11/04/2011
Estudo com ratos mostrou que situação de estresse e agressão
modifica mais do que a autoestima
Uma pesquisa com ratos da Universidade de Rockefeller,
nos Estados Unidos, descobriu que o bullying persistente tem efeitos
não apenas na autoestima, como na composição química
do cérebro daqueles que sofrem a agressão. Os resultados
do estudo mostraram que os ratos que foram vítimas de bullying
desenvolveram, além de um nervosismo pouco comum perto de novas
companhias, uma maior sensibilidade à vasopressina, um hormônio
ligado a uma variedade de comportamentos sociais.
Ratos que passam por situação de
estresse se isolam
- Rockefeller University/Reprodução -
Segundo os pesquisadores, as descobertas sugerem que o estresse social
crônico afeta o sistema neuro-endócrino, fundamental para
comportamentos sociais como o cortejo, ligação entre pares
e comportamento paternal. Mudanças nos componentes desses sistemas
implicam em desordens como fobias sociais, depressão, esquizofrenia
e autismo, afirmam os pesquisadores. Assim, as descobertas do estudo
sugerem que o bullying pode contribuir para o desenvolvimento de ansiedade
social de nível molecular a longo prazo.
Para realizar o estudo, os pesquisadores desenvolveram um cenário
que simula um pátio escolar onde um pequeno rato é colocado
em uma jaula com diversos ratos maiores e mais velhos, que vão
sendo substituídos a cada dez dias. Como os ratos são
animais territoriais, cada nova chegada ocasionava uma briga, que era
sempre perdida pelo novo ocupante da jaula.
Após a briga, os pesquisadores separavam os animais fisicamente
com uma grade que permitia ainda que o animal perdedor visse, ouvisse
e sentisse o cheiro do outro, criando uma experiência de estresse.
Depois de um dia de descanso, o rato perdedor, que passou por essa situação
de estresse extremo, era colocado na presença de um outro rato
não ameaçador. Nesta situação o rato vítima
de bullying era mais relutante na hora de interagir com outros ratos.
Eles também desenvolveram uma tendência a "congelar"
em um lugar por tempos mais longos e frequentemente demonstravam estar
avaliando riscos em relação a seus colegas de jaula. Todos
esses comportamentos indicam medo e ansiedade.
Os pesquisadores então passaram para a análise do cérebro
desses ratos, particularmente da parte do meio do córtex pré-frontal
que é associada ao comportamento social e emocional. Eles descobriram
que a expressão dos receptores de vasopressina havia aumentado,
tornando os ratos mais sensíveis a esse hormônio, que é
encontrado em altos níveis em ratos com distúrbios de
ansiedade.
Os pesquisadores também deram para um grupo de ratos um medicamento
que bloqueia os receptores de vasopressina, o que controlou o comportamento
ansioso de diversos ratos vítimas de bullying.
A pergunta que ainda precisa ser respondida é por quanto tempo
duram os efeitos do bullying no cérebro. Embora ainda não
haja uma resposta certa, os pesquisadores afirmam que há evidências
de que traumas psicológicos ocorridos no início da vida
podem continuar afetando uma pessoa por toda a vida.
Fonte - http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,experiencia-mostra-que-bullying-altera-composicao-quimica-do-cerebro,703512,0.htm
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