10/04/2011
A revista eletrônica "Inovação Tecnológica"
publicou interessante matéria sobre uma nova forma de "anti-matéria"
criada - http://www.inovacaotecnologica.com.br
Com informações da New Scientist e RHIC
- 24/03/2011
Anti-hélio
Um grupo internacional de cientistas, com participação
de brasileiros, criou uma nova forma de antimatéria que é
a maior e mais complexa anti-coisa já vista.
Até então, a antimatéria mais complexa e mais
pesada já criada era um híbrido de hélio e hidrogênio,
um anti-hélio-3, com dois antiprótons e um antinêutron.
Agora foram criados núcleos de anti-hélio verdadeiro,
contendo dois antiprótons e dois antinêutrons, ou anti-hélio-4.
O anti-hélio foi detectado no Colisor Relativístico de
Íons Pesados (RHIC: Relativistic Heavy Ion Collider), que fica
localizado em Upton, no estado de Nova Iorque. O colisor é operado
pela Colaboração STAR, que reúne 584 cientistas
de 54 instituições de 12 países diferentes.

Este é o detector do RHIC, onde as partículas
de anti-hélio-4
foram observadas pela primeira vez.
[Imagem: Star Colaboration]
Criação da antimatéria
No ano passado, a equipe STAR anunciou a descoberta do anti-hipertríton,
formado por um antipróton, um antinêutron e uma partícula
instável chamada anti-lambda. O anti-hipertriton era então
antipartícula mais pesada que se conhecia.
Mas os 18 núcleos de anti-hélio-4 observados agora bateram
os recordes anteriores.
Anti-partículas têm carga elétrica oposta à
das partículas de matéria ordinária - os antinêutrons,
que são eletricamente neutros, são compostos de antiquarks
que têm carga oposta à dos quarks normais.
As partículas de antimatéria aniquilam-se no contato
com a matéria comum, emitindo um flash de raios gama, o que as
torna notoriamente difíceis de encontrar e observar.
Mas isto vem mudando rapidamente. No ano passado cientistas conseguiram
capturar a antimatéria pela primeira vez e, há poucas
semanas, anunciaram o desenvolvimento de uma garrafa capaz de guardar
antimatéria.
No RHIC, os cientistas colidem núcleos atômicos pesados,
como chumbo e ouro, para formar bolas de fogo microscópicas,
onde a energia é tão densa que podem ser criadas muitas
novas partículas.
A anti-tabela periódica é também
conhecida como Quadro 3-D dos Nuclídeos.
[Imagem: RHIC]
Anti-Tabela Periódica
"Eles nos levaram para o próximo elemento da anti-tabela
periódica," comentou Frank Close, da Universidade de Oxford,
no Reino Unido.
A Tabela Periódica normal organiza os elementos de acordo com
seu número atômico (Z), que determina as propriedades químicas
de cada elemento. Os físicos também trabalham com o eixo
N, que dá o número de nêutrons no núcleo
de cada átomo.
O terceiro eixo representa a estranheza (S), que é zero para
toda a matéria que ocorre naturalmente, mas pode ser não-zero
no núcleo de estrelas colapsadas.
Os antinúcleos ficam na porção Z e N negativos,
e o novo antinúcleo descoberto agora (mostrado em magenta na
ilustração) estende a anti-tabela periódica para
a região da antimatéria estranha.
Antimatéria sólida
O próximo anti-elemento dessa nascente anti-tabela periódica,
o antilítio, poderia, em teoria, formar antimatéria sólida
a temperatura ambiente - mas isso será algo muito mais difícil
de fazer.
A equipe STAR calcula que o antilítio irá nascer de colisões
com menos de um milionésimo da frequência de formação
do anti-hélio-4 agora observado.
Na prática, isso o coloca fora do alcance dos colisores de hoje,
incluindo o LHC.
Esconderijo da antimatéria
O cientista acrescenta que a obtenção do anti-hélio
"não nos leva mais perto de responder a grande pergunta
de por que é que o universo em geral não está repleto
de antimatéria."
De fato, as teorias atuais afirmam que matéria e antimatéria
foram criadas em quantidades iguais nos primeiros instantes do universo,
mas, por razões desconhecidas, a matéria prevaleceu.
Um observatório espacial, chamado Espectrômetro Magnético
Alfa, que será levado para a Estação Espacial Internacional
em Abril pelo ônibus espacial Endeavour, vai tentar amainar esse
problema.
Já se sabe que os antiprótons ocorrem naturalmente em
pequenas quantidades entre as partículas de alta energia, os
chamados raios cósmicos, que atingem a Terra.
O AMS irá procurar por antipartículas mais pesadas. Mas
se o anti-hélio é produzido apenas raramente em colisões,
como mostrado agora pelo RHIC, então o AMS não deverá
detectar anti-hélios.
Se ele encontrar altos níveis de anti-hélio, isto poderia
reforçar a teoria de que a antimatéria não foi
destruída no início do universo, mas simplesmente separada
em uma parte diferente do espaço, onde não entra em contato
com a matéria.
Bibliografia:
Observation of the antimatter helium-4 nucleus
STAR Collaboration
arXiv
March 2011
http://arxiv.org/abs/1103.3312
Fonte:
http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=antimateria-mais-pesada-anti-tabela-periodica
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