26/02/2011
O professor Ademir Xavier indicou e analisou recente estudo
realizado com pacientes terminais em UTIs, onde foi possível
detectar um aumento súbito no nível de consciência
por meio de técnicas sofisticadas de eletrografia pouco antes
da declaração de morte 'clínica'.
Segundo o professor, embora ninguém saiba porque isso ocorre
(já que o aumento ocorre as vezes 20 minutos após a parada
cardíaca), podemos correlacionar esse 'clarão' de consciência
com o que Andre Luiz descreve em 'Obreiros da Vida Eterna'.
Em seu blog o professor Ademir realizou uma tradução
e uma análise de alguns pontos do estudo, o que transcrevemos
aqui.
http://eradoespirito.blogspot.com

"...O Espírito é, se quiserdes, uma chama, um
clarão, ou uma centelha elétrica."
(Resposta a questão 88 de 'O Livro dos Espíritos', A.
Kardec)
Anomalias nos sinais elétricos do Cérebro com a morte
do corpo
Para monitorar a atividade do cérebro é bastante conhecida
e empregada a técnica da eletroencefalografia (EEG). Potenciais
elétricos variáveis que surgem no crânio como resultado
da intensa atividade neuronal podem ser investigados de uma forma limitada
e mostram amplitude decrescente, que se correlaciona com a diminuição
da atividade cerebral conforme o metabolismo do cérebro é
atuado por diversos fatores tais como: efeitos de drogas, lesões
ou 'isquemia' (do grego..., isch- restrição, aima , sangue).
Mais recentemente, algoritmos sofisticados de análise 'multivariável'
de EEGs tornaram possível desenvolver equipamentos e escalas
de consciência ('awareness') visando determinar, em tempo real,
o grau de sedação em que se encontram pacientes em tratamento
intensivo (nas famosas e temidas 'UTIs'). Isso é importante para
se garantir 'inconsciência' durante intervenções
cirúrgicas e em outros processos de tratamento. Duas escalas
foram criadas, uma chamada 'índice biespectral' (chamado BIS)
que é saída do monitor de índice biespectral e
outra dos monitores SEDLine da empresa Masimo. O índice Sedline,
por exemplo, considera o grau de sensibilidade à sedação
que vai de 0 a 100. Acima de 80, o indivíduo é considerado
plenamente consciente. Níveis seguros de sedação
ocorrem entre 40 e 60. Abaixo de 40 a sedação é
severa. Com a morte chamada 'cerebral', o índice biespectral
vai a zero.
Em um artigo recente e muito interessante ("Picos de atividade
eletroencefalográfica na hora da morte: estudo de casos",
Chawla, 2009), foram descobertos padrões anômalos no comportamento
elétrico do cérebro no momento da morte do corpo.
No artigo que analisamos, o Dr. Chawla e sua equipe (Departamento de
Anestesiologia e Medicina de Tratamentos Críticos do Centro Médico
da Universidade George Washington, EUA) monitorou um grupo de 7 pacientes
em estado terminal em que tratamentos de apoio à vida foram progressivamente
retirados. Com isso, eles entram em um novo 'protocolo' visando dar
conforto ao processo que segue, que é a parada cardíaca
seguida da morte do corpo. Durante esse processo, o comportamento elétrico
do cérebro foi analisado usando as escalas que discutimos acima,
o que resultou na descoberta de uma anomalia no comportamento da escala.
A figura abaixo é um gráfico do índice Sedline
para um paciente (chamado #01) durante o processo de parada cardíaca
(monitorada conjuntamente com um ECG - eletrocardiograma).
Curva de nível BIS no instante da morte, paciente
#01 (segundo Chawla, 2009).
A parada cardíaca ocorre pouco depois das 6:35. Antes, a escala
demonstra um nível normal de consciência, por volta de
80. Com a parada, oxigênio deixa de ser enviado ao cérebro
(assim como a todo o corpo). O nível de 'consciência' representado
na escala BIS começa, então, a cair. O nível da
escala chega a zero pouco antes das 6:50 (cerca de 15 minutos após
a parada), quando então algo acontece: um pico surge que durar
vários minutos, o que sugere - por causa da maneira com que a
escala é interpretada - que um 'clarão de consciência'
final ocorre. Esse pico de 'awareness' foi observado em todos os pacientes
e pode durar alguns minutos com uma média entre 30 e 180 segundos.
A posição do pico também ocorre entre 15 a 25 minutos
após a parada. De acordo com o artigo citado:
Pudemos observar vários desses
picos de BIS (mais de 20) em outros pacientes que estavam na fase
anterior à morte, e a temporização desses picos
foi consistente, embora nem todos os pacientes demonstrassem a atividade.
Apenas reportamos aqui pacientes para os quais fomos capazes de registrar
o aparecimento do pico no monitor. Em nossa revisão bibliográfica,
encontramos um reporte de pico de BIS em um cenário clínico
semelhante (Grambrell, 2005). O formato e temporização
deste pico reportado é consistente com a dos 7 pacientes examinados
neste artigo.
Os picos podem ser considerados anomalias,
pois não se prevê aumento da consciência tanto tempo
decorrido após a parada cardíaca. Os tecidos neurais ingressam
em estágio de 'isquemia' e a depleção de oxigênio
impede qualquer atividade. De acordo com a explicação
mais aceita sobre a base e fundamentação da consciência,
não pode haver consciência na massa celular que não
dispõe sequer de energia para alimentar a si mesma.
Curva de nível BIS no instante da morte, paciente #02 (segundo
Chawla, 2009). Neste caso, o pico final durou mais de 5 minutos.
A análise dos gráficos
de evolução temporal da escala BIS com a morte do corpo
exibe claramente a existência de dois fenômenos concorrentes:
uma curva assintótica (entremeada por picos menores), mostrando
um regime associado ao novo processo bioquímico em andamento
com a isquemia (depleção de energia) e uma explosão
de atividade que antecede a 'morte definitiva' (depois desse pico, não
há mais nenhuma atividade e o paciente é declarado clinicamente
morto).
Duas explicações especulativas são fornecidas pelos
autores: a primeira associada a algum efeito de 'interferência'
gerado no algoritmo (o que é descartado) e a disruptura de potencial
elétrico por grandes conjuntos de neurônios, o que causa
uma cascata de atividade elétrica. Entretanto, essa atividade
está associada a 'ondas de alta frequência' (as chamadas
'ondas gama') que também já se mostrou estarem ligadas
a certas práticas meditativas. Os autores associam diretamente
os picos anômalos de consciência como uma possível
'explicação' (obviamente empírica, ou seja, um
fenômeno é considerado causa de outro) para as ocorrências
ou experiências de quase-morte (near-death experiences, NDE):
Oferecemos esta como uma explicação
potencial para a clareza com que muitos pacientes reportam 'experiências
fora do corpo' quando ressuscitados com sucesso de um evento de quase-morte.
A parte do fato de que é difícil
explicar como é possível que o indivíduo retorne
ileso em suas funções cognitiva depois de experimentarem
falta severa de oxigênio, essa explicação desconsidera
totalmente outros detalhes das experiências, que é o das
lembranças verificáveis de eventos externos ao paciente,
que ele adquire por ingressar em uma realidade diferente mas paralela
a da vigília - com um cérebro considerado clinicamente
morto. Assim, a sugestão da correlação entre o
pico na escala de consciência e as experiências de quase-morte
é algo precipitada, mas, não obstante, verificável.
Para isso, é necessário monitorar a mesma escala com vários
pacientes que sofrem NDE, até que se consiga um evento onde esses
picos sejam de fato confirmados e correlacionados com os tempos da experiência.
Entretanto, a cautela dos autores demonstra uma prudência bastante
profissional:
A natureza dessas experiências
invoca uma explicação espiritual ou divina, um tópico
que está além do escopo deste artigo. Não obstante
isso, o final da vida é uma área pouco estudada na medicina
clínica e merece mais atenção. Se essas observações
serão importantes, isso será determinado por investigações
futuras. Para o profissional de tratamentos paliativos, esperamos
que tais observações sejam úteis. Em nossa prática
de cuidados, permanecemos bastante tempo em contato com famílias
em luto. Nesse contato, pudemos constatar que a idéia de que
'algo' acontece no momento da morte é bastante reconfortante.
Dado que sabemos tão pouco sobre essas observações,
somos cuidadosos em não fazer afirmações definitivas.
Mas, essa noção de um sinal elétrico que pode
ser objetivamente medido próximo ao momento da morte é
uma fonte de conforto para muitas famílias com pacientes que
não resistiram ao tratamento em UTIs.
Para complementar nossa discussão,
oferecemos ao leitor um texto para sua reflexão e comparação
com os achados do artigo que aqui analisamos. Trata-se da descrição
feita por André Luiz no livro "Obreiros da Vida Eterna"
da morte de Dimas (Capítulo 13, 'Companheiro Libertado'; Xavier,
1988), sob auxílio do instrutor Jerônimo.
Os grifos são nossos.
Dimas gemeu em voz alta, semi-inconsciente.
Acorreram amigos, assustados.
Sacos de água quente foram-lhe apostos nos pés. Mas,
antes que os familiares entrassem em cena, Jerônimo, com passes
concentrados sobre o tórax, relaxou os elos que mantinham a
coesão celular no centro emotivo, operando sobre determinado
ponto do coração, que passou a funcionar como
bomba mecânica, desreguladamente. Nova cota de substância
desprendia-se do corpo, do epigastro à garganta, mas reparei
que todos os músculos trabalhavam fortemente contra a partida
da alma, opondose à libertação das forças
motrizes, em esforço desesperado, ocasionando angustiosa aflição
ao paciente. O campo físico oferecia-nos resistência,
insistindo pela retenção do senhor espiritual.
Com a fuga do pulso,
foram chamados os parentes e o médico, que acorreram, pressurosos.
No regaço maternal, todavia, e sob nossa influenciação
direta, Dimas não conseguiu articular palavras ou concatenar
raciocínios. Alcançáramos o coma, em boas condições.
O Assistente estabeleceu reduzido tempo de descanso, mas volveu a
intervir no cérebro. Era a última etapa. Concentrando
todo o seu potencial de energia na fossa romboidal, Jerônimo
quebrou alguma coisa que não pude perceber com minúcias,
e brilhante chama violeta-dourada desligou-se da região
craniana, absorvendo, instantâneamente, a vasta porção
de substância leitosa já exteriorizada. Quis fitar a
brilhante luz, mas confesso que era difícil fixá-la,
com rigor. Em breves instantes, porém, notei que as forças
em exame eram dotadas de movimento plasticizante. A chama
mencionada transformouse em maravilhosa cabeça, em tudo idêntica
à do nosso amigo em desencarnação, constituindo-se,
após ela, todo o corpo perispiritual de Dimas, membro a membro,
traço a traço. E, àmedida que o novo organismo
ressurgia ao nosso olhar, a luz violeta-dourada, fulgurante no cérebro,
empalidecia gradualmente, até desaparecer, de todo, como se
representasse o conjunto dos princípios superiores da personalidade,
momentaneamente recolhidos a um único ponto, espraiando-se,
em seguida, através de todos os escaninhos do organismo perispirítico,
assegurando, desse modo, a coesão dos diferentes átomos,
das novas dimensões vibratórias.
Referências
Gambrell M. Using the BIS monitor
in palliative care: A casestudy. J Neurosci Nurs 2005;37:140–143
Lakhmir S. Chawla, Seth Akst, Christopher
Junker, Barbara Jacobs, Michael G. Seneff. Surges of Electroencephalogram
Activity at the Time of Death: A Case Series. Journal of Palliative
Medicine. Dezembro 2009, 12(12): 1095-1100. doi:10.1089/jpm.2009.0159.
O artigo pode ser lido em: http://www.liebertonline.com/doi/pdfplus/10.1089/jpm.2009.0159
Xavier F. C. Obreiros da Vida Eterna.
17a edição. 1988. Ed. FEB. ISBN: 8573283157.
Fonte - http://eradoespirito.blogspot.com/2011/02/anomalias-nos-sinais-eletricos-do.html
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