13/09/2009
André Trigueiro lança o livro "Espiritismo
e Ecologia"

por Alexandre Mansur - revista Época
O jornalista André Trigueiro, da Globonews,
vai lançou seu novo livro “Espiritismo e Ecologia”,
dia 12 de Setembro, na Bienal do Livro do Rio de Janeiro, no Riocentro.
Em seu livro, Trigueiro identifica como a preservação
ecológica se identifica com o espiritismo, e com a espiritualidade,
em um sentido mais amplo. “Se equilíbrio é sinônimo
de sustentabilidade, quem busca o equilíbrio através da
religião precisa ser sustentável”, diz. Trigueiro
explica isso em detalhes na entrevista que concedeu à Época:
Época: O que o espiritismo diz
sobre ecologia?
André Trigueiro: A expressão “ecologia”
foi cunhada na Alemanha apenas nove anos depois de a primeira edição
de o “Livro dos Espíritos” ter sido lançada
na França , no inspiradíssimo século XIX do evolucionismo,
do positivismo, do comunismo, da psicanálise, e de outras correntes
de pensamento referenciais para parcela expressiva da humanidade. Espiritismo
e ecologia explicam, cada qual ao seu modo, um universo sistêmico
e interligado, o uso racional dos recursos naturais baseado no princípio
da necessidade - e não da opulência -, uma nova ética
solidária que leve em conta os interesses de todos e não
de uma minoria, o respeito a todos os seres viventes. Espíritas
e ecologistas também reconhecem a existência de mecanismos
de autoproteção da Terra, embora expliquem isso de formas
distintas. E estudam os efeitos colaterais da poluição
nos dois planos da vida: enquanto a ecologia investiga o impacto dos
poluentes na matéria (ar, água, solo), o espiritismo desdobra-se
na investigação dos impactos de outros gêneros de
poluentes (formas-pensamento, miasmas, etc) no campo sutil, no plano
atral, também chamado de psicosfera.
Época: Como a ética religiosa
pode ajudar a preservar a natureza?
Trigueiro: Onde se aceita a idéia de Deus, a natureza
é entendida como obra divina, onde o sagrado se manifesta de
forma rica e exuberante. Depredar a natureza significa macular um sistema
em equilíbrio que dispõe de tudo o que nos é necessário
para que possamos viver bem. De uns tempos para cá, diversas
tradições vem descobrindo a riqueza da teologia ambiental
para explicar, cada qual a seu modo, como as leis que regem a vida e
o universo precisam ser respeitadas em favor de nós mesmos. Não
estamos desconectados do meio que nos cerca. Na verdade, essa ligação
é intrínseca e visceral. Se equilíbrio é
sinônimo de sustentabilidade, quem busca o equilíbrio através
da religião precisa ser sustentável.
Época: Você acha que se
as pessoas tivessem mais espiritualidade, cuidariam melhor do ambiente?
Trigueiro: Quem cuida do lado espiritual - e realiza
essa busca solitária e persistente de Deus em si mesmo - tende
a ser menos dependente dos bens materiais - portanto menos consumista
- e mais atento ao legado, aos impactos de ordem material e moral de
sua passagem por este planeta. Mas cada vivência espiritual é
pessoal e intransferível. A espiritualidade contém todas
as religiões, mas uma única religião não
contém toda a espiritualidade. A religião também
não salva ninguém, mas antes, a disposição
de cada um em ser alguém melhor, mais solidário e amoroso.
Também é verdade que muita gente que não acredita
em Deus - ou na vida após a morte - realiza importantes trabalhos
na área da sustentabilidade. Não importa em que se crê,
mas naquilo que se faz de verdade em prol dos outros e do planeta que
nos acolhe.
Época: Como você
descobriu o espiritualismo?
Trigueiro: Em 1987, tive uma curiosidade irrefreável
de investigar os livros de cabeceira de minha mãe, onde estavam
as obras básicas da Doutrina Espírita. Então iniciei
uma aproximação que não teve mais freios nem pudores.
Já na juventude, fazendo questionamentos enormes de ordem existencial
e procurando respostas que não encontrei em outras religiões,
me senti muito bem amparado pelo Espiritismo. Foi um processo natural.
Época: Como você começou
a relacionar a espiritualidade com a preservação ambiental?
Trigueiro: Há seis anos, fui convidado para fazer uma
palestra em um centro espírita do Rio de Janeiro pelo saudoso
escritor, musicoterapeuta e médium Luiz Antônio Millecco,
fundador da Sociedade Pró-Livro Espírita em Braile (SPLEB).
O tema era “Ecologia e Paz”. Creio que o livro começou
a nascer nesta palestra. De lá para cá, através
de minhas pesquisas, descobri que o pedagogo francês Hippolyte
Léon Denizard Rivail (que usou o pseudônimo de Allan Kardec
ao assinar as obras básicas do espiritismo) e o naturalista alemão
Ernst Haeckel, tido como o Pai da Ecologia, eram homens de ciência
que deixaram um legado importantíssimo para os dias de hoje,
em que tentamos entender melhor a origem de múltiplas crises
(econômica, social, ética, ambiental) e os caminhos para
resolvê-las.

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