outro, sem que ocorra o deslocamento por um meio físico.
Não há transferência de energia nem de matéria.
Gato de Schrodinger
Já o famoso gato morto/vivo foi idealizado por Erwin Schrodinger
para explicar o fenômeno quântico da superposição,
em que uma partícula fica em dois estados simultaneamente, somente
se decidindo entre um deles - ou colapsando, como dizem os físicos
- quando se tenta medir esse estado.
Schrodinger explicou isto em termos de objetos em escala macro: um
gato fechado em uma caixa contendo um frasco de veneno. O frasco estará
aberto se uma partícula quântica estiver em um estado,
e fechado se a partícula estiver em outro estado.
Em termos quânticos, o gato estará vivo e morto simultaneamente.
Somente quando alguém abrir a caixa - o equivalente a medir o
estado quântico da partícula - a partícula colapsará
e conheceremos o real estado do gato - vivo ou morto.
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| Depois de ser teletransportado, gato de Schrodinger
chega do outro lado no seu paradoxal estado de vivo/morto. [Imagem:
Science/AAAS] |
Teletransporte do gato de Schrodinger
Os pesquisadores descobriram uma forma de teletransportar um quanta
de luz, ou um fóton, que está em um estado de superposição,
ou seja, no chamado estado do gato de Schrodinger.
A partícula quântica superposta é destruída
em um local e integralmente reconstruída em outro local, sem
perder nenhuma de suas sensíveis propriedades quânticas
- ou seja, o gato de Schrodinger chega do outro lado no seu paradoxal
estado de vivo/morto.
Os pesquisadores começaram construindo um estado de entrelaçamento,
no qual duas partículas compartilham propriedades qualquer que
seja a distância entre elas.
Em outro ponto, eles construíram o gato de Schrodinger, a partícula
em superposição, que deveria ser teletransportada.
O funcionamento do sistema de teletransporte propriamente dito dificilmente
poderia ser descrito em linguagem não-matemática - veja
na imagem o aparato necessário para executá-lo.
O processo envolve uma sequência de passos que combinam múltiplos
fenômenos quânticos, incluindo compressão e subtração
de fótons, entrelaçamento e detecção homódina.
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| O estado do gato de Schrodinger deve ser destruído
em um lugar para que ele reapareça em outro - não
foi uma clonagem, mas um teletransporte real. [Imagem: Science/AAAS] |
Limite da não-clonagem
Apesar da complexidade do processo e da fragilidade dos estados quânticos
envolvidos, os cientistas conseguiram comprovar o teletransporte usando
uma ferramenta matemática conhecida como Função
de Wigner, que descreve o quão "quântico" um
pulso de luz é.
Essa função apresenta valores negativos que funcionam
como uma medição da qualidade do teletransporte. Esta
qualidade é medida por um número, chamado fidelidade,
que deve ser maior do que 2/3 em uma operação de teletransporte
feita com sucesso.
Esse valor de 2/3 é o chamado limite da não-clonagem,
que garante que não existe mais nenhuma cópia da partícula
quântica na origem - o estado do gato de Schrodinger deve ser
destruído em um lugar para que ele reapareça em outro.
Ou seja, a partícula superposta de fato foi destruída
em um ponto e recriada exatamente igual em outro - ela foi realmente
teletransportada.
Transferência instantânea de informação
O experimento demonstra um mecanismo que poderá ser usado para
projetar computadores quânticos que serão capazes de transportar
informações com precisão e com absoluta segurança
- e instantaneamente.
Em vez de disparar os bits através de fibras ópticas,
onde há sempre o risco de que eles sejam monitorados por bisbilhoteiros,
esses bits poderão ser teletransportados diretamente para o destino.
O mecanismo também é de interesse para o processamento
quântico - basta imaginar algo como um dado que sai de um núcleo
de processamento diretamente para outro núcleo, ou o resultado
de um cálculo que chega instantaneamente no ponto do circuito
onde ele está sendo esperado para o próximo passo do algoritmo.
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| A "sala de teletransporte" usada pelos
cientistas japoneses não lembra em nada os aparatos vistos
em filmes de ficção científica - e ela só
funciona em escala quântica. [Imagem: Science/AAAS] |
Luz sobre a luz
Do ponto de vista científico, o experimento demonstra o avanço
obtido na manipulação dos objetos quânticos, há
poucos anos vistos como meras abstrações.
E renova as esperanças de que os cientistas logo encontrem uma
forma de representar graficamente os estados quânticos das partículas,
para que tais estados possam ser visualizados diretamente.
Talvez então se conseguirá lançar alguma luz sobre
o mistério da própria luz: a luz é uma onda, uma
partícula, as duas coisas, ou nenhuma das duas coisas?
Bibliografia:
Teleportation of Nonclassical Wave Packets of
Light
Noriyuki Lee, Hugo Benichi, Yuishi Takeno, Shuntaro Takeda, James Webb,
Elanor Huntington, Akira Furusawa
Science
15 April 2011
Vol.: 332 no. 6027 pp. 330-333
DOI: 10.1126/science.1201034
Make It Quantum and Continuous
Philippe Grangier
Science
15 April 2011
Vol.: 332 no. 6027 pp. 313-314
DOI: 10.1126/science.1204814
Fonte: http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=teletransporte-gato-schrodinger
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