07/02/2011
O Sr. Dermeval Carinhana Jr. esteve em viagem
de divulgação e visita ao sul de Minas Gerais,
onde conheceu vários Centros Espíritas. Publicamos texto
dele sobre a viagem, encaminhado pelo Sr. Orson Peter Carrara.
O Espiritismo no Sul de Minas
Dermeval Carinhana Jr. - dcarinhana@gmail.com
Instituto de Estudos Espíritas “Wilson Ferreira de Mello”,
Campinas, SP.
Pela quarta vez tivemos a honra e a felicidade de visitar,
em seqüência, diversos centros espíritas naquilo que
se pode chamar de uma verdadeira viagem espírita. Dessa vez,
o convite nos levou ao Sul de Minas Gerais, nas cidades de Campanha,
Boa Esperança, Três Corações e Varginha.
Na bagagem, palestras da série “Colaboradores de Allan
Kardec”, pertencente ao projeto “Conheça Kardec”,
elaborado e desenvolvido em nosso agrupamento espírita, o Instituto
de Estudos Espíritas “Wilson Ferreira de Mello”:
“Os Médiuns e Allan Kardec”; “Os Espíritos
e Allan Kardec”; “A Correspondência de Allan Kardec”;
e “As Viagens de Allan Kardec”. Como das outras vezes, nossa
viagem tinha dois grandes objetivos: contribuir na propagação
do pensamento de Kardec sobre as idéias espíritas e, como
em uma via de mão dupla, recolher na forma de ensinamento as
impressões e experiências em cada centro visitado. Nesse
aspecto, nossa pequena incursão mineira não poderia ter
sido mais proveitosa: em todos os lugares por onde passamos, vimos grupos
espíritas, alguns com mais de 70 anos de atividades, altamente
organizados, com grandes idealistas à frente de seus trabalhos,
contribuindo, de forma simples e dedicada, com o esclarecimento da criatura
humana sobre sua natureza espiritual.
Um ponto que nos chamou verdadeiramente a atenção foi
o número de jovens e crianças presentes às reuniões.
Em mais de uma cidade pudemos constatar sua presença em companhia
de seus pais e responsáveis, acompanhando com vivo interesse
e atenção a apresentação de conteúdos
sobre a vida e obra de Allan Kardec. Prova disso, foram algumas das
perguntas de elevado teor moral e filosófico que nos foram endereçadas
ao final das exposições. Em Campanha, um garoto de 12
anos perguntou sobre as motivações que levaram Allan Kardec
a iniciar seus estudos espíritas. Em Três Corações,
outro jovem da mesma idade quis saber sobre o funcionamento de nosso
centro, e como havia surgido a idéia de levar adiante o projeto
“Conheça Kardec”. Tais manifestações
apenas confirmam que, a despeito dos poucos anos apresentados pelo corpo
físico, os jovens guardam as mesmas necessidades e possibilidades
que quaisquer outros espíritos ligados a esse planeta. A sabedoria
consiste, pois, em se aproveitar tal potencial, sempre tendo em vista
as limitações naturais de cada fase em que o espírito
se encontra.
Outro aspecto que desejamos destacar consiste nas relações
existentes entre os diferentes grupos espíritas, mesmo localizados
em cidades diferentes, algumas distantes mais de 100 km entre si. Há,
entre eles, um respeito mútuo, não por uma forma de afiliação
qualquer, mas sim pelo mais puro laço moral construído
com base na convivência séria e saudável entre seus
dirigentes e freqüentadores. Ao mesmo tempo em que se observa essa
relação horizontal de mútua estima, há,
por parte de alguns companheiros, uma ascendência moral natural,
daquelas construídas ao longo do tempo, da experiência
e, sobretudo, dos verdadeiros sentimentos de simpatia para com tudo
e para com todos. Nesse sentido, foi em Boa Esperança e Varginha
onde encontramos verdadeiros exemplos de referenciais de devotamento
e empenho na implantação e desenvolvimento de trabalhos
espíritas, apontados não por nós, mas sim pelos
companheiros que, reconhecidos pela ajuda recebida, fizeram questão
de compartilhar conosco seus sentimentos de carinho e agradecimento.
Um fato que desconhecíamos por completo foi a própria
história do surgimento dos núcleos espíritas nessa
região do país. Sabíamos, não há
dúvidas com respeito a isso, da importância e do dinamismo
do meio espírita em Minas Gerais, em particular pela influência
natural, e importante, de Chico Xavier, cujo papel na história
do Espiritismo dispensa maiores comentários. No entanto, em todos
os lugares por onde passamos, sem exceção, ficou evidente
que a criação e organização do Espiritismo
datam de uma época anterior à própria atuação
do Chico, o que mostra que, não sem motivo, seu trabalho encontrou
um ambiente favorável na região de Minas.
Por fim, experiências como essa demonstram que, ao contrário
do que pensam alguns, o meio espírita atual é formado
por uma grande malha altamente ativa e organizada de agrupamentos espíritas.
Como as pessoas que os compõem, tais centros são dotados
das mais diversas características entre si. Uns são pequenos,
ao passo que outros, grandes. Alguns são muito antigos, enquanto
muitos outros possuem poucos anos de idade. Em muitos casos, ao lado
de centros dotados de dezenas de grupos de estudos, há agrupamentos
onde seus dirigentes ainda estão em vias de firmar um grupo dessa
natureza. Em sua maioria, os centros possuem bibliotecas e livrarias
notáveis pela organização e número de livros,
enquanto outros tantos contam apenas com um punhado de livros bem aproveitados
por todos. Daí se deduz que, longe de ser um obstáculo,
a diversidade do meio espírita consiste em belas oportunidades
de aprendizados e trocas de experiências entre todos os envolvidos.
Carece, pois, de qualquer base racional e moral a afirmação
de que o meio espírita é despreparado ou está envolto
em crises de toda a ordem. Há muito que fazer, não há
dúvidas, em prol da propagação e avanço
do Espiritismo. Contudo, tão certo quanto isso é o fato
de que as pessoas responsáveis por tais desenvolvimentos já
se encontram, a maneira dos primeiros pioneiros espíritas, onde
sempre se encontram os verdadeiros idealistas: realizando de forma alegre
e desinteressada suas tarefas no Bem.
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