17/08/2009
por Wellington Balbo
Era negro, mais: negro cientista, algo estranho para
o século XIX, principalmente em um país como os Estados
Unidos, onde o preconceito vicejava abundante anunciando a superioridade
dos brancos. E naquela época leis severas promoviam a segregação
de negros e brancos; negros não podiam se sentar à mesa
com brancos, negros não podiam estudar, negros não podiam
ter atividade cultural. Havia hotéis proibindo a entrada de negros,
como se fossem contaminar o ambiente apenas por terem o invólucro
material mais escuro. Era mesmo lamentável a discriminação.
Aos negros estavam relegados apenas os trabalhos braçais, principalmente
no cultivo do algodão. Interessante é que muitas vezes
parece que eles – os negros - acreditavam serem mesmo inferiores,
pois se comportavam de maneira um tanto conformada com a situação.
No entanto, Deus possui mecanismos perfeitos de mostrar
às incoerências da humanidade, e convoca ao renascimento,
sempre que necessário, almas mais adiantadas moral e intelectualmente
para desmistificar questões entranhadas na vida das pessoas,
como, por exemplo, o lamentável preconceito de que alguém
é maior, melhor ou superior apenas por ter pele mais clara.
E foi em terras americanas que reencarnou George Washington
Carver, o filho de escravos que se notabilizou como um dos maiores cientistas
do mundo no século XX. De sua mente brilhante brotavam descobertas
das mais extraordinárias. Com o pequeno amendoim fez mágicas
fabulosas e extraiu, inclusive leite da pequena semente, que, diga-se
de passagem, produzia também manteiga. Significativo detalhe:
suas descobertas eram também importantes do ponto de vista econômico,
para se ter uma idéia 100 quilos de leite de vaca produziam 10
quilos de queijo, enquanto 100 quilos de leite de amendoim produziam
35 quilos de queijo.
Importante destacar o desprendimento dessa criatura
que veio ao mundo em meio à miséria e cercado de condições
adversas, por dezenas de vezes recebeu propostas milionárias
para patentear as descobertas que fazia na pequena oficina de Deus –
era assim que chamava seu laboratório – no entanto, não
aceitou, em sua concepção as descobertas deveriam estar
ao alcance de todos a fim de beneficiar a coletividade. Dotado de enorme
senso de justiça fazia questão de receber pelo seu trabalho
apenas aquilo que considerava justo, nem mais nem menos. Amante das
artes e da natureza confabulava intimamente com o Criador sobre os mistérios
que cercam os reinos mineral, vegetal e animal. Apreciava a simplicidade,
vestia-se de forma sóbria e lutava incessantemente contra os
desperdícios. Aliás, afirmava o eminente cientista que
podemos aproveitar tudo de tudo, não há sobras nem desperdícios
na natureza, tudo foi feito na medida exata, cabe-nos, portanto, dar
asas a nossa capacidade inventiva e criar. Podemos citar como um dos
muitos exemplos da capacidade criativa do Dr. Carver a utilização
do caroço do algodão, incômoda sobra que era sumariamente
incinerada ou atirada nos rios, constituindo-se em verdadeiro prejuízo
ao meio ambiente. O grande pesquisador conseguiu, pois, dar múltiplas
finalidades ao caroço do algodão, transformando-o em fonte
de riquezas, findou-se então o problema ambiental pertinente
ao caroço de algodão de tal forma que algumas indústrias
deixaram o interesse pela rama do algodão para focar atenção
no caroço.
Raciocínio interessante: considerando que Deus
não faz nada sem utilidade é forçoso admitir que
os lixos inexistem, muitas coisas – não apenas alimentos
– descartadas por nós podem ainda ser utilizadas. Necessário
nessa questão abrir um parêntese e discorrer sobre a sacola
plástica e sua finalidade. Saiba o caro leitor que os sacos plásticos,
tão duramente combatidos pela mídia, podem ter fim muito
mais importante do que o descarte no meio ambiente, ou seja, dos plásticos
podemos formar uma gama enorme de sub produtos a beneficiar a sociedade
sem agredir o meio ambiente, basta, para isso, utilizarmos a criatividade,
como fez o inesquecível cientista Carver. Há, inclusive,
universidades desenvolvendo pesquisas envolvendo os plásticos
e os sub produtos que podem dele originar. Entretanto, existe um caminho
longo a ser percorrido, as pessoas em primeiro lugar precisam adquirir
mentalidade ambiental para que o plástico deixe de ser descartado
como lixo tornando-se diferencial econômico, como foi o algodão,
ou melhor, seu caroço para os Estados Unidos.
Enfim, impossível falar em simples artigo
de todas as descobertas e de todos os benefícios trazidos pela
mente do mago da agricultura George Washington Carver que desencarnou
em janeiro de 1943. A realidade é que grandes exemplos de vida
não podem ficar ocultos do grande público, este artigo
tem, portanto, o singelo objetivo de suscitar a curiosidade do leitor
em conhecer a vida do notável cientista negro que acreditava
em Deus e rompia barreiras construídas pelo preconceito humano.
Quem quiser saber mais sobre a vida dessa notável figura humana
que circulou entre nós no século XX pode procurar pelo
livro “Negritude e Genialidade”, publicado
pela editora Lachâtre do belíssimo escritor Hermínio
Miranda.
Fonte: O Mensageiro
http://www.omensageiro.com.br/artigos/artigo-228.htm
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