17/04/2011
A capacidade de realizar mais de uma tarefa ao
mesmo tempo cai à medida que o homem envelhece. Uma nova pesquisa
aponta que o motivo pelo qual pessoas mais velhas têm mais dificuldade
em alternar tarefas está nas redes neurais.

Estudo indica porque a capacidade de realizar
mais de uma tarefa ao mesmo tempo cai à medida que se envelhece.
O problema não são as tarefas, mas as distrações.
Lidar com múltiplas tarefas envolve a memória de curta
duração, que define a capacidade de manter e manipular
uma determinada informação em um período de tempo.
Essa memória de trabalho é a base de todas as operações
mentais, de decorar um número de telefone a digitá-lo
em um aparelho, de manter o ritmo de uma conversa a conduzir funções
complexas como raciocinar ou aprender.
“Os resultados do estudo sugerem que o impacto negativo das múltiplas
tarefas na memória de trabalho não é necessariamente
um problema com a memória, mas deriva de uma interação
entre atenção e memória”, disse Adam Gazzaley,
professor da Universidade da Califórnia em San Francisco, um
dos autores do estudo que será publicado esta semana na revista
Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).
De acordo com o estudo, a dificuldade em realizar mais de uma tarefa
em um mesmo período de tempo está no momento de alternar
entre uma atividade e outra.
O problema fundamental não são as própria tarefas
ou as interrupções, mas as distrações. A
pesquisa indica que a capacidade do cérebro em ignorar informações
irrelevantes cai com a idade e que isso impacta na memória de
trabalho.
O estudo reforça que as “coisas da idade”, como
costumam ser chamados episódios comuns de distração
e esquecimento, têm um impacto maior em indivíduos mais
velhos.
Os pesquisadores compararam a memória funcional de jovens saudáveis
(com idade média de 24,5 anos) e de idosos também saudáveis
(com média de 69,1 anos) em testes envolvendo diversas tarefas
simultâneras.
Por meio de imagens de ressonância magnética, analisaram
o fluxo sanguíneo nos cérebros dos participantes de modo
a tentar identificar as atividades de circuitos e redes neurais.
Os participantes tinham que observar uma determinada cena e fixá-la
por 14,4 segundos. Durante o período, entrava uma interrupção,
na forma da imagem de um rosto, e os voluntários tinham que determinar
o sexo e a idade estimada da pessoa. Em seguida, tinham que lembrar
a cena original.
Os mais velhos mostraram maior dificuldade em fixar a imagem original.
Os exames de ressonância mostraram que quando os participantes
eram interrompidos, o processo de fixação da memória
dava lugar ao próprio processamento da interrupção.
Os mais jovens conseguiam restabelecer a conexão com a rede
da memória após a interrupção, desligando-se
da imagem que apareceu no meio do teste. Já os mais velhos, na
média, tiveram dificuldade tanto para se desligar da interrupção
como para restabelecer a rede neural associada com a memória
da cena original.
“O impacto das distrações e das interrupções
revela a fragilidade da memória de trabalho. Esse é
um fato importante a se considerar, uma vez que vivemos em um meio
em que cada vez há mais interferências e exigências,
como o aumento na quantidade de dispositivos que transportam informação”,
disse Gazzaley.
O artigo - A deficit in switching between functional brain networks
underlies the impact of multitasking on working memory in older adults
- (doi/10.1073/pnas.1015297108), de Adam Gazzaley e outros, poderá
ser lido em breve por assinantes da PNAS em www.pnas.org/cgi/doi/10.1073/pnas.1015297108.
Fonte: http://www.agencia.fapesp.br/materia/13727/distracoes-da-memoria.htm
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