10/06/2009
III FORUM DO LIVRE-PENSAR ESPÍRITA - GUARULHOS
Amigos da CEPA no Fórum de Guarulhos conclamam comunidade espírita
a refletir sobre a conveniência de manter ou eliminar progressivamente
os hospitais psiquiátricos espíritas.

O Encontro
Com a presença de autoridades
do Ministério da Saúde, dos Secretários da Saúde
de Guarulhos e de outros municípios paulistas, de psiquiatras,
terapeutas e especialistas em saúde mental, espíritas
de várias partes do Brasil, debateram, nos dias 5 e 6 de junho
o tema “Espiritismo, Saúde Mental e Cidadania”.
Na conferência de abertura do evento, o Dr. Pedro Delgado, Coordenador-Geral
do Programa de Saúde Mental do Ministério da Saúde,
afirmou ser importantíssima “a contribuição
dos espíritas laicos para a construção de um novo
modelo de assistência no campo da saúde mental”.
Para Delgado, a questão da saúde mental não pode
sofrer a interferência de dogmas religiosos, mas, é fundamental
o respeitar aos sentimentos de religiosidade de pacientes e familiares.
Entende útil o desenvolvimento de uma ciência espiritual
capaz de auxiliar na busca de equacionamentos do tema.
Depois de vários painéis, mesas-redondas e rodas-de-conversa,
contando com especialistas e, também com a contribuição
de familiares de pacientes e de trabalhadores ou ex-trabalhadores de
hospitais psiquiátricos espíritas, em reunião plenária,
os participantes do evento produziram o documento que, a seguir, divulgamos:
MANIFESTO DO FORUM "SAÚDE MENTAL, ESPIRITISMO E CIDADANIA"
SAÚDE MENTAL: CUIDAR SIM, EXCLUIR NÃO!!!
Espíritas de todo o Brasil, reunidos nos dias
5 e 6 de junho de 2009, em Guarulhos-SP, durante o III Fórum
do Livre-Pensar Espírita, que teve como tema central
“Espiritismo, Saúde Mental e Cidadania”,
redigiram o seguinte manifesto:
Considerando,
- o caráter progressista, humanista, laico, livre-pensador e
libertário da doutrina espírita, fundada por Allan Kardec;
- que manicômio é um termo genérico utilizado para
classificar hospícios, asilos, hospitais psiquiátricos
e demais lugares de tratamento da doença mental que se valem
do princípio do isolamento do louco da sociedade, um lugar onde
os internados perdem todas as suas referências de vida e são
excluídos do convívio familiar, do trabalho, do local
onde moram, da cidade e que perdem, portanto, a maior garantia que a
sociedade moderna pretende dar a todos, a cidadania;
- que há décadas o movimento espírita brasileiro,
motivado pelo desejo de acolher os sofredores de transtornos psíquicos,
fazer a caridade e propiciar o acesso às terapias espíritas,
instituiu uma ampla rede de hospitais psiquiátricos espíritas;
- que ainda está sob controle dos hospitais psiquiátricos
espíritas significativa quantidade de leitos psiquiátricos;
- que essas instituições, mesmo sem reproduzir as práticas
de violência que caracterizam os hospitais psiquiátricos,
mantêm a exclusão como prática assistencial;
- que novos modelos de cuidado em saúde mental têm sido
propostos, inclusive com amparo na legislação federal,
mais concernentes com os postulados éticos oriundos da doutrina
espírita, possibilitando a construção de um modelo
assistencial de base comunitária mais consentâneo com os
postulados humanistas defendidos pelo espiritismo;
- que a Constituição Federal, alinhada à Declaração
Universal de Direitos Humanos, impõe sejam resguardados os direitos
fundamentais de liberdade e igualdade, presentes na Lei Natural (inscrita
em nossa consciência);
Resolvem declarar que entendem devam os espíritas:
1) Apoiar e participar ativamente da Reforma Psiquiátrica,
que propõe transformar o modelo assistencial em saúde
mental e construir um novo estatuto social para o louco: o de cidadão
como todos os outros;
2) Apoiar a substituição progressiva dos
manicômios e demais práticas de internamento que resultem
na exclusão social dos indivíduos portadores de transtornos
mentais;
3) Apoiar a substituição do modelo manicomial
pela criação de uma rede de serviços territoriais
de atenção psicossocial, de base comunitária;
4) Apoiar a lei 10.216/2001, que propõe uma ampla
mudança do atendimento público em Saúde Mental,
garantindo o acesso da população aos serviços e
o respeito a seus direitos e liberdade, o que significa mudar o modelo
de tratamento: no lugar do isolamento, o convívio com a família
e com a comunidade;
5) Exigir das autoridades públicas que cumpram
sua responsabilidade e implementem, objetivamente, a rede de saúde
mental de base comunitária (CAPS, Residências Terapêuticas,
Lares Abrigados, ações para redução de danos,
etc) e leitos de curta permanência em hospitais gerais qualificados
para integrar a referida rede;
6) Conclamar a comunidade espírita para uma
reflexão séria e responsável sobre a conveniência
de manter ou eliminar progressivamente os hospitais psiquiátricos
espíritas. Por mais respeitáveis que sejam os objetivos
dessas instituições, elas professam um modelo historicamente
ultrapassado e eticamente indefensável. Essas instituições,
que contam com um enorme patrimônio e muitos colaboradores, não
podem e não devem simplesmente encerrar suas atividades. Sugere-se
produzir uma redefinição do perfil das instituições,
voltando suas atividades para o cuidado aos idosos, à população
em situação de vulnerabilidade social, desenvolvendo,
em particular, atividades educacionais, culturais e profissionalizantes;
7) Adotar o trabalho efetuado em instituições
espíritas (emissão energética à distância,
passes, orientação espiritual a encarnados e desencarnados,
desobsessão, etc). Essas práticas claramente se inscrevem
entre as diferentes modalidades de cuidado em saúde mental de
base comunitária e têm uma contribuição inimaginável
na diminuição e no controle da ocorrência de casos
graves de transtornos psiquiátricos;
8) Reconhecer que o espiritismo, ao tratar da questão
da saúde mental sem a interferência de dogmas religiosos,
mas respeitando os sentimentos de religiosidade de cada um (paciente,
familiares e profissionais de saúde) pode contribuir eficazmente
com as demais ciências e correntes do pensamento, alargando a
compreensão sobre a natureza humana, sua subjetividade, seus
sofrimentos e transtornos psíquicos, a partir da abordagem de
sua dimensão espiritual;
9) Conclamar a comunidade espírita a cerrar
fileiras junto ao Conselho Nacional de Saúde e em outros espaços
de debate e atuação públicos, com as posições
defendidas pela OMS, OPAS, parlamentares, gestores públicos das
três esferas de governo, representantes do Ministério Público,
instituições universitárias, ONG e outros setores
progressistas de nossa sociedade que defendem a REFORMA PSIQUIÁTRICA
E UMA SOCIEDADE SEM MANICÔMIOS!
Guarulhos, 6 de junho de 2009.
Fonte: http://www.cepabrasil.blogspot.com/
Coordenador do Ministério de Saúde destaca que a posição
laica espírita é fundamental para o debate sobre Saúde
Mental.
Reportagem de Marcelo Henrique, especial para CEPA.
Na abertura do III Fórum do Livre Pensar Espírita,
realizado em Guarulhos (SP), de 5 a 7 de junho, o Dr. Pedro Delgado
(foto), Coordenador-Geral do Programa de Saúde Mental do Ministério
da Saúde (Governo Federal) afirmou ser importantíssima
a contribuição dos espíritas laicos para a construção
de um novo modelo de assistência no campo da saúde mental.
Delgado pontuou que tratar a questão da saúde
mental sem a interferência de dogmas religiosos, mas respeitando
os sentimentos de religiosidade de cada um (paciente, familiar, profissional,
Sociedade) é importante porque a contribuição efetiva
de uma ciência espiritual pode auxiliar no melhor equacionamento
da questão.
O contributo maior está na “Dimensão
Espiritual do Sofrimento”, que a posição espírita
pode descortinar, principalmente por não invocar questões
de fé. O novo paradigma que está sendo construído,
assim, coloca o doente e seus familiares não como “vítimas”
da doença, mas atores, protagonistas e co-terapeutas, tomando
a positividade da loucura (calcada na experiência de vida, a vivência
e o aprendizado, que constituem a matriz ética da questão),
e não a simples negatividade que a dor possa encampar.
A feliz iniciativa da CEPAmigos em promover o Fórum
e os compromissos que ficarão como conseqüência do
evento, principalmente a “Carta” assinada no encerramento
do mesmo, podem ser balizas importantes para inserir, definitivamente,
o movimento espírita, consciente e participativo, neste cenário.

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